Review: Calum Scott – Only Human (2018)

Lançamento: 09/03/2018
Gênero: Pop, Blue-Eyed Soul
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Fraser T Smith, John McIntyre, Jayson DeZuzio, Phil Paul, Warren “Oak” Felder e OzGo.

Ocantor britânico Calum Scott é mais conhecido por sua participação no popular reality show Britain’s Got Talent. Em 2015, ele fez um cover de “Dancing On My Own” da Robyn e chegou ao sucesso no Reino Unido. Anteriormente, Calum Scott já havia trabalhado em uma banda cover do Marron 5, ganhou o concurso de talentos Mail’s Star Search e fez parte de um duo eletrônico chamado The Experiment with John McIntyre. Scott ganhou muitos seguidores depois que apareceu no Britain’s Got Talent, e ainda foi indicado ao Brit Award pelo cover de “Dancing On My Own”. O seu primeiro álbum, “Only Human”, foi lançado em 09 de março de 2018 e segue a mesma abordagem estilística de “Dancing On My Own”. Uma coleção de onze faixas que passam pelo pop e soul, e concentram-se inteiramente no amor. Embora a grande maioria sejam baladas despojadas, há algumas peças dançantes e mais agitadas. “Only Human” se mantém fiel ao estilo de Calum Scott, no entanto, não é isento de erros e falhas.

Embora tenha características admiráveis, os problemas aparecem em suas tentativas de forçar uma identidade vocal e artística, enquanto muitas batidas soam fora do lugar e simplesmente não combinam. O álbum começa com os emotivos vocais de “If Our Love Is Wrong”, que encontra-se ao lado de sutis elementos eletrônicos. Liricamente, fala sobre não ser compreendido e aceito pelas pessoas que o rodeiam. De acordo com o próprio Calum Scott, “este tema foi aterrorizante para falar, mas foi uma música empolgante para escrever. Tenho orgulho de quem sou agora e espero sinceramente inspirar pessoas que possam estar em situação semelhante”. Sem dúvida, é uma canção profundamente pessoal que lida com a sexualidade de Scott. Ele consegue capturar a sensação de conflito, enquanto vocalmente exibe um lado completamente diferente. “Eu não sei como devo dizer isso / Em minha mente, é toda palavra, que eles não querem ouvir”, ele canta nas primeiras linhas. A alegre e dançante “Give Me Something” introduz um pouco de ousadia e conta a história de um amor unilateral.

É um momento mais agitado que captura a frustração de ser ignorado pela pessoa que ama. Além de ser energética, a simplicidade e repetitividade das letras tornam a música mais cativante. O único problema é que a mensagem acaba sendo um pouco perdida e deixa a música liricamente confusa. O segundo single do álbum, intitulado “Rhythm Inside”, é uma canção animada sobre se apaixonar à primeira vista. “Tantos olhos, eu não posso ver / Estou estático, e eu não posso mover meus pés / A partir do momento que você estava ao meu lado”, Scott canta aqui. Um número pop contagiante que antecede o atual single do cantor, “You Are the Reason”. Uma bela faixa de piano que o permite mostrar seu alcance e alguns falsetes. É eficaz, emocionalmente carregada e também foi lançada como um dueto com Leona Lewis. Aqui, Scott exclama que “ele subiria todas as montanhas e nadaria todos os oceanos” para estar com quem ele ama. Em seguida, “Come Back Home” usa uma batida mais rápida para refletir a ideia de correr atrás de alguém. Embora seja preenchida por vários sentimentos, Scott não soube aplicar sua identidade ao estilo da música.

Enquanto isso, as batidas pulsantes de “Stop Myself (Only Human)” permitem que o ouvinte se solte. É a música que define o conceito por trás de todo o álbum. Aqui, o cantor mostra o lado humano, o desejo e as coisas que as pessoas fazem por impulso quando se apaixonam. “Nós não sabemos como a história vai acabar / Mas eu sei que você vai quebrar meu coração novamente / Eu sou apenas humano, como eu devo parar? / De amar você, te amar, sim”, ele se pergunta. O hit “Dancing on My Own”, que chegou à segunda posição no Reino Unido, é um cover de uma das melhores músicas pop da década. Provavelmente, todos já estão familiarizados com a versão do Calum Scott. Uma confissão emocional ancorada pelo piano que ficou bem mais lenta que a versão original. Vocalmente, Scott conseguiu representar perfeitamente a tristeza das letras. Sobre o cover, ele disse que, “sempre ouviu além da produção, ouviu a dor do coração nas letras”. É uma canção profundamente pessoal para ele, pois tornou-se significativa em sua própria vida e refletiu em suas experiências.

Scott desacelerou a música, deu uma paisagem acústica para ela e uma perspectiva de um homem gay. Em suma, sua versão é linda e tocante. Enquanto “Only You” é uma sincera homenagem a seu melhor amigo, uma pessoa com quem ele pode se abrir, “Won’t Let You Down” é uma peça emotiva dedicada à sua irmã. “What I Miss Most”, por sua vez, é um momento eufórico sobre sentir saudades de casa. Essa canção explora uma conexão mais emocional e profunda com o seu passado. Mas, embora a letra seja interessante, ele adicionou uma batida acelerada que não combinou com a mensagem. A minimalista e comovente balada “Hotel Room” destaca os vocais de Scott ao lado de um piano e violino. Aqui, ele realmente expõe o melhor dos seus vocais, à medida que fala sobre um amor não correspondido. Calum Scott é um vocalista talentoso e o repertório profundamente pessoal e freqüentemente honesto. Mas, tudo somado, “Only Human” carece de um espírito e é sufocado pelas repetições incessantes. Faltou consistência para o álbum ser realmente promissor.

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Favorite Tracks:

“Rhythm Inside” / “You Are the Reason” / “Dancing On My Own”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.