Review: Charli XCX & Christine and the Queens – Gone

Charli XCX anunciou recentemente que seu terceiro álbum, simplesmente intitulado “Charli”, será lançado em 23 de setembro. É um álbum que foi programado há anos, mas contou com vários atrasos e uma seqüência de singles contínuos e duas mixtapes. Inicialmente, ela lançou o primeiro single, “1999”, com Troye Sivan e posteriormente colaborou com Lizzo na cativante “Blame It On Your Love”. A britânica agora se une à artista francesa Christine and the Queens em seu novo single. Além de Sivan, Lizzo e Christine, “Charli” contará com participação de Sky Ferreira, Kim Petras, HAIM, Big Freedia, CupcaKke, Brooke Candy e Pabllo Vittar. XCX e Christine representam dois estilos diferentes do electropop e synth-pop, mas seus sons se fundem surpreendentemente bem em “Gone”. A faixa produzida por A. G. Cook, Lotus IV, Ö e Baseck tem um ritmo acelerado e uma batida quase industrial. Charli assume o primeiro verso, enquanto Christine fica encarregada do segundo. A ponte antes do refrão é completamente irresistível, enquanto o próprio refrão é uma potência absoluta. “Gone” é facilmente uma das melhores faixas que ela lançou nos últimos meses, tanto em termos de melodia quanto de produção. Com versos onde ela não tem medo de desvendar sua vulnerabilidade, XCX responde suas perguntas com mais perguntas. “Por que amamos se estamos tão enganados? / Por que saímos quando a perseguição é feita?”, ela questiona. Não se afasta muito de sua fórmula habitual, mas a divisão da produção e estratificação sintetizada são perfeitas. É realmente inovador e experimental.

“Gone” evoca os pensamentos inquietos de se sentir como um estranho para o mundo. Em comparação a otimista “1999” e a mais sonoramente radio-friendly “Blame It On Your Love”, “Gone” se apresenta como uma faixa intemporal de synth-pop em sua própria forma. Há algo abertamente maníaco neste single – desde as linhas de baixo rígidas até o vocal ofuscante. Os vocais contraditórios, as linhas solitárias e auto-isolantes proporcionam conforto e relacionabilidade. Há acenos para a PC Music na produção, mas este não é um momento açucarado para XCX. Em vez disso, ela nos dá um de seus momentos mais confiantes, transformando a ansiedade social em uma exibição potente. É difícil oferecer algo assim, mas ao lado de uma artista tão implacável como Christine and the Queens, isso se tornou possível. O momento decisivo da música vem com a pausa industrial, que corta e aperta os vocais. “Eu me sinto tão instável, fodidamente odeio essas pessoas / Como eles estão me fazendo odiar / Eles estão me fazendo odiar”, ela canta sem rodeios. Charli XCX nos dá um vislumbre promissor do que está por vir em seu próximo álbum de estúdio. Com a produção pesada do chefe da PC Music, A.G. Cook, “Gone” revisita o som que Charli produziu na aclamada “Pop 2” (2017). Nessa mixtape, o significado de música pop foi redefinido e reconstruído. “Gone” também foi acompanhada por um elegante videoclipe. Ele mostra ambas sendo amarradas em cima de um carro estacionado em algum tipo de garagem improvisada. Eventualmente, elas se libertam e o que segue é chuva, fogo e muita dança.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.