Review: Beyoncé – HOMECOMING: THE LIVE ALBUM (2019)

É um documento importante da performance do Coachella, com uma engenharia cuidadosa que deixa cada faixa com uma lucidez impressionante. Além disso, “HOMECOMING” surpreende pela proeza técnica.

Lançado em 17 de abril de 2019 e gravado em abril de 2018 no Coachella Valley Music, “HOMECOMING: THE LIVE ALBUM” apresenta a totalidade da performance da Beyoncé no festival, que desde então tem sido descrito como “histórico” por vários críticos e meios de comunicação. Duas faixas bônus – um cover de “Before I Let Go” e “I Been On” – seguem a gravação ao vivo, levando a duração do registro para quase 2 horas. O álbum acompanhou um filme sobre a performance, que estreou no mesmo dia na Netflix. Alguns álbuns ao vivo podem ficar por conta própria sem recursos visuais. Mas “HOMECOMING” da Beyoncé não é um deles. É, afinal, o mais abrangente lançamento ao vivo da Beyoncé até hoje: cerca de 40 músicas que cobrem todas as facetas de sua carreira, desde as Destiny’s Child até o inovador “Lemonade” (2017). No que agora se tornou seu método padrão, “HOMECOMING” foi lançado em uma noite de quinta-feira; no aniversário de um ano do “Beychella”, que incluiu um palco em formato pirâmide com mais de 200 dançarinos e músicos. Parecido com o “Amazing Grace” (1972) da Aretha Franklin, o “HOMECOMING” chegou com uma contrapartida visual, outro estilo que se tornou sinônimo de Beyoncé. Entre a edição perfeita, a inclusão cuidadosa das filmagens dos ensaios e o desempenho radical, temos uma infinidade de citações de ícones negros como Nina Simone, W.E.B. Dubois, Alice Walker e Maya Angelou.

O álbum se destaca do filme, no entanto, de tal forma que pede para ser examinado como o seu lançamento definitivo. Poucos discos ao vivo são tão frescos e poderosos como o “HOMECOMING”. Mas vindo da Beyoncé, isso não deve ser uma surpresa. Uma das coisas mais interessantes é que, mesmo que esteja no auge, ela ainda pode nos surpreender. Beyoncé possui material mais do que suficiente para preencher um show de 2 horas, mesmo que faixas como “6 Inch” ou “Beautiful Liar” fiquem de fora. Até mesmo os melhores lançamentos da Bey têm seus momentos duvidosos, como o conceito instável do “I Am … Sasha Fierce” (2008), mas o “HOMECOMING” é todo perfeito. Por um lado, há a banda escandalosa e uma completa seção de metais. Ouça o refrão de “Freedom” e diga se você não se arrepiar. A mixagem dos instrumentos é consistente, nítido e, acima de tudo, legível. “HOMECOMING” é equilibrado com precisão, um álbum ao vivo que não requer um reajuste constante do botão de volume. Palmas, pisões e todas as delicadas notas são apresentados com exatidão e nada pode ser ofuscado. “Formation”, com seu sintetizador saltitante, metais, baixo e chimbais, soa completamente exuberante. As músicas são invertidas e desbotadas uma sobre a outra com uma concisão impressionante. Ouça o turbilhão de “7/11”, que equilibra a Beyoncé com a participação do público, e uma infinidade de faixas de hip-hop ao vivo, tudo sem perder uma única nota.

A logística do “HOMECOMING” é realmente surpreendente. Dito isto, posso afirmar que “Don’t Hurt Yourself” é melhor ao vivo. Ouvi-la entrando com a frase, “quem diabos você pensa que eu sou?”, vai lhe dar arrepios. Em termos de clímax, “HOMECOMING” alcança o objetivo: “I Care” é o tratamento central, e embora não seja a única balada da tracklist, Beyoncé e sua equipe a entregam com um tensão real. A música precede “Partition”, uma das melodias mais sexy da cantora – uma canção que inclusive poderia ter entrado no “Lemonade” (2017). O canto da Beyoncé é gutural, imaculado e clássico; completo com assobios e muitas acrobacias vocais. Em homenagem ao seu estilo vocal em constante evolução, o “HOMECOMING” possui uma reunião completa das Destiny’s Child. Você pode ouvir o volume do público aumentar quando a letra de “Say My Name” entra em cena. Sem surpresas, parece que elas nunca se separaram. A reunião pode ser um puro fan-service, mas sua dinâmica prova que cada música é imbuída de algum tipo de atualização; até mesmo “Mi Gente”. “HOMECOMING” não é apenas um álbum ao vivo excepcional, é uma declaração para as mulheres negras. É uma apresentação de artistas talentosos, exibidos orgulhosamente nas arquibancadas da universidade para o mundo ver. O álbum e o filme são uma oportunidade, uma chance para aqueles ignorados na juventude, convenientemente em um palco ao lado da Beyoncé. Depois dessa apresentação no Coachella, ela redefiniu o conceito sobre os festivais de música.

  • 93%
    SCORE - 93%
93%

Favorite Tracks:

“Crazy in Love” / “Formation” / “Drunk in Love”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.