Review: First Aid Kit – Ruins

Lançamento: 19/01/2018
Gênero: Folk, Indie Folk
Gravadora: Rabid Records / Wichita Recordings / Columbia Records
Produtor: Mike Mogis.

Já fazem quatro anos desde que “Stay Gold” (2014) foi lançado e colocou as irmãs suecas Johanna Söderberg e Klara Söderberg aos olhos do grande público. Enquanto os fãs esperavam ansiosamente por um novo disco da dupla, as irmãs levaram um certo tempo para criar algo novo. Elas só conseguiram escrever o novo álbum depois de uma turnê quase interminável. Por ter sido criado após a dissolução do noivado de Klara, “Ruins” aparenta ser um álbum mais maduro. Pode não ser um registro tão escuro por causa das lindas harmonias e guitarra de pedal-steel, porém, há um maior peso emocional sobre ele. Longe de ser um álbum cheio de remorso, é mais um disco comovente que aborda sentimentos que vêm do coração. Para quem não sabe, as suecas do First Aid Kid alcançaram a fama através do YouTube e, desde então, já lançaram quatro álbuns e dois EPs. No decorrer dos anos, conseguiram uma indicação ao BRIT Awards e fizeram uma grande performance no Festival de Glastonbury. Inspirada por lendas do country, como Johnny Cash e Emmylou Harris, First Aid Kid escrevem histórias de amor, perda e arrependimento, à medida que criam belas harmonias entrelaçadas. Mesmo depois do sucesso mundial, a dupla permaneceu fiel às suas raízes.

Elas cresceram nos arredores de Estocolmo, Suécia, mas sua música sempre foi influenciada pelo folk e country americano. Como podemos perceber, “Ruins” foi uma catarse para Klara Söderberg que terminou o seu noivado antes de mudar-se com a irmã para Los Angeles. Por causa disto, este pode ser visto como o álbum mais pessoal do First Aid Kit até hoje. Certamente, as inconfundíveis harmonias das irmãs aparecem por todo o álbum. Mais uma vez, elas combinaram elementos de folk e country a fim de criar algo verdadeiramente cativante. Sonicamente, “Ruins” é bem parecido com “Stay Gold” (2014), embora possua uma maior tendência acústica com toques de guitarra e sintetizador. A primeira faixa, “Rebel Heart”, possui pedal-steel, trompete, elementos de mariachi, melodias sinistras e define o tom para o que vem a seguir. “It’s a Shame” é mais otimista e fornece um som folk distinto que nos remete ao seu disco anterior. É um número irresistível, cativante e cheio de nostalgia em suas letras. Sonoramente, é conduzida por violões, ritmo galopante, assobios e ruídos acústicos. “Não há sentido em desperdiçar tristeza / Em coisas que não estarão aqui amanhã”, elas cantam positivamente.

“Fireworks”, por sua vez, é uma balada melancólica de construção lenta sobre um amor perdido. Por que eu faço isso comigo mesmo? / Toda vez / Eu sei como isso acaba / Antes mesmo de começar / Eu sou a única / Na linha de chegada”, elas cantam no refrão. Aqui, o piano e a guitarra trabalham em conjunto, à medida que ouvimos harmonias angelicais e belas melodias. Na sexta faixa, “My Wild Sweet Love”, os vocais de Johanna e Klara colidem com o violão e são reerguidos pela suave produção. Destaque para o final, onde sons orquestrais e um grande coral dominam a música. Liricamente, elas exploram a dor e alegria que vem através do amor: “O que vem depois disso / Uma felicidade momentânea / Oh, eu preciso de você mais do que nunca agora / E aqui estamos de alguma forma”. Apesar de não ser tão imediato quanto “The Lion’s Roar” (2012) ou “Stay Gold” (2014), este registro continua nos apresentando os horizontes das irmãs Söderberg. Elas possuem o grande talento de compartilhar letras honestas ao lado de melodias alegres que elevam suas palavras. “Ruins” é um álbum pungente e requintado com temas que qualquer um pode se relacionar. First Aid Kit não forneceu qualquer mudança drástica no seu som, mas algumas variações abriram possíveis novos caminhos para o futuro.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.