Review: Franz Ferdinand – Always Ascending (2018)

Lançamento: 09/02/2018
Gênero: Indie rock, New wave, Dance-punk
Gravadora: Domino Recording Company
Produtores: Philippe Zdar, Mike Horner e Pierre Juarez.

“Always Ascending” tem seus bons momentos, mesmo que não seja o renascimento musical que o Franz Ferdinand estava buscando. Para seu crédito, a banda é persistentemente engenhosa, talentosa e determinada.

Franz Ferdinand já foi uma das maiores bandas de rock do Reino Unido, mas perdeu relativamente o seu sucesso nos últimos anos. Entretanto, isto não impediu a banda de continuar com o forte legado dos seus dois primeiros discos, “Franz Ferdinand” (2004) e “You Could Have It So Much Better” (2005). Os singles de ambos os álbuns foram bem-sucedidos e aclamados pela crítica, especialmente “Take Me Out”. Para mim, o primeiro álbum deles ainda é o melhor, tanto que conseguiu o feito de permanecer interessante mesmo com o passar dos anos. Para o seu novo disco, “Always Ascending”, Franz Ferdinand resolveu fazer uma mistura de dance, rock e uma atitude levemente atrevida. Este álbum mostrou um lado mais leve e divertido da banda para os fãs. As letras são um pouco repetitivas e ocasionalmente estranhas, mas certamente, o conteúdo lírico nunca foi o principal apelo da Franz Ferdinand. Emparelhado com teclados, órgãos, sintetizadores, guitarras elétricas, violões e vocais em falsete, o álbum apresenta gêneros como disco-rock, new-wave, post-punk, art-pop, dance-rock e indie-rock. Consequentemente, também há fortes influências de movimentos psicodélicos e folclóricos dos anos 60 e 70. O álbum começa euforicamente com os profundos teclados da faixa-título, “Always Ascending”. Uma canção disco-rock dançante e cativante que define perfeitamente o tom para o restante do repertório.

Na sequência, “Lazy Boy” mergulha com uma forte linha de baixo e teclados de fundo, embora seja mais focada na guitarra elétrica do que boa parte do álbum. Sua entrega vocal é muito preguiçosa, assim como as letras. Mas, dado o título da música, isso pode ser considerado algo apropriado. Em outras palavras, é uma música básica, mas igualmente charmosa. Um sintetizador e linha de guitarra elétrica aparece em “Paper Cages”, e mostra uma certa influência de David Bowie. O seu ritmo é forte e familiar, talvez por isso tenha agradado os fãs de longa data. “Finally” lembra o passado da banda, conforme Alex Kapranos mantém os poderosos vocais. Inesperadamente, a repetição lírica serve de uma boa forma. Uma faixa sobre finalmente encontrar o seu povo e lugar. Entretanto, parece que foi escrita, cortada e remontada em ordem aleatória, por isso a progressão de acordes parece pouco convencional. “The Academy Award” faz um comentário social em referência a maior premiação do cinema. Uma balada suave e acústica com guitarra, piano e sintetizador que, de certa forma, nos lembra os anos 80. Mas embora apresente uma inesperada progressão de acordes, não é uma música tão inspiradora. “Lois Lane”, por outro lado, é mais satírica e fornece uma reviravolta repentina no ritmo do álbum. Uma canção com vocais duplos, bateria mais apertada, cordas e linha de sintetizador, que faz uma boa transição para “Huck and Jim”.

Esta faixa poderia facilmente fazer parte dos primeiros discos da banda. Sob acordes distorcidos e batidas de bateria, o grupo consegue agitar as coisas. O pré-refrão usa o mesmo estilo de guitarra que dominou exaustivamente os seus discos anteriores. Assim como a primeira faixa, “Glimpse of Love” possui uma melodia de disco-rock e influências mais variadas. Antes do lançamento do álbum, os escoceses da Franz Ferdinand lançaram o single “Feel the Love Go”. Uma música infundida por uma linha baixo, sintetizador analógico e forte entrega vocal. Liricamente, é uma faixa inspiradora com atmosfera temperamental criada pelos vocais de Kapranos. Com letras aparentemente repetitivas, embora atraentes, a nova era do grupo não tenta ser revolucionária. Dito isto, os dois primeiros singles não contém muitas falhas. Os instrumentos de “Feel the Love Go” é a melhor qualidade da música, pois mesclam a música eletrônica com o rock. Um número de dance-rock infeccioso com guitarras influenciadas pela disco-music, bateria energética e melodias familiares. Além disso, a redenção final de “Feel the Love Go” é complementada por um promissor saxofone, que acrescenta uma dimensão intrigante à música. O primeiro verso da canção possui vocais relativamente baixos, no entanto, o nível de energia aumenta conforme o pré-refrão aparece. “Por que você não vem aqui? / Por que você não vem?”, Kapranos pergunta aqui.

Essa mesma energia é transformada no cativante refrão. O segundo verso, por sua vez, possui um ritmo mais consistente e dançante. A partir daí, o pré-refrão retorna, enquanto a segunda interação com o refrão é ainda mais consistente. A ponte oferece um maior contraste, ao mesmo tempo que mantém o caráter dançante e groovy de toda música. A partir desse momento, a banda fornece um inesperado e delicioso solo de saxofone. Uma seção realmente sedutora e criativa, que expande a paleta sonora da canção. Ademais, o comprimento da música e o desempenho da banda estão no ponto. “Feel the Love Go” é um single genuíno com um som familiar que todos os fãs da banda adoram. Franz Ferdinand pode não ser mais tão grande como nos tempos de “Take Me Out”, “The Dark of the Matinée” e “Michael”, porém, independentemente de sua fama comercial, não dá para negar que “Feel the Love Go” é um ótimo single. Apesar de não ser tão progressivo quanto a faixa-título, é uma canção bem mais acessível. A última faixa, “Slow Don’t Kill Me Slow”, é uma peça melancólica que te leva por uma viagem sonora hipnotizante. No geral, possui uma paisagem sonora abstrata e profunda que serve adequadamente como número de encerramento. Embora seja melhor do que o esperado, “Always Ascending” não foi capaz de alcançar o prestígio dos dois primeiros álbuns da Franz Ferdinand. Felizmente, o som de marca registrada da banda está presente e, como um todo, é um disco coeso.

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Favorite Tracks:

“Always Ascending” / “Huck and Jim” / “Feel the Love Go”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.