Review: George Ezra – Staying at Tamara’s (2018)

Lançamento: 23/03/2018
Gênero: Folk pop
Gravadora: Columbia Records / Sony Music
Produtores: Cam Blackwood e Joel Pott.

“Staying at Tamara’s” é um álbum que não está realmente imbuído pelo som das suas próprias viagens. É um registro leve e otimista que parece um pouco seguro demais.

George Ezra rapidamente se tornou um nome familiar quando lançou o single “Budapest” em 2014. Seu primeiro álbum, “Wanted On Voyage” (2014), vendeu mais de 1 milhão de cópias no Reino Unido, enquanto ele viajou pelo mundo por dois anos sem parar, junto com artistas como Sam Smith e Hozier. Seu altamente antecipado segundo álbum, “Staying at Tamara’s”, se estende à grandeza de sua estreia, apresentando uma série de boas canções e, mais uma vez, sua profunda e rouca voz. O chamado segundo álbum tem sido problemático para muitas bandas e artistas ao longo dos anos e, para George Ezra, seu novo lançamento veio com a pressão de ter que se igualar, ou mesmo exceder, o sucesso e crítica do seu antecessor. No geral, “Staying at Tamara’s” é uma coleção de onze faixas que mostra o crescimento de George Ezra como artista, e tenta destacar sua evolução lírica. É um álbum que focou no lado mais jovial de sua estreia e, embora não tenha aquele fator de capturar sua atenção instantaneamente, é muito agradável de se ouvir. Um sólido acompanhamento para o “Wanted On Voyage” (2014) que, realmente, é difícil de superar. Felizmente, “Staying at Tamara’s” demonstra uma progressão madura do George Ezra, algo que difere de seu esforço anterior. Os grandes refrões estão de acordo com o que estamos acostumados a ouvir do cantor, porém, desta vez, seus vocais são entregues com uma maior dose de confiança. O refrão imensamente cativante do número de abertura, “Pretty Shining People”, dá um forte impulso para o álbum.

Como esperado, George Ezra conduz a canção com seus distintos e robustos vocais. O primeiro single, “Don’t Matter Now”, começa com um som abafado e fornece uma produção exuberante, despreocupada e vintage. A guitarra rítmica, linha de baixo, backing vocals e os trompetes se destacam facilmente. Liricamente, Ezra fala sobre o que realmente importa para ele, independentemente da opinião dos outros. “Às vezes você precisa estar sozinho (Isto não importa agora) / Feche a porta, desconecte o telefone (Isto não importa agora)”, ele canta no primeiro verso. Em seguida, o ritmo não pára à medida que Ezra compartilha sons parecidos com o The Black Keys na faixa “Get Away”. A produção brilha através das guitarras acústicas, tambores, baixo e melodias entusiastas. Lançada como single em 18 de maio de 2018, “Shotgun” foi escrita por George Ezra e Joel Pott, e produzida por Cam Blackwood. É uma canção que mostra o seu desenvolvimento, conforme ele experimenta alguns ritmos tropicais. Os sons incomuns criam uma experiência refrescante para o ouvinte, enquanto as trompas e trompetes pintam o pano de fundo. Toda a vibração de “Shotgun” é edificante e feliz, o que a torna perfeita para o verão. Ela é tão cativante que anima qualquer pessoa instantaneamente. O barítono do George Ezra é muito distinto e realmente o distingue de outros cantores da indústria. Consequentemente, “Shotgun” lhe dá a chance de apresentar algo diferente do seu primeiro disco, enquanto mergulha em ritmos de afrobeat.

Essa canção cumpre o seu desejo em ter uma música parecida com “Graceland” do Paul Simon. Isso acaba oferecendo uma qualidade exótica para sua voz, graças a linha de baixo e as melodias tropicais. Liricamente, esta música fala sobre uma viagem ensolarada com os amigos pela Europa. Esse é exatamente o tema que a caracteriza, uma mensagem relacionável que narra um dia comum de sua vida. Uma canção que se concentra em coisas boas da vida e é traiçoeiramente cativante. Embora tenha um instrumental um pouco pesado, o ritmo é muito divertido de se ouvir. Ademais, os versos conseguem preparar o ouvinte para a espessura do refrão. O forte impulso mostra o desenvolvimento artístico do Ezra, enquanto ele experimenta algumas coisas novas. A simplicidade de “Shotgun” é divertida, liricamente lúdica e ainda mostra o falsete do George Ezra. Felizmente, todo o conjunto consegue se salvar da desajeitada linha de abertura: “Jacaré criado em casa, até mais tarde”. A guitarra introdutória e os repetitivos sintetizadores guiam a canção e nos levam para um refrão pegajoso impulsionado pela pegajosa linha de baixo. Inesperadamente, o baixo é extremamente funky e a percussão está no ponto certo. George Ezra combina habilmente seu folk-pop alegre com letras divertidas para criar um cenário relativamente simples. As influências tropicais são, inegavelmente, um dos maiores pontos de venda da música. “Shotgun” é despojada e ainda consegue contar uma história de fuga e liberdade.

Ele se contenta em ser apenas o passageiro em aventuras com os amigos. “Eu vou estar andando no banco da frente debaixo do sol quente / Sentindo-me como se eu fosse alguém”, ele canta no refrão. A frase “riding shotgun” refere-se aos dias do Velho Oeste, quando costumava haver um motorista de carroça controlando os cavalos e um guarda que usava normalmente uma espingarda. Nos dias atuais, isso significa andar no banco do passageiro no lado oposto do carro. Ou seja, George Ezra apenas canta sobre permanecer no banco da frente através do calor escaldante do verão. O resultado final é uma canção agradável, que provavelmente fará sucesso, mas não vai causar qualquer impressão duradoura. O hit “Paradise” oferece uma vibe eufórica, letras cativantes e produção otimista. Ele abre a canção, cantando: “Meu amor / Meu amante / Estou no paraíso sempre que estou com você / Minha mente, minha mente / Bem, é um paraíso sempre que estou com você / Seguindo em frente”. Esse single contagiante contém uma melodia animada emparelhada com letras fáceis de decorar. Direta e próspera em sua aura incansável, “Paradise” é o tipo de faixa que deve se tornar trilha sonora de momentos felizes. É um número charmoso e ao mesmo tempo brincalhão. O trabalho de produção corresponde ao seu entusiasmo e personalidade, e faz uma combinação da sua antiga e nova abordagem sonora.

Aqui, Ezra compartilha os primeiros e melhores momentos de um novo relacionamento. Envolto por fortes guitarras, animadas batidas, doces melodias, cânticos e uma energia febril, o ponto principal da canção é justamente a certeza de ser feliz no amor. “Se parecer que o paraíso corre pelas suas veias sangrentas / Você sabe que é o amor em sua direção”, ele canta no entusiasmado refrão. Sua personalidade vocal brilha com entusiasmo e uma energia aquecedora. Se o “Wanted On Voyage” (2014) foi um álbum introspectivo que nasceu de noites sozinho, então “Paradise” sugere que “Staying at Tamara” está olhando diretamente para fora, querendo dançar e esquecer a solidão. Seus vocais em falsete mostram um tom habitual que agarra o ouvinte com facilidade. Os backing vocals são despreocupados e entram em erupção com sua abordagem vocal direta. Do início até o fim, é uma faixa incrivelmente alegre e despreocupada. É sonoramente parecida com “Budapest”, embora sua entrega seja mais pop e polida. Em suma, “Paradise” oferece uma produção que captura perfeitamente os sentimentos de estar apaixonado e feliz. Músicas mais sentimentais como “All My Love” e “Hold My Girl” exibem um lado mais sensível do cantor. “All My Love” é uma faixa tão simples e despojada que encanta com facilidade. Ela faz uma mistura de pop e soul numa composição vintage com baixo, guitarra elétrica e pandeiro.

“Hold My Girl”, por sua vez, possui um tom mais triste e é, inicialmente, acompanhada por um violão. À medida que avança, a produção é complementada pelo adição de um piano de cauda e cordas de violino. É uma balada crua e honesta dominada principalmente pelos graves vocais de Ezra. Em “Savior”, o cantor se juntou com a dupla sueca First Aikd Kit. Uma canção que destaca a sua maturidade e combina perfeitamente seu profundo vocal com os tons suaves das irmãs Söderberg. A produção, com um ritmo folk-rock, e as letras são grandes pontos de venda. A paixão aumenta à medida que o ouvinte se aproxima do fim do álbum. Embora seja um pouco sombria e estranhamente reconfortante, “The Beautiful Dream” cria uma imagem celestial. A atmosfera enfeitada por teclas e sintetizadores flutuam ao fundo, ao passo que uma voz feminina sussurra: “Quando você acordar, eu estarei por perto”. Com esse registro, George Ezra demonstrou progresso e maturidade. “Staying at Tamara’s” pode ser tão acessível quanto a sua estreia, mas tem uma vantagem sentimental. Ele serve como um irmão mais velho do “Wanted on Voyage” (2014), pois também documenta a jornada do cantor. É decentemente organizado e bem produzido. Como sempre, a poderosa voz de Ezra é a estrela do show. Os vocais estão no ponto, a composição é muitas vezes divertida e os arranjos de alto nível. O equilíbrio entre o lirismo e composição é bem formulado, portanto, não há uma única faixa que esteja fora do lugar.

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Favorite Tracks:

“Don’t Matter Now” / “Shotgun” / “Paradise”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.