Review: David Byrne – American Utopia (2018)

Lançamento: 09/03/2018
Gênero: New wave, Post-punk, Art rock
Gravadora: Nonesuch Records
Produtores: David Byrne, Brian Eno e Rodaidh McDonald.

David Byrne tem uma das vozes mais idiossincráticas do rock e uma grande reputação, mas o seu novo álbum, “American Utopia”, não é bom o suficiente para te convencer a ouvir várias vezes.

David Byrne foi um dos fundadores e principal compositor, vocalista e guitarrista da banda Talking Heads. Desde que a banda chegou ao fim, Byrne lançou seu próprio material solo e trabalhou com várias outras coisas, como cinema, fotografia e ópera. Ademais, ele já ganhou prêmios importantes como Oscar, Grammy e Globo de Ouro, e foi introduzido no Hall da Fama do Rock & Roll. Segundo David Byrne, o seu novo álbum, “American Utopia”, refere-se ao “nossos anseios, frustrações, aspirações, medos e esperanças em relação ao que poderia ser possível”. No geral, o repertório é animado, curto e bem organizado. Assim como seu trabalho na banda Talking Heads, “American Utopia” é receptivo a várias outras influências musicais. E, como os melhores trabalhos do próprio Byrne, é decididamente peculiar e excêntrico. Sintetizadores agitam e percorrem as dez faixas, enquanto trabalham em conjunto com as batidas de tambores. Há algumas coisas para respeitar e apreciar neste álbum, como a constante busca de Byrne por algo novo. Além disso, a produção é meticulosa e presa aos detalhes. Entretanto, isto também é um obstáculo que o disco enfrenta. A relutância do David Byrne em encaixar as coisas, acaba tornando-se demasiadamente ambiciosa e causa um grande contraste com as mudanças de tom e ritmo. 

Além disso, a estranheza lírica do cantor dificulta a relação com o ouvinte. A experimentação mais parece uma confusão de ideias do que algo coerente. Para David Byrne, se reinventar e inovar é uma tarefa fácil, mas às vezes ele não consegue criar algo consistente a partir disso. Ainda assim, é um álbum empolgante com algumas divergências irresistivelmente estranhas e excêntricas. “American Utopia” começa com “I Dance Like This”, uma forte declaração de independência. O título é justaposto com o refrão robótico: “Nós dançamos assim / Porque parece tão bom”. Aqui, ouvimos letras maliciosas e ritmos contagiantes, conforme Byrne empurra as coisas na direção oposta. Enquanto os acordes ensolarados estabelecem um tom esperançoso, ele canta: “Eu estou trabalhando na minha dança / Isso é o melhor que posso fazer”. Sonoramente, “I Dance Like This” salta repentinamente de um tom brincalhão no piano para algo pesado, eletrônico e progressivo durante o refrão. Em seguida, “Gasoline and Dirty Sheets” mescla um tom comicamente desfocado com as letras incendiárias do título, ao passo que “Every Day Is a Miracle” abraça a estupidez observando que, “Deus é um galo muito velho / E os ovos são como Jesus, seu filho”Reflexões estranhamente aleatórias como essa, faz o ouvinte não levá-lo a sério.

Sonoramente, é uma faixa animada com tons tropicais que lembram a alegria excêntrica dos Talking Heads. Entretanto, o arranjo coral e a quebra tipicamente fora de ordem, provocam um resultado estranhamente ruim. “This Is That” combina batidas de baixo com um viés de guitarra que, inesperadamente, dá algum impulso ao álbum. Na sequência, “It’s Not Dark Up Here” explode com um refrão exclamativo que mostra o melhor da sua voz trêmula. Boa parte do álbum se abre para esse tipo de experimentação. O melhor atrativo de “Bullet” é justamente o refrão, enquanto “Doing the Right Thing” interrompe suas reflexões sobre a ação humana com guitarras e cordas mais frouxas. A penúltima faixa, “Everybody’s Coming to My House”, deve ter sido apreciada por aqueles que já estão familiarizados com o charme infantil do David Byrne. Uma canção que se concentra na excitação e ansiedade, à medida que é impulsionada pela animada percussão. É um dos poucos momentos de destaque do álbum. “American Utopia” não atinge o seu objetivo e falha na tentativa de proporcionar algo original e convincente. Uma energia irreprimível surge por toda parte, porém, a incoerência e falta de sutileza acabam com o encanto.

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Favorite Tracks:

“I Dance Like This” / “Gasoline and Dirty Sheets” / “Everybody’s Coming to My House”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.