Review: Hozier – Wasteland, Baby! (2019)

Lançamento: 01/03/2019
Gênero: Indie rock, Blues, Folk
Gravadora: Rubyworks Records / Island Records
Produtores: Hozier, Markus Dravs, Rob Kirwan e Ariel Rechtshaid

Com quatorze faixas em cerca de uma hora, “Wasteland, Baby!” é vítima da monotonia, e vê Hozier reciclando a mesma fórmula usada em “Take Me to Church”.

Assim que “Take Me to Church” surgiu em 2013 – quando a música mainstream lutava para se elevar além do pop -, foi um momento de grandeza para o Hozier. Lá estava uma canção de blues envelhecida e sombria que não foi apenas um single de estréia de um novo artista, mas uma peça inteligente que apreciava o passado. Quanto ao seu disco de estréia lançado um ano depois, foi ainda melhor, com um foco ampliado no rock, soul, blues e folk, repleto de imagens bíblicas e músicas fora do seu tempo que ainda soavam frescas e excitantes. Então, Hozier ficou fora dos holofotes por um determinado período de tempo. Ele só lançou novas músicas quando liberou o EP “Nina Cried Power” (2018), que, apesar de bom, serviu apenas para mostrar como Hozier perdeu severamente seu lugar ao sol. Comparado com “Take Me to Church”, sua presença era efetivamente inexistente, um fato que só se sentiria mais preocupante ao revelar seu segundo álbum de estúdio, “Wasteland, Baby!”. Afinal de contas, um artista como este, com capacidade mainstream, não ocorre de forma cotidiana, e cair no esquecimento dessa maneira pode ser bastante desmotivador, tanto para os fãs quanto para o artista, com um álbum que ninguém realmente parece estar prestando atenção. Isso não parece ser um grande problema, especialmente quando “Wasteland, Baby!” é mais do mesmo, outro registro que se baseia em imagens da mitologia e religião para sustentar sua escrita.

Se você achava que com um período tão longo de tempo ele tivesse aprendido novos truques, poderá se decepcionar. Havia uma mística sobre a estreia do Hozier que beneficiou completamente seus temas e conceitos. No entanto, isso não acontece aqui. Ele ainda tem jeito com palavras melancólicas que traçam um paralelo com a mitologia grega ou com o romântico brincalhão de “To Noise Making (Sing)”, por exemplo. Mas no geral, há uma falta de ambição que, comparado com a ambiguidade das múltiplas camadas do “Hozier” (2014), pode ser extremamente desanimador. Ele peca drasticamente pela falta de desenvolvimento lírico, em faixas como “Movement” e “Sunlight”, enquanto outras como “Dinner & Diatribes” parecem distantes e fornecem situações sociais chatas que não conseguem qualquer conexão real. “Wasteland, Baby!” definitivamente não tem a seriedade e as incríveis elevações de seu antecessor. Além disso, o fato do álbum ser muito longo só piora as coisas. Os elementos de soul, blues, folk e rock servem como base, e embora isso não seja uma decisão ruim, a verdade é que ele está lutando para se manter de pé. Os melhores momentos são bastante fáceis de se escolher, como o toque íntimo de “To Noise Making (Sing)” ou as descontraídas “No Plan” e “Be”. Hozier sempre teve uma sutil tendência sombria, e você pode senti-lo tentando usar seu humor de novas maneiras. Ele agora lida com arranjos espaciais, guitarras mais pesadas e letras mais duras.

A balada “Shrike”, por exemplo, é gritante e pontuda, com agradáveis elementos tradicionais de música folk irlandesa. Em tais faixas, Hozier cultiva um som mais aerodinâmico que realmente beneficia sua voz, variando de reverberações profundas e melancólicas para uivos cheios de imperfeições. Dito isto, não dá para negar que o principal componente deste álbum é seu vocal lindo e poderoso. Crescente e efervescente, é um instrumento que exala sabedoria, paixão e aventura. É claro que isso também contribuiu para seu disco de estréia, mas pelo menos lá haviam bons momentos e canções muito bem-vindas; aqui, por outro lado, não há nada disso, e “Wasteland, Baby!” serpenteia na maior parte do tempo de uma maneira que presta um desserviço ao Hozier como artista. E embora tudo soe um pouco duro – este ainda é um álbum sólido com momentos que absolutamente valem a pena – mas considerando o quão ótimo o Hozier pode ser, também é uma decepção em várias formas. É definitivamente uma queda em relação ao seu álbum homônimo. Ainda merece uma chance, mas apenas em áreas isoladas; não é bom o suficiente para justificar quase 1 hora de duração. “Wasteland, Baby!” é cheio de referências e apartes à cultura pop, mas é vítima da monotonia. Ademais, quase todos os elementos de “Take Me to Church” são isolados e reciclados na esperança de coroar um sucessor.

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    SCORE - 48%
48%

Favorite Tracks:

“Almost (Sweet Music)” / “No Plan” / “To Noise Making (Sing)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.