Review: Bruce Springsteen – Hello Sunshine

Lançamento: 26/04/2019
Gênero: Rock, Country
Produtor: Ron Aniello
Compositor: Bruce Springsteen

Depois de focar na literatura e no teatro nos últimos anos, Bruce Springsteen está de volta com o seu primeiro álbum em cinco anos. “Western Stars” está previsto para ser lançado pela Columbia Records em 14 de junho de 2019. Formado por treze faixas, o registro foi gravado principalmente em seu estúdio em Nova Jersey, com acompanhamento adicional feito na Califórnia e em Nova York. Se o primeiro single, “Hello Sunshine”, for um indicativo do que está por vir, certamente ficaremos satisfeitos. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa música é que ela é completamente dedicada ao Bruce e não ao grupo E Street Band. Não há saxofone ou acordes frenéticos de guitarra e, às vezes, você pode imaginar o Eagles cantando. Além disso, há uma certa tristeza nas letras e um grande pesar nos vocais. Uma tarola, um baixo de dois passos e uma guitarra acústica pintam uma imagem evocativa antes de se juntarem a um piano estrondoso, violão de aço e cordas exuberantes. Outro verdadeiro destaque é o vocal do Bruce Springsteen, uma vez que são imperiosos e perfuram qualquer coração. Há poucos artistas que conseguem criar algo assim depois de seu septuagésimo aniversário. A última metade do “High Hopes” (2014) é recheada de baladas orquestrais como essa. Com “Hello Sunshine”, Springsteen oferece uma simples canção de amor destinada a verdades universais. Durante a linda ponte, o arranjo florido lembra uma variedade de discos country-pop do final dos anos 60 e início dos anos 70.

É interessante saber que Bruce Springsteen, cuja música incorporou elementos de rock and roll em quase meio século, encontrou tal inspiração. “Hello Sunshine” apresenta uma de suas mais doces performances vocais desde o álbum “Tunnel of Love” (1987). A linha de baixo entre dois passos e os elementos de bossa-nova fornecem o principal apoio da música. Os simples acordes e os enfeites vocais, às vezes lembram George Jones e Merle Haggard em seu mar de nostalgia. Um dos aspectos mais incomuns de “Hello Sunshine” é talvez a insistente batida country, que de forma ou outra se move no ritmo glacial de uma balada. Liricamente, o narrador se lembra de seu desejo de viajar no passado, e implora para seu amante ficar por perto por um tempo. “Você sabe que sempre gostei daquela estrada vazia / Nenhum lugar para estar e milhas a percorrer / Mas milhas a percorrer estão a milhas de distância / Olá sol, você não vai ficar”, ele canta no último verso ilusoriamente brilhante. Uma música sobre como situar o passado em sua mente e descobrir como ele pode moldar seu futuro. É um som nostálgico, mas oportuno, e não apenas por sua suprema suavidade. Gerando um calor necessário, Springsteen lembra alguns de seus cânticos em “Nebraska” (1982), mas com a melancolia no lugar do desespero. O pedal steel implica solidariedade com a música country, enquanto “Hello Sunshine” é firmemente descontraída e se encaixa mais no folk do que no rock. Essa canção reflete a idade, a carreira e o arco musical do Bruce Springsteen. Ele não está tentando ser algo que ele não é, e é isso que seu público sempre amou.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.