Review: Interpol – The Rover

Lançamento: 07/06/2018
Gênero: Indie Rock
Produtor: Dave Fridmann
Compositores: Paul Banks, Sam Fogarino e Daniel Kessler.

Desde o lançamento do impecável “Turn on the Bright Lights” (2002), a Interpol combinou o talento dos seus membros com uma abordagem engenhosa e ameaçadora. Depois de um hiato de quatro anos, a banda anunciou o lançamento do seu novo álbum de estúdio, chamado “Marauder”. O primeiro single, “The Rover”, é uma faixa sombria com os vocais inconfundíveis de Paul Banks e o imediatismo das batidas de Sam Fogarino. O resultado é uma Interpol mais enxuta, despojada e poderosa. “Esse disco é onde eu me sinto tocando em coisas reais que aconteceram comigo, é excitante e evocativo para escrever sobre”, Banks disse a respeito do novo álbum. “Marauder é uma faceta de mim mesmo”, ele continuou. “The Rover” é uma faixa que não cede em nenhum momento. Uma peça de indie-rock conduzida por um contagiante riff de guitarra. Banks está espirituoso, embora seus vocais estejam misturados em segundo plano, em oposição à linha de frente. Mas, como o esperado, ele consegue transmitir a escuridão das letras. “Venha me ver e talvez você morra”, ele diz na primeira linha. Além dos vocais, Paul Banks assume a tarefa de tocar o baixo novamente. “Marauder” é a continuação do “El Pintor” (2014), que marcou a primeira vez que a banda trabalhou sem o ex-baixista Carlos Dengler.

Por isso, desde então, Banks assumiu seu lugar como baixista da Interpol. Impulsionada por uma energia frenética, “The Rover” aponta para uma direção mais pesada. As batidas aleatórias elevam os clássicos acordes da guitarra, enquanto a melodia é cheia de vivacidade. O barítono do Paul Banks parece mais caloroso do que de costume. O refrão é moderadamente infeccioso e salientado pela repetição lírica. “The Rover” dificilmente vai mudar o rumo da carreira da Interpol, mas se você estava sentindo falta deles, tem motivos para se alegrar. As letras, por sua vez, são um pouco incompreensíveis, mas isso faz parte do charme da Interpol. Depois de lançar dois excelentes álbuns no início da carreira, a banda passou por algumas instabilidades. Agora, o trio recebeu o auxílio do produtor Dave Fridmann, mais conhecido por trabalhar com o The Flaming Lips. “The Rover”, o resultado dessa união, lembra o passado da banda, porém, com a influência de Fridmann. O destaque da música é o refrão, que possui a bela guitarra de Daniel Kessler e fortes enterradas de Sam Fogarino. Inconfundivelmente Interpol, mas um tanto quanto diferente, “The Rover” deve ter agradado os fãs mais antigos da banda.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.