Review: Christina Aguilera – Accelerate (feat. Ty Dolla $ign & 2 Chainz)

Lançamento: 03/05/2018
Gênero: Hip hop, Pop
Produtores: Kanye West, Mike Dean, Che Pope, Honorable C.N.O.T.E., Ernest Brown e Charlie Heat.
Compositores: Christina Aguilera, Kanye West, Mike Dean, Che Pope, Ernest Brown, Carlton Mays, Bibi Bourelly, Ilsey Juber, Tayla Parx, Tyrone Griffin Jr, Tauheed Epps e Kirby Lauren Dockery.

Seis longos anos nos separam do último álbum de estúdio da Christina Aguilera. A diva pop acabou de anunciar o seu retorno, programando o seu sexto álbum para o dia 15 de junho de 2018. Em meio as expectativas dos seus fãs, a cantora lançou o primeiro aperitivo do álbum. “Accelerate” é um buzz-single divulgado em parceria com os rappers Ty Dolla $ign e 2 Chainz. Uma canção de hip-hop que causou reações mistas nos ouvintes, dado a sua produção desconexa e pouco convencional. Ela possui aspectos dominantes dos dois rappers, e é um pouco decepcionante dado o hiato de seis anos. Com certeza a estética minimalista da música deixou um gosto amargo na boca dos fãs. Produzida por Kanye West, “Accelerate” possui momentos que mostram algum potencial. Entretanto, isto é rapidamente desperdiçado por causa dos recursos estranhos que aparecem por todos os lados. No início da música ouvimos uma percussão acompanhada por gritos e vocais masculinos até que, de repente, Christina Aguilera aparece. Então, ela mescla seu canto com versos de rap e nos deixa um pouco empolgados para o refrão. Sua performance vocal está contida e sensual, e no geral a produção parece reminiscente do álbum “Stripped” (2002). Entretanto, não estamos ouvimos uma balada poderosa como “Beautiful” ou uma canção ousada como “Dirrty”. Muito pelo contrário, “Accelerate” mistura várias ideias de forma desnecessária que só servem para causar uma confusão na mente do ouvinte.

Ela possui tantas colagens sonoras que mais parece duas músicas dentro de uma. Realmente há algo de confuso acontecendo, especialmente quando os vocais dos três artistas são envolvidos em camadas. Alguns podem apreciar a reinvenção e liberdade criativa da cantora, porém, é difícil dar elogios quando a produção, melodia, letras e vocais não colaboram. Liricamente, Aguilera se gaba do seu estilo de vida e felicita o presente no decorrer de metáforas sexuais. “Não se preocupe com o amanhã / Estarei com as minhas amigas, você pode me encontrar lá / Se tentar brincar com a gente, vamos começar um tumulto aqui”, ela diz. Quando ela canta – “Baby, it’s alright / Baby, it’s OK / Spark round late” – em cima da linha de baixo, ela consegue criar a melhor parte da música. Honestamente, “Accelerate” está longe de ser instantaneamente cativante como alguns dos seus singles adaptados para as rádios. As ad-libs de Ty Dolla $ign são dispensáveis e o verso de 2 Chainz, apoiado pelas chimbais e batidas de trap, é completamente inofensivo. Inesperadamente, “Accelerate” não é uma música pop como a grande parte do “Bionic” (2010) e “Lotus” (2012). É uma peça de hip-hop agressiva e desprovida de qualquer acrobacia vocal que já tivemos a oportunidade de vê-la fazendo. O refrão é apoiado pelo baixo grave e inesperados riffs de sintetizador, e consegue prender o ouvinte por alguns segundos. Porém, é uma música que extrapola as coisas e, mesmo com tanto talento envolvido, não consegue se sobressair. Enquanto o estranho videoclipe parece inspirado em “Dooo It!” da Miley Cyrus, é musicalmente uma bagunça experimental e frustrante.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.