Review: Charli XCX – Blame It on Your Love (feat. Lizzo)

Nos últimos anos, Charli XCX rejeitou a pressão das gravadoras para produzir músicas comercialmente frutíferas e favorecer mixtapes com métodos de lançamento pouco tradicionais. No ano passado, ela lançou uma série de músicas independentes, incluindo “1999”, uma colaboração nostálgica com o Troye Sivan. “Blame It On Your Love”, por sua vez, estava borbulhando abaixo da superfície por alguns anos. É uma versão reconfigurada da ambígua “Track 10” – possivelmente uma das melhores faixas de sua carreira – presente na mixtape “Pop 2” (2017). Essa mixtape tem sido frequentemente considerada um ponto de virada artística para a provocadora cantora, produzida com considerável influência da PC Music. Muito amada pelos fãs experimentais da XCX, “Track 10” é recortada com sintetizadores pesados ​​que se transformam em uma inovação estilística. É uma falha artística imprevisível, futurista e bastante expressiva. “Blame It On Your Love” parece uma versão completa, preparada para o sucesso comercial e produzida pela dupla Stargate. A música começa com uma amostra notável de “Never Leave You (Uh Oh)” da Lumidee e atinge o mesmo ponto nostálgico que XCX costuma apresentar. A bateria pesada cria um gancho empolgante e um ritmo que é mantido durante o primeiro verso, antes de explodir em um refrão de alta octanagem. Escrito em Los Angeles, “Blame It On Your Love” pode soar familiar para os fãs, já que recicla a principal amostra vocal de “Track 10”, mas além disso, possui a participação da emergente Lizzo.

Com uma batida saltitante que lembra o tropical-house, a música aterrissa solidamente no estilo da Charli XCX e oferece um ritmo bem animado. Perto do final, Lizzo faz sua participação especial. Embora seja um verso curto e aparentemente adicionado de último hora, ela consegue injetar um toque digno de destaque. Enquanto XCX canta com um medo inerente da vulnerabilidade de se apaixonar, Lizzo oferece sua refutação. A colisão de atitudes eleva a energia de uma faixa cujas letras não são particularmente inovadoras. Aqui, XCX se encontra em conflito sobre um relacionamento à medida que se torna mais sério. “Eu só quero te beber / Despeje você em um copo de prata / Você sabe que eu gosto de festejar / Mas você sabe que eu amo o seu corpo”, ela canta sobre as batidas. Essas emoções conflitantes nos levam para o refrão massivo. A estrutura da música possui indícios de reggaeton, além de uma melodia hiper-filtrada e produção electropop. “Eu culpo o seu amor / Toda vez que eu estrago tudo / Eu culpo o seu amor”, ela canta no cativante refrão. O vocal da Charli não está abrasivo como em “1999” ou na maior parte do “Pop 2” (2017). Ela se apresenta com um nó na garganta, com palavras que se espalham antes que ela possa detê-las. Ela aceita a responsabilidade e a possibilidade de redenção. Em retrospectiva, embora “Blame It On Your Love” seja uma música insanamente viciante, não faz justiça à “Track 10” e não corresponde ao hype criado por uma colaboração que parecia perfeita no papel.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.