Review: J. Cole – MIDDLE CHILD

Lançamento: 23/01/2019
Gênero: Hip hop
Produtores: T-Minus e J. Cole
Compositor: Jermaine Cole

JCole está atravessando a paisagem de seu mundo musical, olhando para o passado, presente e futuro, enquanto afirma sua posição dentro do panteão do rap em sua nova música, “MIDDLE CHILD”. É o primeiro single oficial do rapper, após o lançamento do seu último álbum, “KOD” (2018). A inspiração do título veio da perspectiva de Cole sobre a indústria do hip-hop de hoje. Ele sente que trabalhar com a geração mais velha e mais jovem da indústria o colocou em um posição única. “Estou preso entre duas gerações, eu sou o irmãozinho e o irmão mais velho de uma só vez”. Ele está tentando se relacionar com os novos artistas e deixar uma influência positiva para a geração mais jovem. Após uma introdução com metais, Cole discute o uso de drogas e álcool no primeiro verso: “Eu não cheirei pó, eu posso tomar um gole / Eu posso acertar em cheio, mas estou sujeito a tropeçar / Eu não estou tomando remédio, mas você faz como quiser”. Hoje, o uso de substâncias é glorificado e se tornou uma tendência nos últimos anos. Mas Cole quer mostrar que o uso de drogas não é algo positivo e quer alertar aqueles que ouvem sua música. Enquanto se dirige à geração mais jovem, ele também faz uma homenagem à geração mais velha do hip-hop. Cole afirma que estudou o que eles fizeram e tentou copiar sua cadência e estilo para melhorar suas próprias habilidades. “MIDDLE CHILD” dá uma olhada no que é ser preso entre duas gerações. Cole também aproveitou a oportunidade para nomear os rappers influentes, e aparentemente jogar shade em outros. Ele emprega um fluxo constante e rima com profundidade sobre as diferenças percebidas entre ele e outros artistas.

“Manos estão me tirando / Eu estou contando minhas balas, estou carregando meus pentes / Eu estou escrevendo os nomes, estou fazendo uma lista / Eu estou checando duas vezes e estou atirando / Os verdadeiros estão morrendo, os falsos estão se saindo bem / O jogo está desequilibrado, estou de volta nessa porra / O Bentley está sujo, meu tênis está sujo / Mas é assim que eu gosto, todos vocês puxando meu saco”, ele cospe no refrão. Produzido por T-Minus, o fluxo do J. Cole desliza sobre batidas de percussão e melodias de trompete. “Apenas deixou o laboratório com jovem 21 Savage / Eu estou indo almoçar e conhecer o Jigga / Tive uma longa conversa com o jovem mano Kodak”, ele diz se referindo ao seu mentor Jay-Z e ao seu próprio aprendiz, 21 Savage. Cole também capitaliza os conflitos entre Drake e Kanye West com letras como: “Coloque o Rolex de volta no meu pulso / Este relógio veio do Drizzy, ele me deu esse presente / Antes, quando o rap estava rezando eu diria / Eles agem como se duas lendas não podem coexistir”. Sendo ainda mais direto, ele diz: “Mas eu nunca me importo com um mano de graça / Se eu fumar com um rapper, vai ser legítimo / Não será por influência, não será por fama / Não será porque minha música não está vendendo o como antes / Não será para te vender o meu mais recente tênis de rapperzinho / Não vai ser porque algum mano caiu na minha lábia”. Embora não mencione o Kanye West diretamente, a linha sobre os tênis parece um pouco direta demais para ser coincidência. J. Cole está no estúdio trabalhando em seu sexto álbum de estúdio, e também está finalizando o lançamento da compilação da Dreamville Records, “Revenge of the Dreamers III”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.