Review: Bazzi – COSMIC (2018)

Lançamento: 12/04/2018
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: iamcosmic / Atlantic Records
Produtores: Andrew Bazzi e Rice N Peas.

Apesar de ter um sucesso tão cativante como “Mine”, o primeiro álbum do Bazzi é básico, desbotado e mal desenvolvido. Muitas ideias apresentadas aqui são mal cozidas e extremamente clichês.

Aestrela em ascensão, Andrew Bazzi, nascido em 28 de agosto de 1997, conhecido profissionalmente apenas como Bazzi, é um cantor americano mais famoso pelo hit “Mine”. A faixa se tornou um sucesso depois que virou meme da internet através do uso de um filtro do Snapchat. Atingiu o número #11 da Billboard Hot 100 e apareceu em várias outras paradas mundo à fora. Ele nasceu em Michigan, começou a tocar guitarra muito novo e ganhou popularidade através do Vine entre os anos de 2013 e 2015. Em 12 de abril de 2018, ele lançou o seu primeiro álbum de estúdio, “COSMIC”. O repertório é formado por dezesseis faixas, sendo que nenhuma possui duração superior a três minutos. É um projeto totalmente desenvolvido e produzido por ele, com apenas uma assistência de Rice N Peas. A maioria das músicas do álbum se concentra nas experiências de Bazzi com garotas e a fama. As letras são sentimentais e a maior parte aborda temas comuns e relacionáveis para o público mais jovem. Muitas das músicas são simplistas e extremamente semelhantes, mas mesmo assim funcionam. “COSMIC” não é musicalmente impressionante, mas é um registro muito fácil de ouvir. A brevidade das músicas faz o repertório se sobressair – embora seu estilo e tom se tornem repetitivos.

A produção do álbum é cativante, embora as pausas dramáticas de “Mine” tenham sido usadas com grande frequência. “COSMIC” é o resultado de mais de dois anos de trabalho e, aparentemente, muito esforços foram gastos. Para um álbum de estreia, é bastante simples. E está claro que o Bazzi conhece a si mesmo e que tipo de som quer produzir. Musicalmente, o disco apresenta uma mistura de pop, R&B, lentas baladas e faixas de ritmo acelerado que fluem com facilmente. Embora simplista no estilo musical, a direção do álbum parece intencional e atinge os mais jovens. É tão sonhador e atmosférico quanto o título sugere. O tom das guitarras combina bem com as batidas que ele co-produziu com o duo Rice N Peas, que também recebeu crédito de produção no segundo álbum do rapper G-Eazy. Embora a maior parte das músicas sejam liricamente clichês, Bazzi encontrou uma maneira de prender sua atenção. Na contagiante “Soarin”, ele apresenta uma peça romântica e sexual, alimentada por bebidas. Curiosamente, sobre um pano de fundo exultante, Bazzi reconhece sua juventude e comportamento selvagem. “Myself” te atrai com sua batida básica, linha de baixo e a nota alta que introduz o refrão. Ademais, a forma como o teclado é utilizado me fez lembrar do R&B do início dos anos 2000.

Aqui, ele não está sendo narcisista, mas evita o drama e negatividade em sua vida. Assim como “Dreams” e “Soarin”, o assunto é testado e bem apresentado. “Star” fornece vocais exuberantes e é estimulada por uma produção brilhante que mantém as coisas relativamente modestas. Liricamente, é uma música genérica sobre apreciar uma garota como se ela fosse uma “estrela”. Ele também canta sobre como poderia trazer suas fantasias para a realidade e dar-lhe a vida que ela gostaria. Enquanto isso, “3:15” reflete sobre sair de Michigan e deixar sua namorada, uma pessoa que ele parece se importar profundamente. O cantor está preso em seus pensamentos e não consegue esquecer as memórias do passado. Embora Bazzi não seja eloquente ou poético, podemos dar-lhe um crédito pela honestidade lírica. “Honest” o encontra expressando sua decepção por sua ex-namorada manter um relacionamento com seu melhor amigo. Naturalmente, ele reflete sobre as melhores partes de seu relacionamento e pondera por que as coisas não deram certo. A maneira como a música incha e se torna dramática e melancólica no refrão é o que toca o ouvinte. Bazzi frequentemente faz referências à drogas e bebidas no álbum, mais especificamente na introspectiva “Mirror”.

Uma canção que inicialmente apresenta uma melodia básica no piano, mas que posteriormente se desvia das letras superficiais das outras faixas. Aqui, Bazzi está reflexivo e confuso – lutando contra seus pensamentos e identidade. Apesar dele não ser específico, ficou claro que “Mirror” trata-se de uma luta interna. Ele está tentando escapar dos pensamentos em sua cabeça e odeia não saber qual é o seu propósito. “Eu não sei o que estou procurando / Eu não sei mais o que dizer / Não chamaria isso de triste, eu não chamo de loucura / Algo não está certo / Eu não quero mais me sentir assim”, ele canta. A empolgante batida e o sintetizador elegante de “Gone” entram em contraste com a faixa anterior, e mostra seu estilo de vida e clima festivo. Apoiado por um pano de fundo eletrônico, Bazzi cita várias coisas da Califórnia e retrata-se arrogantemente como o “grande homem no campus”. Ele canta sobre como deixou o seu velho eu para trás e como seu novo estilo de vida o transformou como pessoa. Falando de sexo, “Cartier” exagera um pouco quando diz: “Nada em você quando está nua / Exceto uma pulseira Cartier / Sua silhueta através do chuveiro / Fodo com você 24 horas por dia”. Felizmente, a suavidade de sua voz deixa a música mais refrescante. O título de “Beautiful” nos dá uma noção do que as letras irão abordar. Bazzi ama tudo sobre uma garota e obviamente ele diz o quanto acha ela linda.

Ele faz algumas referências sexuais, mas que vão além do contato físico. Apesar das letras demasiadamente clichês, é uma canção muito agradável de se ouvir. “Mine” é a peça central do “COSMIC”, porque trata-se do single que gerou atenção para Andrew Bazzi. A música se tornou um meme da internet depois de ganhar popularidade no final de janeiro de 2018. É uma canção extremamente melódica, infecciosa e romântica. Apesar de ser relativamente simples e breve – ultrapassando pouco mais de dois minutos – é uma faixa muito cativante. “Apenas deite comigo, passe esta noite comigo / Você é minha, não consigo não olhar pra você, eu só quero dizer que”, ele canta no contagiante refrão. Há um maior cuidado na produção de “Mine”, desde o arranjo elegante aos sinos e a harpa vibrante, portanto é compreensível o seu sucesso. No geral, a música do Andrew Bazzi é cativante, mas também pode receber outros três adjetivos: básica, desbotada e vazia. Ele é um bom intérprete para melodias e possui uma voz agradável, mas muitas das ideias apresentadas aqui são mal cozidas e carecem de um caráter distinto. “COSMIC” é um daqueles álbuns em que você almeja algo melhor desenvolvido. Eu definitivamente acho que se o Bazzi conseguir sustentar seu ímpeto e desenvolver suas composições, ele terá potencial para fazer algo grande.

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Favorite Tracks:

“3:15” / “Beautiful” / “Mine”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.