Review: Harry Styles – Lights Up

Inesperadamente, Harry Styles chamou seu novo single de “Lights Up” e o lançou no “Dia de Sair do Armário” nos Estados Unidos (do inglês “National Coming Out Day”). O vídeo o encontra cercado por homens e mulheres com pouca roupa – onde seu corpo é acariciado pela multidão exposta pelo céu noturno. Em outras cenas, Styles aparece na traseira de uma moto, flutua acima do seu próprio corpo e surge no que parece um quarto de hotel. Geralmente, Styles fala pouco sobre sua vida pessoal e raramente se preocupa em abordar seus relacionamentos e sexualidade. De qualquer forma, há algo de encantador na abordagem de “Lights Up”, seu excelente single de retorno. Ele deixou para trás as influências de rock dos anos 70 do seu álbum de estreia, em favor de uma estética mais celestial. É uma canção repleta de floreios orgânicos, guitarras, notas de piano, baixo pesado e bateria. O pré-refrão quebra o humor facilmente, enquanto o coral gospel é processado com intensidade. Apesar da estrutura inicialmente desorientadora, “Lights Up” utiliza apenas três versos. O refrão é inesperado, mas um momento brilhante que eleva a música, em contraste com os vocais fortemente abafados. Honestamente, isso é completamente diferente de “Sign of the Times” ou “Sweet Creature”.

Existem elementos retrô, liderados pela robusta linha de teclado, mas ainda assim, há uma elegância moderna. Com seu pré-refrão psicodélico, a música brilha igual o suor do seu corpo no videoclipe – o piano e a guitarra cintilam sobre o baixo e a bateria, dando à música uma atemporalidade. As letras certamente aumentaram a especulação em torno da sexualidade do Harry Styles – a própria fã base tomou isso como prova de sua bissexualidade. Ele canta sobre se perguntar quem ele é, entrando na luz e se recusando a voltar; o vídeo inequivocamente sexy o vê sem camisa sendo agarrado por homens e mulheres. “Todas as luzes não conseguiam apagar a escuridão / Invadindo meu coração”, ele canta. Linhas como essas, falam sobre finalmente ser livre e descobrir a identidade de alguém. Harry Styles não coloca rótulo em sua sexualidade, mas embora não seja uma prova de sua bissexualidade, “Lights Up” pode ser um sinal. São menos de 3 minutos, mas sua atmosfera faz com que pareça mais longa. Em um dia de visibilidade LGBTQ+, frases como “as luzes se acendem e eles sabem quem você é” parecem uma aceitação. Diferente do álbum “Harry Styles” (2017), influenciado por lendas como The Beatles, Fleetwood Mac e Rolling Stones, “Lights Up” possui um som indie pop exclusivo. Em um mês em que todos os ex-membros do One Direction lançaram novas músicas, “Lights Up” é certamente a mais impressionante.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.