Review: FKA twigs – Cellophane

Antes de iniciar sua carreira musical, FKA twigs atuava como dançarina em vídeos de outros artistas. Como cantora, ela foi apresentada ao mundo pela primeira vez com seu aclamado álbum de estreia, que mostrou um som e visual únicos. Com o tempo, tornou-se evidente que você nunca saberia o que esperar dela e isso se tornou um diferencial. Para a maioria, twigs é conhecida por “Two Weeks” e “Pendulum”, faixas caracterizadas por distorções, vocais atmosféricos e ousadas produções eletrônicas. “Cellophane”, sua primeira música em três anos, lança uma luz sobre um escrutínio sufocante. É bem mais simples que o som eletrônico denso que povoava o “LP1” (2014). Com um piano sobressalente e ocasionais burlas sintéticas, “Cellophane” se aproxima de “Water Me”, outro devaneio sobre um amor atrofiado. Mas “Cellophane” não é exatamente o que você esperaria dela, embora seja artístico e estranho como de costume. A música nos leva por uma jornada de desgosto e auto-descoberta através de uma história muito sincera e crua. Durante o verso de abertura, FKA twigs questiona por que ela não foi suficiente para seu namorado: “Eu não fiz isso por você? / Por que eu não faço isso por você? / Por que você não faz isso por mim quando tudo o que faço é para você?”. Posteriormente, ela canta delicadamente: “Eles querem nos ver, querem nos ver sozinhos / Eles querem nos ver, querem nos ver separados”.

Na base da música, há muita emoção. Emoção que é transmitida através dos belos vocais e elementos artísticos do videoclipe. Sua voz racha e quebra como se estivesse carregando mais peso do que pode suportar. É uma twigs mais lenta, serena e dolorosa. Em uma articulação repleta de vulnerabilidade, mas apaixonadamente executada, ouvimos sua voz em sua forma mais autêntica. Com um lirismo introspectivo, luxuoso e uma coreografia requintada, ela marca seu retorno através de uma declaração inspiradora e emocional. O primeiro verso é realizado quase acapela, uma vez que temos apenas o piano fazendo o backup dos vocais. Esse mesmo piano ressoa durante a passagem da música, enquanto é alimentado por efeitos que parecem eliminar metade de suas qualidades tonais. A instrumentação se desgasta e, consequentemente, o mesmo acontece com sua voz. Ela está no controle, atingindo as notas agudas no topo do seu soprano. Seus vocais assumem o centro do palco, porque a produção minimalista é usada apenas como um veículo para sua performance. Nas letras, ela parece estar falando sobre um amor não correspondido, ao passo que os vocais emotivos dão mais significado e profundidade às palavras. Como se a música em si não fosse suficientemente poderosa, twigs lançou um vídeo absolutamente deslumbrante. Ela praticou pole dance durante meses para que isso acontecesse, e o resultado é impressionante.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.