Review: En Vogue – Electric Café (2018)

Lançamento: 06/04/2018
Gênero: R&B
Gravadora: En Vogue / eOne
Produtores: Terry Ellis, Cindy Herron, Foster & McElroy, Diallobe Johnson, Dem Jointz, Modern Future, Kid Monroe, Raphael Saadiq, Taura Stinson e Curtis “Sauce” Wilson.

Depois de 14 anos sem lançar nada, o En Vogue retornou em 2018 com um novo disco. “Electric Café” carece de coesão, mas é bom ver o grupo fazendo música novamente.

En Vogue foi um dos primeiros grupos de R&B que surgiu na década de 90 com um som divertido. Composto por Terry Ellis, Cindy Herron, Maxine Jones e Dawn Robinson, o grupo conquistou as paradas musicais com suas harmonias bem elaboradas e sofisticados videoclipes. Depois de chegar ao sucesso, Dawn Robinson deixou o grupo em meio a diferenças criativas e desacordos financeiros, e o trio restante lançou mais dois álbuns juntos. Mais tarde, Maxine Jones também desistiu do En Vogue, antes mesmo do grupo gravar seu álbum de Natal. Ela foi temporariamente substituída por Amanda Cole, antes de Rhona Bennett assumir o posto em 2004. Depois de um longo hiato de 14 anos sem gravações, o trio ressurgiu com seus vocais amanteigados no álbum “Electric Café”, provando que elas não perderam completamente a sua chama. Trabalhando com um grupo de produtores, que inclui Raphael Saadiq (Whitney Houston, John Legend), Ne-Yo (Beyoncé, Rihanna), Dem Jointz (Cristina Aguilera, Rihanna) e Curtis “Sauce” Wilson (Drake), En Vogue oferece uma coleção de faixas que cimenta seu retorno e abre caminho para um novo futuro.

Vocalmente qualificadas, o En Vogue obteve uma grande vantagem competitiva na década de 90. Naquela época, elas conseguiram colocar seis singles no top 10 da Billboard Hot 100, incluindo os hits “Hold On”, “My Lovin’ (You’re Never Gonna Get It)”, “Whatta Man” e “Don’t Let Go (Love)”. Se as décadas fossem definidas por grupos femininos, cada uma tinha um sabor distinto. The Supremes reinou durante os anos 60, The Emotions surgiu na década de 70 e as Pointer Sisters obteve destaque nos anos 80. Enquanto muitos entram em discussão quanto o impacto do TLC e Destiny’s Child na década de 90, não podemos nos esquecer que o En Vogue foi o primeiro grupo a surgir naquela época. Infelizmente, assim como com muitos outros grupos, conflitos internos e externos, bem como ações judiciais e mudanças de gravadora, atrapalharam o progresso do En Vogue. Desde o seu último álbum, “Soul Flower” (2004), o grupo passou por um período um pouco tumultuado. No entanto, a atual formação está em turnê e atualmente promovendo este novo lançamento. Cada vocalista oferece um sabor diferenciado, enquanto a maior parte da produção ficou a cargo do seu antigo produtor, o duo Foster & McElroy.

“Blue Skies” abre o álbum com uma forte batida, piano e nítidos vocais que dançam ao lado de elementos eletrônicos. Vocalmente, o grupo mantém sua força característica, pois é uma balada de R&B tranquila com harmonias aveludadas. Embora seja uma peça moderna, ainda lembra o estilo clássico do grupo. “Eu empurrei os ventos / Fiquei na chuva / Eu resisti às tempestades / Agora nada além de céus azuis ao meu redor”, elas cantam. Parece uma introdução apropriada, dada a história recente do trio. “Déjà Vu” nos lembra como o R&B deve soar, com vozes orgânicas, harmonias adocicadas, riffs de piano e sem o uso excessivo de vibrato. É uma música retrô com arranjos vocais imensamente sedutores. O primeiro single, intitulado “Rocket”, foi escrito por Ne-Yo e as leva para uma direção bem mais contemporânea. Acompanhado por um videoclipe divertido, “Rocket” serve para atualizar o som do En Vogue, dado o apelo sexual e repetições líricas inteligentes. Em seguida, “Reach 4 Me” utiliza toques jazzísticos, deliciosas linhas de baixo e um ritmo funky distorcido em seu favor. Enquanto isso, “Electric Café” possui um toque moderno e respira algo mais experimental.

Assim como a faixa anterior, também possui uma linha de baixo funky e som diversificado. A sexta faixa, “Life”, vê o trio oferecendo harmonias encantadoras enquanto pisam num território eletrônico e dançante. Mas, embora seja uma faixa cativante, os sintetizadores, auto-tune e super-produção prejudicaram os vocais. Da mesma forma, “Love the Way” as leva para a pista de dança sobre uma atmosfera pesada de sintetizador. O seu ritmo constante celebra o amor e nos remete aos início dos anos 2000. Ela se torna mais tolerável quando o refrão entra em ação, graças ao aceno nostálgico causado por ele. “Oceans Deep”, por sua vez, contém um sulco sensual e parece bastante familiar. Aqui, elas trabalham novamente com uma agradável linha de baixo funky. Esta canção nos leva para a batida atrevida de “Have a Seat”, uma colaboração com o rapper Snoop Dogg. Dessa vez, a sincopação e os backing vocals lembram o soul dos anos 60, ao passo que as letras são muito divertidas. Alternando entre o moderno e o vintage, esta faixa encapsula a atual posição do En Vogue. Ademais, preenche a lacuna entre o passado bem-sucedido e o presente resiliente do grupo.

Tingida de funk, “I’m Good” faz uma declaração de auto-amor e celebra a própria existência. “Eu estou bem / Sentindo-me bem e flertando com o meu reflexo”, elas cantam. Produzida por Raphael Saadiq, o grupo flerta consigo mesmo e abraça suas imperfeições sobre uma batida empolgante. Em “So Serious”, as três dão um recado para os homens sobre como as mulheres são importantes em suas vidas. Em outras palavras, elas zombam do ego masculino numa canção contagiante repleta de poder feminino. Se você escutar este álbum sem qualquer expectativa, ouvirá um esforço bastante sólido. En Vogue ainda possui estilo, classe e substância, ao passo que o “Electric Café” é uma boa adição para seu catálogo. Em algumas ocasiões, o álbum perde a sensação de coesão necessária, mas é bom ver o grupo comprometido em fazer música depois de tanto tempo. Embora seja um disco com algumas faixas de enchimento e uma busca por identidade própria, o trio não perdeu o brilho que o tornou tão especial no passado. Foi um longo caminho durante esses 14 anos, mas En Vogue ainda vive!

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Favorite Tracks:

“Blue Skies” / “Rocket” / “Have a Seat (feat. Snoop Dogg)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.