Review: Craig David – The Time Is Now

Lançamento: 26/01/2018
Gênero: R&B, Tropical House
Gravadora: Sony Music
Produtores: Tre Jean-Marie, Fraser T Smith, Kaytranada, Jonas Blue, Chase & Status, Steve Mac, Diztortion, Blonde e Nosaappollo.

Não é segredo para ninguém que Craig David desfrutou de um retorno bem-sucedido nos últimos anos. O cantor de R&B apareceu pela primeira vez no início dos anos 2000 e fez sucesso com singles como “Re-Rewind (The Crowd Say Bo Selecta)”, “Fill Me In”, “7 Days” e “Walking Away”. Mas, enquanto ele continuou fazendo música no decorrer da última década, somente em 2016 viu sua popularidade ressurgir. Depois que lançou o álbum “Following My Intuition” (2016), Craig David reviveu o interesse dos seus fãs e conquistou novos admiradores. Para efeito de curiosidade, foi o seu primeiro álbum número #1 no Reino Unido em dezesseis anos. Mas não foram apenas as boas vendas do álbum que chamaram atenção, pois Craig conseguiu lotar shows em Londres e venceu categorias do MOBO Awards. Depois do sucesso de “Following My Intuition” (2016), ele está de volta com um novo projeto, chamado “The Time Is Now”. É um álbum que proporciona uma escuta fácil, mas é muito pretensioso e está repleto de faixas fillers.

Além disso, Craig David optou por fazer uma fusão de vários gêneros e colaborou com diferentes convidados. A maior parte do álbum não funciona, especialmente quando Craig não consegue colocar sua própria marca nas músicas. Ele parece não se levar muito a sério e, consequentemente, não transmite a devida credibilidade. O disco começa com “Magic”, faixa simplista e infecciosa que define o tom para o restante do repertório. Foi produzida por Tre Jean-Marie, que também trabalhou com o cantor no álbum “Following My Intuition” (2016). Aqui, ele tentou empregar o seu próprio significado à palavra “magic”, porém, fez isso de uma forma completamente clichê e brega. “Heartline”, o primeiro single do álbum, foi produzido pelo hitmaker Jonas Blue. Um número de R&B infundido por uma batida eletrônica que lembra um pouco “Ain’t Giving Up” (faixa de abertura do álbum anterior). É uma canção mais alegre e extravagante que também abrange um som de tropical-house.

Mesmo que seja um gênero tão desgastado, Craig David quis inclui-lo no álbum. Em seguida, “Brand New” apresenta elementos de música latina, enquanto “Going On” fornece uma batida contagiante de dancehall. Mas, quando você acha que as letras não podem ficar piores, Craig nos apresenta a faixa “For the Gram”. Um número trap embaraçoso com letras terríveis sobre o Instagram. Se isso for alguma crítica ao uso da rede social, ele não soube fazê-la da melhor forma. Ademais, suas habilidades de rap são ruins e os vocais distorcidos completamente desnecessários. “Fazemos isso para a Insta / Fazemos para o Gram / Com ângulos para tirar fotos com um corpo assim (…) / Não esqueça da hashtag”, ele canta. “Get Involved”, a primeira colaboração do álbum, conta com a participação de JP Cooper. Uma faixa contagiante com vibe urbana e mesclagem do som dos dois artistas. Por falar em colaborações, foi uma surpresa ver que a banda Bastille está presente na faixa “I Know You”.

Produzida por Fraser T Smith, esta canção foi lançada como segundo single em novembro de 2017. Inesperadamente, “I Know You” faz uma mistura convincente de música eletrônica e trap. Além disso, as vozes e estilos de Craig David e Dan Smith combinaram muito bem. Da mesma forma, a faixa “Live in the Moment”, com versos de GoldLink e produção de KAYTRANADA, faz uma ótima fusão de R&B, soul e hip-hop. Um número empolgante e caleidoscópico, onde Craig manteve-se fiel ao seu estilo musical. Mas, enquanto “Love Will Come Around” possui um ar de nostalgia e melodia cativante, “Focus”, uma das faixas mais pesadas e irritantes do repertório, encerra o álbum da pior maneira possível. “The Time Is Now” mostra que o retorno de Craig David pareceu um simples acaso. À medida que o registro é carregado por um clássico som de R&B, ficou claro que ele prefere explorar tendências atuais como o tropical-house e dancehall. Consequentemente, o álbum transmite uma enorme falta de originalidade e criatividade.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.