Review: Imagine Dragons – Machine

Lançamento: 31/10/2018
Gênero: Pop rock
Produtor: Alex da Kid
Compositores: Dan Reynolds, Ben McKee, Wayne Sermon, Daniel Platzman e Alex da Kid

Lançada como terceiro single do quarto álbum da Imagine Dragons, “Machine” é uma música categoricamente alta baseada fortemente na fiel dinâmica barulhenta que impulsionou alguns hits da banda. Dan Reynolds, porém, está usando essa tensão para um efeito cada vez mais oco. “Porque eu estive pensando / Quando você vai ver que eu não estou à venda? / Eu tenho questionado / Quando você vai ver que eu não sou uma parte da sua máquina? / Não sou uma parte da sua máquina”, ele canta sobre uma batida militar. Com cerca de 3 minutos, “Machine” possui um comprimento respeitável, além de ser caracterizada por uma rígida programação de tambor. Inesperadamente, a abordagem vocal é muito mais contida nos versos. As letras são relativamente familiares, incluindo o primeiro verso: “Toda a minha vida eu estive sentado à mesa / Observando as crianças, e vivendo em uma fábula / Olhares, sorte, dinheiro e nunca deixar para trás um sonho / Mas agora já é hora de levantar e exigir”. O segundo verso é escrito no mesmo estilo e, novamente, reflete o passado da Imagine Dragons. Logo, os gritos do Reynolds assumem o controle. Além dos tubos de assinatura, as guitarras rugem no refrão, ao passo que o som geral é definitivamente turbulento.

Além disso, vale a pena notar a seção instrumental – uma pausa dos vocais, bem como uma mudança de ritmo. Nesta música, a banda fala de como as pessoas devem ser auto-capacitadas, assumindo sua própria vida, estabelecendo seus próprios objetivos e fazendo escolhas positivas. Esteticamente falando, Reynolds tenta recriar seus hits anteriores da maneira mais pesada possível. Naturalmente, o refrão de “Machine” segue os mesmos padrões vocais de “Yesterday”. A voz de Dan Reynolds é feroz e poderosa e dá à canção um toque épico – como se milhares de adolescentes estivessem cantando juntos. “Machine” é uma música de pop-rock otimista, mas a percussão é demasiadamente familiar. Além disso, porque a banda resolveu torpedear essa música teoricamente “política” com ganchos tão arrogantemente pesados? O refrão é muito brega e, embora o Reynolds tenha apreciado a contenção do versos, ele foi incapaz de exercê-la de forma consistente. Liricamente, ele tentou se concentrar no desafio de não ser comparado com outras pessoas e não vender suas inibições. Ele tentou fazer um comentário social com traços de suas raízes sonoras, mas falta profundidade, e os vocais se sentem cada vez mais cansados e desgastados. A intensidade dolorosa dos vocais, dessa vez não surtiu efeito.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.