Review: CupcakKe – Crayons

CupcakKe é uma rapper de Chicago, Illinois, que está expandindo seus horizontes a cada novo lançamento. Em seu novo álbum, existem influências latinas, EDM, pop, trap e electropop – além de temas que vão desde sexualidade até homofobia. “Ephorize” (2018) é um registro lançado de forma independente que se destaca por causa da sua maturidade, enquanto oferece batidas despreocupadas e letras divertidas. Tudo isso reforça o poder de CupcakKe, e o fato dela ser atualmente uma das mais interessantes vozes do rap. Em “Crayons”, quinta faixa do álbum, ela tenta celebrar o amor discutindo a homofobia, transfobia e identidade. CupcakKe sempre apresentou sua sexualidade nas músicas, mas agora ela expandiu as coisas levantando a bandeira do arco-íris em prol da comunidade LGBT. Consequentemente, “Crayons” se destaca pelo fato de celebrar e defender a comunidade gay. Enquanto todo o álbum funciona como uma grande festa, temas políticos guiam sua vulgaridade lírica em prol dos direitos LGBT. A força das composições da CupcakKe não é apagada nem mesmo por alguns momentos líricos acidentais. O tom mais divertido e ambíguo de “Crayons” fornece tudo que uma música de rap precisa.

É um hino que promove a igualdade para todos, mesmo que CupcakKe não se preocupe em utilizar uma linguagem politicamente correta. É uma canção que preserva a inclusividade na sociedade sobre uma produção bastante diferente de seus registros anteriores. “Garoto em garoto, garota em garota / Garoto em garoto, garota em garota / Garoto em garoto, garota em garota / Como quem é a merda que você gosta? / Foda-se o mundo”, ela diz corajosamente no refrão. Embora a positividade do sexo sempre esteja a frente de suas músicas, CupcakKe não está apenas preocupada em apresentar rimas cheias de palavrões. Acima de tudo, ela está interessada em comentar sobre a cultura ao seu redor e defender os direitos das minorias. “Crayons” possui as letras tipicamente divertidas da rapper, tais como: “Seu pau pode ser o Tinder, mas ele publica no Grindr”. Mas a maioria das rimas são duras e incrivelmente diretas, à medida que a produção de hip-house explode com instrumentos de metais. Sob excelentes tambores, influências de dancehall e poderosas alegações, “Crayons” soa semelhante à “Lgbt” – faixa do seu primeiro disco – embora seja muito melhor que a mesma. É emocionante ver uma artista priorizar declarações políticas em sua música, principalmente quando consegue fazer uma real conexão com elas.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.