Review: Brandi Carlile – By the Way, I Forgive You

Lançamento: 16/02/2018
Gênero: Americana
Gravadora: Low Country Sound / Elektra Records
Produtores: Dave Cobb e Shooter Jennings.

Acantora americana Brandi Carlile construiu sua carreira baseada na versatilidade. Do folk-rock ao country-alternativo, ela conseguiu encantar com sua infinidade de estilos. Por causa da versatilidade, ela criou álbuns que exploraram acontecimentos de sua vida. Carlile se tornou mais conhecida depois que lançou o seu segundo disco, “The Story” (2007). Enquanto isso, em seu sexto álbum de estúdio, “By the Way, I Forgive You”, suas ambições estão ainda mais altas. Desde sua entrega vocal melancólica à instrumentação, elementos de country estão espalhados por todo canto. Liricamente, este registro fala sobre amor, desgosto, maternidade e, principalmente, perdão. São temas que refletem sua vida pessoal, ao mesmo tempo que se torna relacionável para o ouvinte. Certamente, “By the Way, I Forgive You” está no seu melhor quando a instrumentação não domina a voz da Brandi Carlile. É nesses momentos que ela consegue colocar emoção em cada palavra. Mas, o álbum também tropeça em determinados lugares e possui suas falhas. Quando o tom do repertório muda de repente faz com que o mesmo pareça desarticulado. Há uma boa quantidade de variedade instrumental pelo registro, porém, sucumbe no excesso de baladas dramáticas.

No entanto, todas as faixas são um bom testemunho da capacidade lírica de Carlile e sua equipe. O álbum abre com “Every Time I Hear That Song”, que fornece lembranças agridoces sobre um amor do passado. “A propósito, eu te perdôo / Depois de tudo talvez eu deva agradecer”, ela canta aqui. Guitarras acústicas e melodias simples dão lugar a letras bastante instigantes. Não há um padrão de rimas nesta música, algo que causa uma sensação desconexa e igualmente charmosa. Brandi Carlile se move com facilidade para “The Joke”, uma canção que fala sobre acontecimentos da sociedade, possui cordas ao fundo e fornece excelentes vibratos. “Hold Out Your Hand” começa com uma melodia exalada pelo violão que, imediatamente, transforma-se numa balada rígida, exagerada e excessivamente pessoal. Em seguida, um tranquilo arranjo de violão introduz “The Mother”, que retrata a euforia da maternidade e as mudanças que ela traz. “As primeiras coisas que ela tirou de mim foram o egoísmo e o sono / Ela quebrou mil relíquias que eu nunca pretendia manter”, ela canta. Enquanto “Whatever You Do” evoca sentimentos reveladores e pessoais, através do vocal apaixonado de Carlile, “Sugartooth” fala sobre um amigo que cometeu suicídio depois de cair no vício.

A introdução é construída por vocais mais ásperos, mas enquanto poderia ser uma balada deprimente, Carlile faz dela um testemunho bem agridoce. “Era difícil esconder que o coração dele tinha cicatrizes / Ele ficava acordado até tarde conversando com as estrelas / As pessoas tentaram culpá-lo por fazer más escolhas / Quando ele estava apenas ouvindo as vozes / E procurando por algum tipo de verdade mais profunda”, ela diz em dos versos. Nas reflexões melancólicas de “Most of All”, Carlile passa por harmonias abundantes para “lembrar do que volta, quando você doa seu amor”. Ela é uma contadora de história envolvente e possui grande facilidade para guiar uma melodia. Como um todo, “By the Way, I Forgive You” é um projeto emocional, acessível e profundamente pessoal. Os arranjos e instrumentos, por sua vez, são exuberantes e criam uma paisagem sonora pungente. Esse registro é muito ambicioso e possui grandes ideias, mas também peca por suas inconsistência. Essas ideias são prejudicadas pelas exageradas baladas e bruscas mudanças tonais. De qualquer forma, “By the Way, I Forgive You” é um bom álbum e vale a pena ser ouvido.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.