Review: Frank Ocean – DHL

Horas depois de anunciar um par de singles, Frank Ocean estreou uma terceira música nova, “DHL”. Co-produzida pelo DJ alemão House Noize, é uma peça psicodélica enraizada no enigmático swag rap do “Endless” (2016). As letras variam de diabolicamente arrogantes à misteriosas – ele fala sobre drogas, sexo, diamantes e viagens. O título ostenta o mesmo nome da empresa de transporte expresso internacional – ela está presente em mais de 200 países ao redor do mundo. No entanto, o uso do termo por Frank Ocean não é relacionado à logística. Aparentemente, é um jogo de palavras que reflete a ideia de que homossexuais entram em um novo relacionamento rápido demais. E Frank Ocean parece estar curtindo sua companhia sexual no segundo verso da música. Ele fala sobre suas atividades sexuais com um garoto, cantando: “Garoto de brinquedo me chupa como um Hoover, como um Hoover / Garoto de brinquedo me monta como um Uber, como um Uber”. Dito isto, “DHL” assume uma vibração descontraída diferente dos seus últimos lançamentos.

O tambor flui como um vídeo em câmera lenta, e sua voz é perfeita para os sintetizadores levemente confusos que tremem ao fundo. Ocean percorre um caminho nebuloso através da produção aparentemente interminável formada por acordes de piano, baixo e bateria. “Eu recebi um pacote da DHL / Acabei de tomar uma pílula”, ele canta no refrão. Transbordando com uma produção psicodélica, Ocean flutua de forma surpreendentemente sonhadora. Ele captura um espírito livre que deixará o ouvinte em êxtase – mas não é uma música tão acessível, devido ao som experimental. Refletindo sobre sua insurreição, ele analisa quantos pacotes e recomendações estão chegando em sua casa por causa do seu sucesso.

Liricamente, Ocean também se concentra em um relacionamento homossexual. Há elementos de mumble rap incorporados à música, além de uma produção intrinsecamente mais básica. “DHL” é definitivamente uma nova direção para ele, principalmente considerando o minimalismo romântico do “Blonde” (2016). Ele faz rap na maior parte do tempo, combinando estilisticamente o seu lirismo com a batida lo-fi. Ao longo dos anos, ele continuou testando a percepção do público sobre sua sexualidade, com o “Blonde” (2016) tendo referências óbvias e um subsequente acolhimento de sua bissexualidade. Em “DHL”, Frank Ocean está completamente confortável com isso. Nunca ouvimos ele tão confiante e arrogante sobre quem ele é – e você não pode deixar de amar cada segundo disso. Musicalmente, “DHL” acena para o começo de sua carreira, quando ele enfileirou e quebrou uma série de linhas memoráveis ​​com o grupo Odd Future – especificamente com “Oldie” e “Sunday”. O rap de “DHL” é semelhante às citadas, embora seja menos inteligente e mais enigmático. Quanto mais avança, mais distorcida ela se torna.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.