Review: Fall Out Boy – M A N I A

Lançamento: 19/01/2018
Gênero: Pop, Pop Rock, Electropop
Gravadora: Island Records / DCD2 Records
Produtores: Jesse Shatkin, Illangelo, Jonny Coffer, Butch Walker e Dave Sardy.

Desde a sua estreia na cena pop-punk no início dos anos 2000, o Fall Out Boy vêm mostrando sua versatilidade para o público. Porém, ao explorar novos estilos em seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “M A N I A”, eles falharam. O grupo resolveu abandonar o estilo que o tornou popular, em favor da música eletrônica e dance. “M A N I A” foi originalmente previsto para ser lançado em setembro de 2017, porém, por motivos desconhecidos ele foi adiado para janeiro de 2018. Consequentemente, a banda teve alguns meses para reescrever e regravar a maior parte do álbum. Por algum motivo, parece ser uma tendência recente as bandas de pop-rock mudar drasticamente de som. No entanto, em vez de focar na experimentação ou inovação, eles estão explorando tendências ineficazes. A mudança do Fall Out Boy, em particular, parece ainda mais forçada. Em seu álbum anterior, “American Beauty/American Psycho” (2015), a banda ficou presa num formato pop-punk testado e comprovado. Embora não seja um excelente disco, ele ainda dependia fortemente do poder das guitarras.

Em contrapartida, “M A N I A” interage com uma variedade de gêneros e faz grande uso de batidas eletrônicas com pouca variação. Tudo neste álbum seguem uma mesma estrutura, portanto, o seu maior problema encontra-se justamente na produção. É um álbum caótico, chato e decepcionante. As batidas eletrônicas são muito exageradas e destroem completamente a estrutura das músicas. Claro, há algumas faixas decentes em seu interior, mas o resultado final é uma confusão atordoante. Resumidamente, este álbum trabalha com uma variedade de faixas electropop e faz um excessivo uso de batidas sintéticas. A maior parte do catálogo do Fall Out Boy é definido pelo uso de metáforas, imagens e emoções. “The Last of the Real Ones”, por exemplo, é uma canção acelerada que usa imagens para descrever a intensidade da paixão de Patrick Stump. “Você é o sol e eu sou apenas os planetas / Girando em torno de você”, ele canta aqui. As imagens evocativas das letras ajudam a enfatizar a devoção de Stump por sua amada. A batida rítmica do piano, bateria e guitarras ajudam a torná-la, possivelmente, na melhor faixa do repertório.

A terceira faixa, “HOLD ME TIGHT OR DON’T”, possui uma leve vibração tribal e caribenha, e, consequentemente, começa a mostrar a variedade de estilos que a banda tem para oferecer. Uma nova experimentação é apresentada em “Wilson (Expensive Mistakes)”, conforme o quarteto afasta-se de sua típica fórmula pop-punk. Mais tarde, o grupo evoca imagens espirituais durante as faixas “Church” e “Heaven’s Gate”. A primeira possui sons de órgão, sinos e coral de igreja, enquanto a última permite que Strump mostre mais dos seus vocais. A decisão do grupo em incorporar instrumentos religiosos, prova que eles estão completamente dispostos a adotar novas abordagens sonoras. A principal linha de “Heaven’s Gate”, por exemplo, ilustra como o narrador precisa de seu interesse amoroso para ajudá-lo a finalmente “entrar no céu”: “Dê-me um impulso sobre o portão do céu”. O segundo single, “Champion”, é alimentado por letras surpreendentemente ruins e clichês. É a única faixa que foi mantida a partir da primeira versão do álbum, por isso parece uma sequela do “American Beauty/American Psycho” (2015).

“Sunshine Riptide”, com o artista nigeriano Burna Boy, é outro exemplo do Fall Out Boy aventurando-se por outros gêneros musicais. A mistura de pop, reggae e dancehall é uma completa ruptura das outras faixas do álbum. Possui o pior refrão do registro e teria sido uma canção completamente esquecível, se não fosse pelo verso de Burna Boy. Assim que foi lançada como primeiro single, “Young and Menace” chocou boa parte dos fãs por causa do acúmulo de dubstep e forte influência EDM. A poderosa voz de Patrick Stump é a principal força motriz do Fall Out Boy. Porém, em “Young and Menace”, até o seu canto foi manipulado digitalmente. O disco fecha com uma balada pop chamada “Bishops Knife Trick”, que sofre do mesmo problema que assombra boa parte do repertório. Comparado com os álbuns anteriores do Fall Out Boy, “M A N I A” soa apressado, bagunçado e sem foco. A banda seguiu por tantas direções sonoras que se perdeu no meio da confusão. Contém algumas boas faixas, mas no geral é um álbum que não possui coesão alguma. Da próxima vez, será melhor o Fall Out Boy ficar na zona de conforto e tentar agradar os fãs que tanto esperam por um novo “Infinity on High” (2007).

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.