Review: Breaking Benjamin – Ember (2018)

Lançamento: 13/04/2018
Gênero: Post-Grunge, Nu Metal, Hard Rock
Gravadora: Hollywood Records
Produtores: Benjamin Burnley, Keith Wallen, Aaron Bruch e Jasen Rauch.

O novo álbum da Breaking Benjamin é muito previsível e está longe de ser inovador. Em certos pontos, parece uma reciclagem dos seus álbuns anteriores.

Formada em 1999 na Pensilvânia, a banda Breaking Benjamin retornou em 2018 com um novo material. “Ember” foi lançado em 13 de abril através da gravadora Hollywood Records. Assim como muitas outras bandas, a Breaking Benjamin foi atormentada por problemas e passou por um hiato. Durante este período, questões legais com dois ex-membros acabou levando a uma reviravolta na formação da banda. O último álbum, “Dark Before Dawn” (2015), serviu para cimentar essa nova lista de membros da Breaking Benjamin. Durante uma entrevista, o vocalista Benjamin Burnley disse que o sexto álbum era o mais pesado e sombrio do grupo. Auto-produzido por ele, “Ember” é um registro formado por doze faixas emocionais. Um álbum que atende os lados pesados e melódicos, mas que não está tão longe do som apresentado no “Dark Before Dawn” (2015). Estruturalmente, “Ember” é composto por dois curtos instrumentais, “Lyra” e “Outro”, que servem como introdução e fechamento. A banda não pisou em um novo território e optou por usar a mesma abordagem dos discos anteriores.

Portanto, Breaking Benjamin trabalhou com uma fórmula testada e comprovada. Liricamente, este disco reflete sobre identidade, saúde mental e moralidade, enquanto Burnley explora a profundidade dos seus vocais. Para os fãs de longa data, “Ember” é uma coleção igualmente atraente e emocionante. Apesar da natureza melódica da banda, “Feed the Wolf” trabalha em cima do lado mais pesado da Breaking Benjamin. É uma música que oferece riffs agressivos, melodias intensas e vocais cheios de energia. Esta faixa definitivamente define o tom para o restante do repertório. Burnley havia prometido um disco mais pesado do que o “Dark Before Dawn” (2015), e “Feed the Wolf” consegue cumprir essa promessa. Nas letras podemos ouvir o cantor expressando sua luta contra a identidade ao longo dos anos. O primeiro single, “Red Cold River”, possui um groovy infeccioso e vê Burnley procurando por uma razão para viver, enquanto mistura seus vocais melódicos com grunhidos crescentes. Esta faixa está no centro das atenções do álbum, uma vez que o vídeo mostra um pai vingando a morte de sua filha mais nova.

Também serve como uma das faixas mais sombrias do álbum, visto que permanece cheia de angústia e dor. Musicalmente, segue pela mesma tendência explosiva de “Feed the Wold”, mas mantendo um equilíbrio entre o pesado e o melódico. As guitarras oferecem um tom ideal e a bateria permanece no ponto. “Tourniquet” possui um ritmo semelhante ao de “Red Cold River”, embora seja mais lenta e dependente do baixo e da guitarra para levá-la adiante. Seu rugido é mais sutil e contém melodias sinuosas que às vezes se entrelaçam. Sonoramente, é um pouco mais estereotipada, mas o refrão continua intercalando entre os vocais limpos e ligeriamente agressivos do Burnley. O mesmo pode ser dito de “Psycho”, onde ele permanece na borda entre o melódico e o agressivo. Essa canção possui uma grande entrega e apresenta uma mudança de ritmo bem orquestrada. É uma música que tenta dar sentido à doença mental e mergulha profundamente na experiência do próprio Ben Burnley. Embora seja musicalmente forte, o maior peso dessa música vem principalmente das letras.

Além disso, os tambores, riffs de guitarra e o baixo possuem participação de destaque. Uma atmosfera eletrônica ancora na balada “The Dark of You”, uma inesperada colaboração com Derek Hough do programa Dancing with the Stars. Os vocais de Burnley são afetados pelas guitarras e atmosfera sintetizada. No entanto, são as letras que tocam o ouvinte, por causa do quão ameaçadora ela é. “Down” fornece um acúmulo inicial como se fosse começar o álbum novamente e traz o caos que esteve ausente em “The Dark of You”. Uma faixa de metal-alternativo inspirado nos anos 90 e reminiscente do som apresentado pela banda desde o início da década. Isso nos leva a um grande problema com a banda, porque eles não variaram seu som ao longo dos anos. Praticamente todas as músicas do álbum possuem uma certa semelhança. Ao ouvir “Torn in Two”, por exemplo, parece que você está escutando qualquer outro disco da banda. Ela possui um conteúdo muito semelhante ao da faixa anterior e acaba tornando-se obsoleta. Parece que foi criada apenas para completar a tracklist do álbum.

Enquanto “Blood” possui um riff de guitarra infeccioso coberto pela agonia das letras, a melancólica “Save Yourself” permite que os vocais de Burnley tomem o centro do palco. Isso abre as portas para o baixo poderoso de “Close Your Eyes”, onde o vocalista finalmente parece ter encontrado a paz. “Tire o lado negro e me leve para a luz / Tudo vai desaparecer diante dos seus olhos quando virarmos a maré / Eu vou trazer o sonho à vida, aguente firme, aguente firme / Eu vou manter você aqui dentro, apenas feche seus olhos”, ele canta. É uma faixa sólida que parece ter sido retirada diretamente do álbum “Dear Agony” (2009), principalmente por causa dos riffs de guitarra. Mais uma vez, Breaking Benjamin lançou um álbum de hard-rock moderno. A primeira metade possui alguns momentos memoráveis, mas perde o encanto conforme o tempo vai passando. É um disco que atende aos desejos dos fãs e expande o talento de Ben Burnley como cantor e compositor. Porém, soa bastante similar aos outros discos da banda e está longe de ser inovador. Em certos pontos, parece até uma reciclagem dos seus álbuns anteriores. Os temas são bem claros, mas às vezes as letras entram em detrimento por conta da instrumentação insossa.

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    SCORE - 59%
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Favorite Tracks:

“Feel the Wolf” / “Red Cold River” / “Psycho”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.