Review: Foals – Everything Not Saved Will Be Lost – Part 1 (2019)

Lançamento: 08/03/2019
Gênero: Indie rock, Dance-rock
Gravadora: Warner Bros. / Transgressive Records
Produtores: Foals e Brett Shaw

O problema da Foals é que eles têm as mesmas ambições que praticamente todas as outras bandas de rock dos dias de hoje e, portanto, caem nas mesmas armadilhas.

Em 2015, Foals lançou o seu tão esperado quarto álbum, “What Went Down” (2015). Esse disco pode ser melhor descrito como uma coleção agressiva e intensa que define o som da Foals. Em janeiro deste ano, a banda anunciou que logo lançaria não um, mas dois álbuns nos meses seguintes. No dia 08 de março, eles divulgaram a primeira fatia prolífica desse conjunto – intitulada “Everything Not Saved Will Be Lost – Part 1”. O grupo descreveu os dois próximos álbuns como peças complementares que podem ser unidas ou operadas independentemente umas das outras. Além disso, a nova versão é a primeira revelação de uma banda reduzida. Eles passaram de um quinteto para um quarteto depois que o baixista Walter Gervers saiu da Foals. A saída de Gervers fez a banda reorganizar as tarefas do baixo e repensar as coisas no geral. O álbum mostra uma outra faceta da Foals, afastando-se dos riffs gigantescos de “What Went Down” (2015) para um groove mais eletrônico e pesado. Capturado tanto nas letras quanto no som é a frustração que os membros sentem por não conseguirem mudar as coisas negativas do nosso mundo. Depois que Foals terminou sua última turnê, eles fizeram uma pausa para criar esse novo álbum. A recém formação, com Yannis Philippakis, Jack Bevan, Jimmy Smith e Edwin Congreave, entraria novamente no estúdio em 2016.

Durante as gravações, Philippakis e Congreave compartilham a tarefa de cuidar do baixo. O tempo longe do estúdio levou a uma proliferação do novo material. A ideia de um lançamento de dois álbuns ganhou popularidade, pois permitiu maior flexibilidade no número de músicas que eles queriam lançar. “Everything Not Saved Will Be Lost – Part 1” começa com uma seção atmosférica intitulada “Moonlight”, uma peça que remete imediatamente ao seu segundo disco, “Total Life Forever” (2010), e músicas como “Prelude” e “Inhaler” do “Holy Fire” (2013). Essa música é facilmente identificável, graças às guitarras cintilantes e aos vocais lioneses do Yannis Philippakis. Uma canção ensolarada e sonhadora que proporciona um ótimo contraste com o início de “Exits”. Uma batida funk faz todo o trabalho por aqui. Liricamente, essa música pergunta como podemos corrigir um mundo errado e encontrar uma saída para a situação atual, ou se realmente existe uma saída. Um teclado distintivo permite o desenvolvimento de um instrumental cintilante e mid-tempo, conforme eles lamentam a situação desse mundo brutal e injusto. Há uma ferocidade incessante evidenciada em “White Onions”, que está mais de acordo com o sentimento de “What Went Down” (2015). O tema novamente é sobre escapar e como sobreviver. Este tópico se desenrola sobre uma energia reconfortante e mostra Yannis em sua melhor postura vocal.

Não há rendição, muito pelo contrário, há um senso de urgência e confronto, principalmente quando ele ruge: “Eu vejo um mentiroso / Eu luto pelo ar”. A partir da intensidade ameaçadora de “White Onions”, o álbum segue para “In Degrees”, uma faixa de rompimento carregada com sintetizadores pungentes que se misturam com uma batida dance. Essa faixa identifica que, na maioria das vezes, as pessoas se afastam gradualmente umas das outras, em vez de se separarem em um grande evento cataclísmico. “Syrups” mistura um tambor de trip-hop com um baixo pulsante. Esse baixo é quase tão doce como o título da música, e consequentemente captura o ouvinte. No geral, há um sentimento psicodélico que acompanha as letras e descrevem um pesadelo distópico em que a Terra sacode a humanidade como pulgas. “On the Luna” é outra música que visa as cercas e é Foals por excelência. Ela desenha imagens da humanidade dançando no limite, como uma criança despreocupada que nunca sabe quão perigoso o ambiente é. “Cafe d’Athens” vai emocionar os fãs de longa data, uma vez que remonta ao “Antidotes” (2008), enquanto há uma ótima percussão e falsetes de Yannis. Há um sentimento desencarnado e  sinuoso que permanece em sua mente. “Surf Pt.1” é muito parecido com “Moonlight”, mas configura o ouvinte para as duas últimas faixas com seus sons fantasmagóricos.

A quase balada “Sunday” canaliza uma vibe contemporânea de R&B. A música apresenta um grande drama e uma forte intensidade, à medida que se desenrola por completo. Yannis identifica a insensibilidade que todos exibimos quando confrontados os problemas crônicos sem solução. Ele adverte que as coisas não vão acabar bem para a humanidade se não exigirmos mudanças. A última faixa, “I’m Done with the World (& It’s Done with Me)”, é de fato uma saída para o grupo. No passado, Foals quase sempre respondeu à adversidade com um estrondo. Mas essa música possui apenas um simples piano e é inteiramente conturbada e solene. Anteriormente, Foals se distanciou dos seus concorrentes não exatamente por causa do que estavam dizendo. Eles era mais impressionantes porque deixavam tudo explodir. Em contrapartida, no “Everything Not Saved Will Be Lost – Part 1” eles diminuem a combatividade e também a impetuosidade. Falta aquelas nuances e os momentos de clareza, o que torna tudo menos atraente. É um disco que coloca mais ênfase no que eles estão dizendo, mas se esquece de incluir as razões sonoras que os fãs tanto amam. Em 43 minutos, eles tocam em muitos medos e preocupações, mas oferecem a esperança de que o futuro pode mudar se tivermos força da vontade. “Everything Not Saved Will Be Lost – Part 1” não ressoou tão bem como o esperado, portanto, muitos já estão ansiosos para a Parte 2 (que é aguardada para o outono britânico).

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São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.