Review: BØRNS – Blue Madonna

Lançamento: 12/01/2018
Gênero: Indie Pop, Synthpop
Gravadora: Interscope Records
Produtor: Thomas Schleiter.

Onovo álbum do BØRNS, “Blue Madonna”, trouxe de volta suas autênticas vibrações indie-pop para a mesa. Através deste registro, ele mostra um desenvolvimento do seu disco anterior, “Dopamine” (2015), enquanto mantém a emotividade como base principal. O cantor americano aborda, entre outros assuntos, a perda do amor sob um estilo tecnicamente mais maduro e auto-confiante. BØRNS tentou combinar a nostalgia com um tom futurista, ao passo que exala um lado mais vulnerável e progressivo. Em “Blue Madonna”, ele misturou sons familiares com toques eletrônicos e batidas sintéticas. Ao afastar-se de sua guitarra e típica percussão, algo que caracterizou a maior parte de suas canções anteriores, BØRNS introduziu algo mais suave no seu repertório. Com “Blue Madonna”, Garrett Clark Borns não recapturou o frescor de seu último disco. Desta vez, ele preferiu fornecer algo mais complexo e melancólico, embora seja um pouco menos satisfatório. Dito isto, BØRNS sempre foi um artista difícil de definir, especialmente devido às diferentes influências que ele carrega.

Provavelmente, o principal problema do álbum seja as letras, uma vez que carecem de profundidade. A produção e autenticidade das canções destacam-se, porém, as letras são demasiadamente maçantes. Mas, enquanto “Blue Madonna” não é excelente, as doze faixas que o compõe mostram um lado mais sensível do cantor de Michigan. A primeira faixa é “God Save Our Young Blood”, um dueto com outra artista de indie-pop, Lana Del Rey. É raro ver um artista convidado ter tanta influência em determinada canção do músico principal. Entretanto, isso inesperadamente aconteceu em “God Save Our Young Blood”. Um single fortemente inspirado por Del Rey, com letras remanescentes do seu último álbum, “Lust for Life” (2017). Mas, embora o conteúdo lírico seja comum para Del Rey, os sintetizadores de “God Save Our Young Blood” são decididamente otimistas. Consequentemente, essa mistura nos fornece um som synthpop mainstream pouco visto no último álbum do BØRNS. O seu primeiro disco era inquieto e distinto, porém, isto foi claramente perdido em “God Save Our Young Blood”.

É uma canção sonhadora e teatral com um refrão eufórico sobre o amor jovem. Não deixa de ser uma música hipnotizante onde as vozes de ambos misturam-se facilmente. Possui a melancolia singular de Lana Del Rey e, ao mesmo tempo, a produção tipicamente misteriosa de Garrett Borns. Inicialmente, o primeiro verso atinge uma energia e cresce enigmaticamente em direção ao refrão. Ao longo da música, Del Rey apenas canta ao lado do BØRNS, ao invés de ser apresentada substancialmente. Dito isto, não há nenhum verso solo da cantora, o que é um pouco decepcionante. Felizmente, o emparelhamento de suas vozes é distinto e convincente. Com uma produção baseada em sintetizadores, o refrão é imprevisível e charmoso. No primeiro single, “Faded Heart”, o cantor usou maiores acrobacias vocais. É um número completamente diferente do número de abertura, principalmente por causa do senso de urgência. Por trás dos vocais do BØRNS há um sintetizador difuso, ritmo alucinante, bateria apertada e riffs familiares.

Certamente, essa música se encaixaria com facilidade no seu disco de estreia. Enquanto “Sweet Dreams” é um delicioso número down-tempo com sintetizadores sonhadores, “Supernatural” permite que o baixo seja o principal instrumento. O groove desta música é verdadeiramente mágico e consegue destacar-se num álbum com tantos sons eletronicamente produzidos.A quarta faixa, intitulada “We Don’t Care”, é uma peça tão despreocupada quanto o seu título. “O mundo está pegando fogo, mas não nos importamos”, ele proclama aqui. Há uma certa experimentação nesta faixa, especialmente por causa do riff oriental que aparece ocasionalmente. Sua produção é realmente mais ambiciosa, embora as letras pareçam forçadas. “Man”, por sua vez, parece uma progressão natural de “Electric Love” (single do seu último álbum). A instrumentação sutilmente filtrada e otimista é pontuada por um estilo eletrônico reminiscente da banda Hot Chip. Enquanto isso, os vocais de apoio e o alegre piano adicionam um toque extra à música.Sua voz está mais sussurrada e maçante em “Iceberg”, ao passo que o sintetizador, violino e a guitarra trabalham em conjunto.

Da mesma forma, seu poderoso falsete ocupa o centro do palco em “Second Night of Summer” e na faixa de encerramento, “Bye-bye Darling”A primeira soa bem mais moderna e menos inspirada musicalmente, enquanto a última possui teclados bizarramente emotivos. À medida que “I Don’t Want U Back” apresenta um refrão mais desafiador e radio-friendly, a faixa-título, “Blue Madonna”, possui vocais sem créditos de Lana Del Rey. Desta vez, ambos cantam sobre uma batida lenta e sensual, e acabam criando um maior peso emocional. Embora possua arranjos interessantes em meio a produção eletrônica, este álbum peca pela falta de substância lírica. Em termos de produção, é um registro ambicioso e interessante, porém, as letras poderiam ser menos clichês. É um álbum que vê BØRNS experimentando mais sons eletrônicos e filtros vocais, apesar do resultado não ter sido completamente bem-sucedido. Possui muitas faixas cativantes e vocais incríveis, entretanto, não atende às expectativas que foram colocadas sobre o seu lançamento.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.