Review: Drake – Scorpion (2018)

O quinto álbum de estúdio do Drake, intitulado “Scorpion”, é ambicioso, envolvente e muito bem produzido. Entretanto, a longa duração, que percorre mais de 90 minutos no decorrer de 25 faixas, é a sua maior falha.

Em janeiro, Drake lançou “Scary Hours”, um inesperado EP com duas músicas que incluía o smash-hit “God’s Plan”. Em abril, ele divulgou “Nice for What” com vocais de Big Freedia e amostras de “Ex-Factor” da Lauryn Hill. Ambas deram pequenos ajustes à fórmula que provou funcionar na última década, o que para os fãs do Drake era um vislumbre de esperança. Essa era a narrativa que ele parecia estar elaborando para si mesmo, quando lançou seu quinto álbum de estúdio. No “Scorpion”, Drake tenta flexionar sua grandeza com uma abordagem mais vulnerável e elevada. Embora não seja tão indulgente em sua natureza como o “More Life” (2017), ele encontrou uma maneira de criar singles de sucesso como “God’s Plan” e “Nice for What”. O “Scorpion”, que atingiu os serviços de streaming em 29 de junho de 2018, apresenta um dos momentos mais caóticos da carreira do rapper. Nos primeiros seis meses de 2018, Drake lidou com detalhes de seu relacionamento com a Rihanna indo a público e uma tetra com o rapper Pusha-T – que posteriormente vazou antigas fotos suas em blackface. Em meio a esses acontecimentos, veio a notícia de que Drake tinha supostamente um filho, uma história que ele estava tentando esconder. Drizzy foi basicamente encurralado a falar abertamente sobre seu filho oculto, e as outras alegações de sua falta de paternidade. Com a maioria da produção sendo liderada por seu colaborador de longa data, Noah “40” Shebib, o álbum promove samples de nomes como Mariah Carey, Aaliyah e Michael Jackson.

Mas, enquanto sonoramente bem sucedido, o que há de mais interessante no álbum é a honestidade. Mesmo que Drake ofereça um quinhão de letras superficiais, nunca há um momento em que o ouvinte possa se sentir negligenciado por seus pensamentos e emoções. O tempo de execução de 90 minutos é com certeza a maior falha. Muitas músicas parecem esquecíveis, e o trabalho em si pode parecer saturado e repetitivo. Embora seja cativante, “Scorpion” não é o seu álbum mais proeminente. Mas isso não destrói a diversão que podemos encontrar, considerando que o Drake sabe criar hits. “Scorpion” tem algo para os fãs de “Marvin’s Room”, “Started from the Bottom” e até mesmo faixas customizadas para os amantes de “Passionfruit”. Drake se tornou um dos nomes mais reconhecidos da moderna indústria do hip-hop. Ele basicamente transformou-se no garoto-propaganda do pop-rap e, consequentemente, foi um dos primeiros artistas a popularizar o estilo de cantar e fazer rap ao mesmo tempo. Ele nos deu muitos hinos ao longo dos últimos anos. No entanto, ultimamente está comprometendo-se apenas com o sucesso comercial. Isso é algo ruim? Bem, depende da forma como você olha para isso. Eu gosto quando o Drake se orgulha das suas realizações ou quando nos lembra do seu status no rap. Porém, suas composições nem sempre estão carregadas por vulnerabilidade ou introspecção. É inegável que ele é um cara talentoso e possui uma excelente equipe de produtores ao seu lado.

Ele é um hitmaker que provou sua excelência no pop-rap. Entretanto, em um lote de vinte e cinco faixas, o “Scorpion” nem sempre consegue empurrar sua narrativa para uma direção positiva. Seria um álbum bastante digno de nota se não tivesse uma tracklist tão gigante. Em certo momento, o repertório começa a se tornar um fardo. Quinze faixas seriam mais do que suficiente para fazer do “Scorpion” um disco musicalmente bem sucedido. Honestamente, é um LP que não tem motivos para ser tão longo. Eu posso apreciar o que o Drake tentou fazer com o “Scorpion”, ao dividi-lo em duas personas predominantes. A primeira metade é composta pelo hip-hop e rap, enquanto a segunda parte incorpora suas sensibilidades de R&B e pop. Quem conhece o Drake sabe que ele brincou magistralmente entre esses dois personagens: um rapper que derruba outros rappers com o peito estufado e um garoto com o coração partido que chora melodicamente por causa de romances fracassados. Graças aos serviços de streaming, Drizzy conseguiu fazer todos seus singles ter uma rápida aceitação. Com base em seus álbuns e mixtapes, ele construiu uma reputação no hip-hop, embora também faça escolhas melódicas e misture isso com seu lado emocional. Como já mencionado, o “Scorpion” está espalhado em dois discos e se estende por quase 90 minutos de duração. Discos duplos são quase sempre audaciosos, independentemente de serem ou não bem comercializados e criticamente aclamados.

Quando alguém produz um álbum duplo surpreende pela arte e prova que sua arrogância na criação foi justificada. Porém, quando fracassam na tentativa, o ego que o alimentou cai por terra. Mas o “Scorpion” se recusa a se encaixar em qualquer uma dessas duas opções. Ele já é um sucesso comercial, porém, não deixa o ouvinte tão entusiasmado a ponto de querer ouvi-lo por completo todas as vezes. Desde que o Drizzy lançou a excelente mixtape “If You’re Reading This It’s Too Late” (2015), ele parece ter se inspirado cada vez menos. Sua mixtape com o Future, intitulada “What a Time to Be Alive” (2015), e seus dois últimos projetos, “Views” (2016) e “More Life” (2017), eram muito inchados para serem consideradas uma declaração significativa. Atualmente, ele parece mais focado em sua marca do que no talento artístico, e está mais contente em fazer movimentos de dança do que criar uma obra de arte. “Scorpion” é essencialmente um álbum duplo que dividiu os dois lados do Drake: o rapper e o cantor romântico. Enquanto “More Life” (2017) era cheio de batidas luxuosas, o “Scorpion” economiza seu luxo em slow-jams no segundo disco. O Lado A é formado por doze faixas e contém um rap puro com batidas de trap destinadas a amplificar a arrogância do Aubrey Graham. Produtores como No I.D., Boi-1da e Noah “40” Shebib fornecem chimbais gaguejantes, linhas de baixo, sintetizadores e teclados como acompanhamento para os versos de rap. “Survival” o vê sendo atacado de todos os lados por rappers menos bem sucedidos.

Ele parece sugerir pensamentos suicidas durante essa corrida: “Acho que minha alma foi marcada, há um buraco no meu coração”. Mais a maior parte da canção é energizada, focada e pronta para derrotar qualquer hater pelo caminho. Drake encontra um bom equilíbrio graças ao lirismo inteligente. Assim que esse álbum foi divulgado, uma das músicas que mais despertaram atenção foi “Nonstop”. Produzida por Tay Keith com co-produção manipulada por No I.D. e Noel Cadastre, é uma música trap com sample de “My Head Is Spinning” (DJ Squeeky e Mack Daddy Ju). Não é uma canção inovadora, visto que soa estranhamente parecida com “Bounce Back” (Big Sean) e “Look Alive” (BlocBoy JB). Desde a batida instrumental à entrega vocal, tudo soa semelhante as duas citadas. Mas ao invés da resiliência do Big Sean, Drake segue por uma direção mais escura e um fluxo mal-humorado. Aqui, o rapper canadense está arrogante, confiante e sobrecarregado nos seus próprios termos. Dado a pesada batida, “Nonstop” é algo que você esperaria de algum rapper sulista. Os murmúrios, quase sussurrantes, fazem maravilhas nos nossos ouvidos. Embora seja breve, eu aplaudo sua experimentação. É um banger que pode funcionar, embora seja demasiadamente parecido com “Bounce Back” e “Look Alive”. Mas isso não é tão surpreendente, uma vez que Tay Keith também produziu “Look Alive”. Mas dessa vez, Drake colocou menos pensamentos nas melodias.

O gancho principal é um pouco incomum e quase imperceptível, enquanto o sample de “My Head Is Spinning” é usado de forma distorcida. Os tambores fornecidos por Tay Keith é o ponto alto de “Nonstop”. Ela é centrada em torno de um ritmo baixo e profundo, e apoiada por chimbais bastante convencionais. “Elevate” é o Drake por excelência; indo e vindo de farras para algo introspectivo e melancólico. É a primeira faixa com alguma substância lírica real. Muito parecida com “Survival”, ela fala sobre o quão forte ele realmente é. A diferença entre as duas faixas é que o ritmo de “Elevate” torna-se mais acelerado. Suas rimas refletem sobre suas realizações, conforme ele canta no refrão: “Eu estou na cama acordado, pensando em como eu fiz / Tudo isso acontece para mim e minha família”. A instrumentação e o escopo atmosférico o mantém em movimento. Mesmo com as batidas de trap cansativas e os chimbais excessivamente utilizadas, o resto da instrumentação flutua sem grandes esforços. Drake alterna entre o rap percussivo e a melodia cantada, enquanto analisa a vida luxuosa que construiu. A grande revelação que todo mundo estava esperando surge em “Emotionless”. Aqui, ele finalmente admite que é pai: “Eu não estava escondendo o meu do mundo / Eu estava escondendo o mundo do meu filho”. Essa é uma das canções que vai fazer a mídia delirar. Drizzy questionou a veracidade do passado do Pusha-T como traficante de drogas, fazendo o rapper de Nova York expor sua família alegando que ele é um pai ausente.

Em “The Story of Adidon”, T falou que o Drizzy tem um filho com uma ex-atriz pornô. Tudo isso nos leva para “Emotionless”, onde Drake fala sobre os rumores de ter um filho. Embora não sabemos se ele está sendo sincero, ele traça uma linha entre sua vida pública e privada ao confessar a existência de seu filho. Além disso, Drake fala sobre sua percepção da fama e aborda os problemas que as redes sociais podem causar. “Emotionless” é realmente um destaque, uma vez que tudo funciona a seu favor. Por várias razões, acabou sendo uma das melhores faixas do registro. Uma peça brilhante construída em torno de uma amostra de “Emotion” da Mariah Carey. É incrível a forma como a amostra foi utilizada junto com a batida. Graças ao sample, “Emotionless” possui uma vibração soul e um piano que injeta uma sensação gospel. Embora “God’s Plan” tenha a mesma veia de “Hotline Bling”, é um lembrete necessário de que Drake ainda pode criar um rap comercial. Ele tornou-se muito mais popular cantando hits como a citada “Hotline Bling”, “One Dance” e “Passionfruit”, entretanto, não deixou de ser um rapper por causa disso. “God’s Plan” é um hino essencialmente cativante e poderoso. Ela começa com um sintetizador enigmático e liricamente fala sobre tentar ganhar a vida e ignorar os haters que aparecem no caminho. A programação de tambor que aparece na segunda metade do primeiro verso auxilia o canto em oposição ao fluxo.

O refrão acaba sendo um pouco mais pop orientado do que o restante da música. Em “I’m Upset”, Drake apenas aborda algumas preocupações de sua vida. Ele está chateado com negócios baratos e as mulheres que estão interessadas no seu dinheiro. É uma música de hip -hop com tendências trap, chimbais em expansão, um baixo profundo e suaves riffs de piano. Entretanto, não possui o mesmo hype e as batidas contagiantes de “God’s Plan” e “Nice for What”. Drake continua apresentando letras acessíveis, mas não é uma música empolgante ou memorável. Mesmo com o gancho respeitável, a música se mantém em loop repetidas vezes. A bateria é pesada e a produção intensa, mas não deixa de ser uma faixa bem chata. Além disso, algumas letras sobre as mulheres podem ser mal interpretadas. A sétima faixa, “8 Out of 10”, entra em contraste com o que estamos acostumados. Ela está repleta de letras como: “as únicas batidas mortas são as batidas pelas quais fui rapper”. Inesperadamente, é uma peça que me lembra o Kanye West. Depois do início acapela, o instrumental nos fornece vibrações que lembram os primeiros álbuns do West. A batida glamourosa é muito bem produzida, enquanto ele lida com a fama. O refrão é destinado a seus rivais, mas definitivamente serve como um retorno ao ataque verbal do Pusha-T. Estranhamente, ela termina com uma longa e terrível amostra de um vídeo postado pelo Plies.

Em seguida, “Mob Ties” o encontra optando por um fluxo mais repetitivo e jovial. Produzida por Boi-1da, sua melodia parece ter sido retirada de algum filme dramático. Ademais, faz uso de uma eficaz e edificante guitarra de fundo. Liricamente, Drake fala sobre os supostos laços da máfia da OVO Sound. Um trap genérico aparece por aqui, assim como na próxima faixa, “Can’t Take a Joke”. Essa última pode ser encarada como uma faixa filler – além do fluxo familiar, é completamente esquecível. Em contrapartida, “Sandra’s Rose” é um banger absoluto que pode se tornar melhor a cada nova escuta. Ela possui uma sensação nostálgica e ensolarada, além de uma estética lenta e suave. Um pano de fundo soulful e algumas rimas relaxadas formam a base principal. Drake exibe uma boa destreza lírica e parece bastante confiante sobre sua capacidade de desviar a negatividade que ele atrai. Ele e o Jay-Z sempre tiveram um relacionamento colaborativo frutífero. “Light Up” é uma das melhores faixas do “Thank Me Later” (2010), enquanto “Pound Cake / Paris Morton Music 2” é um dos destaques do excelente “Nothing Was the Same” (2013). Eles se reencontram novamente em “Talk Up”, uma peça mais ousada para o Drizzy cuspir suas rimas. Surpreendentemente, Jay-Z gravou seu verso apenas uma semana antes do lançamento do álbum. No entanto, a melhor coisa sobre essa música é definitivamente a excelente batida e o sintetizador do DJ Paul.

A forma como ele utilizou o sample de “Dopeman” do grupo N.W.A merece elogios. O verso do Drake é um pouco insosso, e apesar do Jay-Z mencionar a morte do XXXTENTACION, ele não deu o seu melhor. “Is There More” termina o Lado A do “Scorpion”, embora não seja nada realmente digno de nota. Drizzy pondera e questiona suas crenças, enquanto utiliza uma amostra peculiar de “More Than a Woman” da Aaliyah. Um fluxo consciente marca o fim do rap no “Scorpion”, antes que a outra metade orientada para o R&B comece. Pessoalmente, eu achei um final decepcionante. “Peak” marca uma grande mudança de ritmo para sinalizar o começo do Lado B. É um número definitivamente mais introspectivo e emocional do que as doze primeiras faixas. No que diz respeito à produção, ela possui a assinatura do Noah “40” Shebib. O sintetizador é um pouco indutor, mas as vibrações gerais conseguem ser hipnóticas. Sua maior falha é o excesso de auto-tune na voz do Drake. Musicalmente, é um número lento e escuro, embora o refrão deixe muito a desejar. Depois de fazer referências à princesa Diana e algumas observações sobre as redes sociais, Drake passa o microfone para Stefflon Don falar sobre um novo namorado. “Summer Games” é sobre se sentir desolado após um relacionamento complicado, uma familiaridade temática que lembra “Marvin’s Room”. Um pulsante sintetizador inicia as coisas, ecoa pelos auto-falantes e não para até o final da música.

Os tambores e o teclado saltitante gradualmente aumentam o ritmo, conforme o Drake a transforma numa balada de coração partido. “Jaded” soa como o antigo Drake, aquele de 2010, mas muito mais maduro. “Nós poderíamos ter esperado / Eu não estava correndo / Diferenças nas idades / Você tem idade suficiente, mas ainda é um bebê”, ele canta. Os relacionamentos continuam alimentando sua tristeza, conforme o público especula que seja sobre Jorja Smith – que é 10 anos mais jovem do que o rapper. Basicamente, Drake fala sobre o desmoronamento de seus relacionamentos e culpa a outra pessoa. Sua voz desliza sobre a bateria, enquanto é complementada pelos sutis vocais de Ty Dolla $ign em segundo plano. Um bumbo contundente, chimbais eletrônicos e sintetizadores estabelecem a instrumentação. O hit “Nice for What” apresenta vocais adicionais de Big Freedia e 5thWard Webbie. Musicalmente, é uma animada faixa de hip-hop e bounce com fortes elementos de R&B dos anos 2000. Ademais, possui amostras de “Ex-Factor” da Lauryn Hill e é completamente direcionada às mulheres. É uma canção otimista, suave e exuberante com um refrão eficaz e ligeiramente extravagante. É o Drake no seu momento mais divertido e energético. Depois de abrir com a brilhante amostra de “Ex-Factor”, que permanece em loop ao fundo, Drake mergulha num fluxo rítmico. “Nice for What” é um número bastante old-school e revigorante, e o resultado final é impressionante.

Liricamente, Drake também mergulha no emponderamento feminino dando apoio às mulheres. Este tipo de conteúdo é certamente uma mudança de ritmo bem-vinda. A próxima faixa, “Finesse”, é uma peça vibrante que faz o Drake retornar ao R&B melancólico. Mais uma vez, as mulheres continuam dominando a mente do rapper, conforme ele fala sobre uma garota que fugiu com outro homem. A batida melodramática em torno de um acorde de piano se encaixaria perfeitamente no “Take Care” (2011). A sexta faixa, intitulada “Ratchet Happy Birthday”, não é exatamente o que eu esperava. Uma repetida amostra de piano atua como a espinha dorsal, ao passo que ele diz para alguém aproveitar o seu aniversário. Depois de um certo tempo, os tambores entram em ação e são seguidos pela imitação de uma metralhadora. É uma faixa monótona, inconsequente e inútil dado o tamanho do repertório. Vocalmente, Drizzy foi auxiliado pela participação sem créditos de PARTYNEXTDOOR. Não há muita substância para ser encontrada, visto que trata-se de uma faixa completamente inofensiva. As coisas ficam mais misteriosas na rítmica “That’s How You Feel”, que contém vocais adicionais de Nicki Minaj em um show ao vivo de 2014. Mais uma vez, ele reflete se poderia ter um relacionamento sustentável. É uma faixa que possui uma sensação clássica do Drake, embora seja bem esquecível. Liricamente, o Lado B do “Scorpion” precisa urgente de faixas mais inspiradas.

“Blue Tint” é uma das mais mais comerciais. Nessa música encontramos uma carga de energia, além de um ritmo constante e fortes batidas. Ela se destaca simplesmente por ser tão diferente das outras. Embora pareça liricamente fora do lugar, a batida e a melodia vocal são realmente boas. Em suma, “Blue Tint” é um pequeno banger otimista e divertido que ainda apresenta ad-libs do Future. “In My Feelings”, por sua vez, é um número incrivelmente cativante! Uma faixa bounce – um sub-gênero energético do hip-hop sulista criado no final dos anos 80 – similar a “Nice for What”. Segundo a mídia, as letras são direcionadas para Keshia Chanté, primeira namorada e amiga de infância do Drake. “In My Feelings” é repleta de amostras, visto que contém porções de “Lollipop” (Lil Wayne) e do episódio “Champagne Papi” da série “Atlanta”. Cada sample e elemento dessa música juntaram-se para criar um verdadeiro hit de verão. O sucesso foi tão instantâneo e imediato que “In My Feelings” inspirou um desafio de dança conhecido como “Shiggy Challenge”, “Kiki Challenge” e “In My Feelings Challenge”. O desafio é um pouco perigoso e polêmico, pois trata-se de andar fora de um carro em movimento e dançar no meio do trânsito. A batida de é simplesmente fantástica, assim como as letras são extremamente pegajosas. É um representativo da magia que pode acontecer nos estúdios, uma vez que as amostras foram usadas inteligentemente. Elas estão espalhadas por toda a música, como se o engenheiro tivesse várias ideias na cabeça.

A produção é formada principalmente por divertidas variações vocais e excelentes tambores que lideram o instrumental. Tudo cheira a sucesso, há uma ressonância que falta em boa parte do mainstream atual. A característica mais surpreendente do álbum foi a aparição do rei do pop, Michael Jackson, em “Don’t Matter to Me”. Uma canção mid-tempo de R&B impulsionada por um baixo sintetizado e uma natureza sonhadora. A distinta voz do saudoso rei do pop é ouvida durante o refrão. Drake não revelou detalhes sobre essa música, mas todos sabemos que Michael Jackson é conhecido por ter deixado uma série de faixas inacabadas quando morreu em 2009. “Don’t Matter to Me” flui sem problemas e realmente faz você sentir a influência do Michael Jackson. Dessa vez, Drizzy se preocupa com uma ex-namorada que caiu no vício. Com seu ritmo atmosférico, esta faixa seria a escolha óbvia para próximo single. Embora Michael Jackson receba uma enorme quantidade de efeitos em sua voz, os falsetes encaixaram-se perfeitamente. O sintetizador agridoce foi incorporado por produtores de longa data do Drake, como 40  e Nineteen85. “Don’t Matter to Me” pode não ser perfeita e a prova de falhas, mas é reconfortante ouvir novamente a emotiva voz do eterno rei do pop. Os créditos do álbum nos intrigam quando chegamos em “After Dark”, uma colaboração com o falecido Static Major e o onipresente Ty Dolla $ign. Surpreendentemente, essa combinação resultou em uma faixa consistente em suas interações.

Usando a bateria sobre uma guitarra oculta, os vocais de alta frequência ficaram muito bem colocados. O fluxo de “Final Fantasy” causa uma mudança inesperada depois do ritmo de R&B das faixas anteriores. Essa música voa ao lado de uma linha de baixo e algumas harpas de fundo. Entretanto, ao invés de entrar em um refrão, a coisa muda para algo completamente diferente. Drake sai do rap e começa a cantar sobre acordes de guitarra e batidas de bateria. Em “March 14”, o rapper realmente fala sobre seu filho e a realidade de ser pai. Essa é a primeira vez que ele comenta abertamente sobre o relacionamento com seu filho. Essa canção certamente será lembrada como uma das mais reveladoras do Drake. Ela começa com uma batida grave e termina com uma lenta nota de piano, enquanto o Drake canta sobre estar sozinho. Apesar do seu extenso comprimento, nada no “Scorpion” parece particularmente aventureiro. Seu último álbum de estúdio teve sua parcela de fraquezas, apesar de ser um sucesso absoluto. Mas o “Scorpion” é  melhor do que o “Take Care” (2011) ou “Nothing Was the Same” (2013)? Certamente não. Embora tenha qualidade, o seu quinto álbum de estúdio não tem paixão, visão ou autoconsciência. É um registro extremamente inchado. Em um disco tão longo como este, a variedade e dinâmica são fundamentais. Escutá-lo por completo é uma tarefa árdua. Enquanto ambos discos têm seus altos e baixos, o primeiro é comprovadamente melhor do que o segundo. A maior parte de suas canções de R&B carecem de algum brilho.

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Favorite Tracks:

“Nice for What” / “In My Feelings” / “Don’t Matter to Me (with Michael Jackson)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.