Review: Glen Hansard – This Wild Willing (2019)

Lançamento: 12/04/2019
Gênero: Folk, Folk rock, Indie folk
Gravadora: Anti-
Produtores: Glen Hansard

Melodicamente, Hansard nunca foi tão envolvente ou realizado. Dessa vez, ele optou pela experimentação dos músicos ao seu redor, em vez de apenas dedilhar o violão.

Glen Hansard ganhou destaque em 2007, graças à sua atuação no filme irlandês “Once” e à música ganhadora do Oscar, “Falling Slowly”. Foi um filme que capturou aquela magia crua e romântica forjada pela música. Hansard manteve uma carreira musical antes e depois desse papel, com um punhado de discos solo e vários álbuns com sua banda, The Frames. Provavelmente, não é justo comparar cada um de seus novos álbuns com o “Once” (2007), mas, considerando que Hansard não alcançou o mesmo tipo de sucesso desde o filme, é uma comparação que a maioria das pessoas provavelmente fará por conta própria. Dito isso, se você ouvir “This Wild Willing” – o seu quarto álbum solo – esperando escutar algo similar ao “Once” (2007), ficará muito desapontado. Não porque o álbum é ruim, mas porque o próprio cantor diz no encarte que é um registro que reflete seu tempo com o The Frames. Ainda é um disco folk com guitarras acústicas, piano, violino e órgãos, mas seu foco é muito diferente. É mais sobre a sensação da música do que sobre o romance propriamente dito. Inicialmente, “The Wild Willing” flutua sobre o sussurrado “I’ll Be You, Be Me”, um número lento e sombrio que cintila com a intensidade de uma clássica faixa da Brand New ou Bright Eyes. À medida que a intensidade aumenta, as cordas aparecem a fim de fortalecer suas emoções.

E, como se não fosse suficiente, Hansard aproveita o momento e adiciona guitarras elétricas à mistura. Essa canção dá o tom para o tipo de canto mal iluminado que povoa grande parte do álbum. Mais tarde, o músico mergulha em baladas de piano como “Don’t Settle”, uma melancólica reminiscência de Nick Cave que, de alguma forma, se sente mais impressionante do que a faixa de abertura. A urgência deste disco incomoda o ouvinte com “Fool’s Game”, um momento que a princípio parece tranquilo – mas depois, com um pouco mais de 3 minutos – explode e nos surpreende. Guitarras, tambores e harmonias corais penetram de uma maneira totalmente inesperada; embora permaneça dentro do contexto da música. A próxima faixa, “Race to the Bottom”, um número jazzístico que apresenta instrumentos de metal, possui passagens como: “Mesmo os deuses que nos contemplam, sabem que não há ninguém para ser salvo entre nós – eles continuam se afastando, virando-se”. Essa visão melancólica é aquela que encobre grande parte do “This Wild Willing”; é quase um álbum apocalíptico no sentido de que o desânimo e a desesperança são tão densos que podem ser facilmente sentidos. O clima é elevado quando você percebe o que ele está cantando em “The Closing Door”. É tão arrepiante. As coisas tomam uma abordagem decididamente mais calma na última metade do repertório.

“Brother’s Keeper” nos remete ao irlandês Damien Rice; guitarras acústicas e pianos compartilham um lindo espaço no decorrer de 5 minutos. “Mary” é uma ode ao amor que aquece o coração, conforme ele canta: “Nunca ouvi uma melodia assim, como quando você se dirigiu a mim”. Isso cria uma atmosfera crua recheada de cordas inchadas. A delicadeza pianística de “Threading Water” e “Weight of the World” parecem que está afundando em uma piscina cintilante; há uma serena tranquilidade que contrasta com a austeridade da primeira metade do álbum. Enquanto o registro chega ao fim, a longa e sinuosa “Good Life of Song” une tudo com um forro reconfortante: “Deixe-os ver que viemos como iguais / Deixe-os saber que não estávamos com medo / Eles sentem o seu amor pela música, em cada nota que você toca”. “Leave a Light”, por fim, presta uma homenagem à mudança, enquanto é centrada em torno da voz do Hansard e da guitarra acústica, e acentuada por um florescente violino. Minha falta de contexto em relação à carreira do Glen Hansard me impede de fazer comentários sobre a posição de “The Wild Willing” dentro de sua própria discografia – mas posso afirmar com segurança que esse registro é uma ótima fatia independente. É o tipo de álbum capaz de cativar um novo público. Para os desavisados, “The Wild Willing” é um alerta para suas habilidades criativas.

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São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.