Review: Bon Iver – Hey, Ma

Ontem, Bon Iver nos presenteou com duas novas músicas que apareceram pela primeira vez no festival All Points East de Londres. Liderado por Justin Vernon, ambas faixas apresentam uma série de artistas talentosos. Em tempos em que a sinceridade não é apenas surpreendente, mas também escassa, Justin Vernon permanece completamente comprometido com seus ideais. Desde os primeiros acordes de “For Emma, ​​Forever Ago” (2008), seu primeiro álbum como Bon Iver, ele nos deu o seu coração, sem qualquer verniz ou pretensão. Com as primeiras linhas de “Flume”, Vernon se apresentou em relação a sua mãe: “Eu sou o único da minha mãe / É o suficiente”. É uma invocação reveladora – sua sinceridade sempre esteve ligada a relacionamentos íntimos. Ele encontrou arranjos grandiosos nas paisagens cristalinas do Bon Iver, mas manteve a mesma seriedade em seu afeto. “Hey, Ma”, por sua vez, se apresenta onde “Flume” parou – com uma ode à mãe invocada tão cedo no cânone do Bon Iver. Os acordes cintilantes sinalizam uma rejeição do detrito eletrônico que definiu seu último álbum, embora Vernon tome emprestado a tensão metronômica de “666 ʇ” no lento pulso digital da canção. Aqui ele abre com seu registro inferior: “Eu esperei do lado de fora / Eu fiz isso de longe / Eu queria um banho / Conte a história ou ele vai embora”. O que começa como uma homenagem para sua infância logo se transforma em uma desafeição adolescente. Essa luz é palpável nos ruídos da produção e na presença reconfortante do Vernon. A estrutura do verso-refrão, muito mais próxima do rock convencional ou do pop, é a escolha perfeita para uma música tão ousadamente sincera.

Longe estão os versos labirínticos de “22, A Million” (2016), e sua simbologia que aglomera e obscurece. “Hey, Ma” é linda, fria e emocional. Vernon conseguiu incorporar elementos orgânicos e eletrônicos em uma de suas músicas mais completas até hoje. Inicialmente, ela abre com um arpejo de guitarra antes de sucumbir a texturas sintetizadas e baterias eletrônicas. Vernon é incrivelmente doce e apresentável em sua entrega vocal, ao passo que o instrumental faz você se sentir solitário de uma maneira maravilhosa. Em “Hey, Ma”, ele flutua entre seu falsete e um tom quase latente. Ele canta sobre o desejo de chamar um lugar de lar quando está preso, e sabe como transmitir o vazio através de sua voz. Vernon resume isso no segundo verso: “Eu estava tramando as drogas / Eu esperava que tudo não passasse de um minuto / Com o passado que você conhece / Eu queria que tudo isso importasse, querida, eu quero que tudo seja meu”. O vazio leva à solidão e, à medida que nos entregamos à ela, há pouco a se fazer além de ligar para sua mãe. Assim como “For Emma, ​​Forever Ago” (2008) descreveu um coração partido há uma década, “Hey, Ma” detalha uma devastação muito mais pessoal para efeito similar. Mas é uma faixa que se distancia da produção espessa que tem sido assinatura do Bon Iver. Embora pareça exuberante, é um pouco mais suave do que suas faixas mais antigas. A canção possui uma mistura caracteristicamente serena de sintetizadores que flutuam até que eles sejam eventualmente impulsionados pela bateria. “Durante todo o tempo você fala do seu dinheiro”, ele canta no refrão. “Enquanto vive em uma mina de carvão / Ainda está em tempo, ligue para sua mãe / Ei, mãe, ei, mãe”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.