Review: Dashboard Confessional – Crooked Shadows (2018)

Lançamento: 09/02/2018
Gênero: Pop rock, Folk, Electropop, Emo
Gravadora: Fueled by Ramen
Produtores: Chris Carrabba, Jonathan Clark e Colin Brittain.

O primeiro álbum da Dashboard Confessional em nove anos, intitulado “Crooked Shadows”, não possui resultados satisfatórios e é largamente monótono.

Dashboard Confessional é uma banda de rock da Flórida, Estados Unidos, liderada pelo cantor e compositor Chris Carrabba. O nome da banda é derivado da música “The Sharp Hint of New Tears” do seu álbum de estréia, “The Swiss Army Romance” (2000). No começo da década de 2000, Chris Carrabba ainda era líder da banda Further Seems Forever, mas manteve o foco exclusivamente na Dashboard Confessional. Para muitas pessoas, eles são praticamente um sinônimo de emo. Eles ganharam fama justamente como uma das principais bandas do gênero no começo da década passada. Com o passar dos anos, o grupo cresceu, amadureceu e mudou desde então. Provavelmente, muitos fãs ficaram surpresos quando ouviram o primeiro disco da Dashboard Confessional em nove anos. Foi surpreendente saber que Chris Carrabba resolveu ressuscitar a banda depois de um longo hiato. Entretanto, organizar um retorno quando você está ausente por tanto tempo, é sempre uma tarefa difícil e complicada. O último álbum do grupo, “Alter the Ending” (2009), obteve um desempenho comercial muito modesto. Honestamente, eu acho que a primeira pergunta que veio na mente dos fãs foi: “Eles ainda são uma banda emo?”. Não necessariamente. Embora eles sejam conhecidos como uma banda emo, o seu novo álbum, intitulado “Crooked Shadows”, faz uma combinação de diferentes gêneros como o pop-rock, folk e electropop.

Um som acústico predomina e longe estão as letras pessoais e confessionais do passado. Os vocais, no entanto, cumpre com as expectativas, assim como foi no auge da banda. Há vários momentos no álbum onde a voz de Carrabba quase racha, como se ele simplesmente não conseguisse acertar as notas mais altas. Inesperadamente, isso gera mais emoção para as músicas. Em outras palavras, ressalto que o som da banda definitivamente mudou, mas de uma forma inesperada, confusa e estranha. O álbum começa com “We Fight”, uma faixa genérica com som projetado para tocar em arenas. A letra toca em temas universais, mas assim como a instrumentação, é preocupantemente sem graça. “Catch You” apresenta batidas de tambores, guitarra elétrica e riffs de sintetizadores reminiscentes dos anos 80, mas parece uma trilha sonora de algum filme para adolescente. “Quando você estiver pronto, eu estarei esperando para te pegar”, Carrabba canta de forma clichê. Teclados e uma bateria maciça surgem durante a balada “About Us”, enquanto o vocalista fala sobre nunca desistir do amor. Da mesma forma, a balada “Heart Beat Here” abraça tons melódicos e vocais reluzentes. Um número simples tingido de folk com apenas um violão sendo o suporte principal. Estranhamente, parece ser a única faixa de destaque do álbum, uma vez que a sensação folk é bem-vinda. Em seguida, a banda abraça batidas eletrônicas e estalar de dedos durante “Belong”. Aqui, a Dashboard Confessional é auxiliada pelo grupo Cash Cash.

Talvez por isso seja uma música com fortes influências de EDM. Uma canção francamente bizarra e fora de contexto, que apaga qualquer possibilidade de coesão. A faixa-título, “Crooked Shadows”, faz uma mistura curiosa que engloba elementos de pop e punk. Certamente, é a canção que mais lembra o auge da banda durante sua fase emo. O refrão enfatiza a habilidade harmônica dos membros e acaba lhe dando alguma profundidade. A faixa homônima flui sem grandes problemas para “Open My Eyes”, um apelo sonoro que apresenta a violinista Lindsey Stirling. “Se você sabe algo que eu não, por favor, não abra meus olhos”, Carrabba canta aqui. Enquanto “Be Alright” é uma faixa motivadora que tenta encorajar o ouvinte a seguir em frente e perseguir seus sonhos, “Just What to Say” é um número de encerramento cheio de vulnerabilidade. Ele apresenta o vocalista Chrissy Costanza que empresta o seu talento e trava uma guerra emocional com Carrabba. Mesmo com apenas nove músicas, “Crooked Shadows” não conseguiu demonstrar consistência e coesão. Com certeza, não será lembrado como um dos melhores trabalhos da Dashboard Confessional. É um disco que possui um senso de nostalgia, mas infelizmente não instiga o ouvinte a querer ouvir repetidas vezes. Eu realmente não vejo este álbum sendo bem-vindo no panorama musical atual. Se o repertório tivesse 40 minutos de Chris Carrabba e a sua guitarra acústica, as coisas poderiam ter sido um pouco melhores.

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Favorite Tracks:

“Heart Beat Here” / “Crooked Shadows” / “Just What to Say (feat. Chrissy Costanza)”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.