Review: AWOLNATION – Here Come the Runts

Lançamento: 02/02/2018
Gênero: Rock Alternativo, Rock Eletrônico, Indie Rock
Gravadora: Red Bull Records
Produtor: Aaron Bruno.

Provavelmente, você conhece a banda AWOLNATION por causa do hit “Sail”, single que fez muito sucesso em 2013. Esta canção foi retirada do álbum de estreia da banda, “Megalithic Symphony” (2011), que já faz sete anos que foi lançado. Dando continuidade ao este disco, certificado como platina pela RIAA, AWOLNATION lançou o seu segundo álbum, “Run”, em 2015. Aaron Bruno liderou a produção, escrita e gravação, e forneceu sensações mais rústicas com elementos de country e blues. Posteriormente, o vocalista Bruno passou o ano de 2016 produzindo o novo álbum da banda em seu estúdio caseiro, situado em Los Angeles, Califórnia. “Here Come the Runts”, o terceiro álbum do grupo, é marcado por um profundo mergulho no indie-rock moderno. Este registro é basicamente dividido entre baladas e músicas de rock contagiantes, ambas partes apresentadas com igual atenção aos detalhes. Através de uma mistura nebulosa de acordes de guitarra distorcidos, riffs galopantes, arranjos limpos e sintetizadores crus, Aaron Bruno, Isaac Carpenter, Zach Irons, Daniel Saslow e Michael Goldman nos apresentam quatorze faixas.

Nos mesmos moldes do LCD Soundsystem, mas não com a mesma consistência e eficiência, AWOLNATION também nos mostra uma cuidadosa combinação de rock e música eletrônica. Algo parecido com o que eles fizeram em “Sail”, o seu maior sucesso até então. A faixa de abertura, “Here Come the Runts”, é muito bem concebida e faz exatamente isso. Logo de cara alguns sintetizadores e adequados vocais direcionam tudo para frente. Mas é uma canção experimental com mudanças de ritmo, batidas repentinas e guitarras dimensionais. O primeiro single, “Passion”, possui muitas guitarras nos ganchos, à medida que os versos são conduzidos por uma simples percussão e melodia vocal. Já “Sound Witness System” é mais focada em encontros românticos do que o entusiasmo pela vida. Considerando a cadência vocal e o tom de Bruno, parece que ele está tentando fazer rap. Mas, não dá para negar que é uma música estranha com certas influências de hip-hop. “Miracle Man”, o terceiro single do álbum, é provavelmente um dos destaques. Quando Bruno repete o título em grande velocidade, a música fica mais frenética e divertida.

Com uma breve influência no surf-rock dos anos 50, acordes distorcidos e interessantes licks de guitarra, “Miracle Man” consegue mostrar mais do talento criativo da banda. “Handyman”, por outro lado, é uma das faixas mais discretas, com guitarra acústica e letras confessionais. Como primeira balada do repertório, ela cumpre o seu papel. Embora os vocais de Aaron Bruno não impressionem, os estrondosos tons de assinatura da banda estão presentes no refrão. “Jealous Buffoon” e “Tall, Tall Tale” chamam atenção por serem muito divertidas, contagiantes e animadas. “Jealous Buffoon” pega emprestada a estrutura simplista de “Passion”, é emparelhada com falsetes e possui uma sensação nostálgica que lembra os anos 80. “Tall, Tall Tale”, por sua vez, fornece riffs corajosos inspirados pelo blues-rock e alguns dos melhores vocais do Bruno. Na sétima faixa, “Seven Sticks of Dynamite”, a voz do vocalista também atinge novas alturas. Um número emocionante emparelhado com falsetes e uma instrumentação esparsa.

“Table for One” parece tentar seguir pela mesma rota de “Handyman”, com cordas, tambores e foco nos vocais. No entanto, possui um refrão confuso e estridente onde a voz de Aaron Bruno não ficou bem colocada. Felizmente, a próxima faixa, “My Molasses”, compensa esta pequena deficiência, pois é uma música agradável e ligeiramente melódica. Depois da paisagem sombria e abordagem instrumental de “The Buffoon”, o álbum encerra com “Stop That Train”. Uma faixa com mais de 6 minutos de duração excessivamente ambiciosa. Aqui há espaços para mudanças mais complexas de ritmo e estilo, com linha de baixo, rugidos de guitarras, tons de orquestra e potente percussão. “Here Come the Runts” fornece um passeio selvagem durante 45 minutos que, mesmo sendo muito irregular em determinados momentos, encerra de forma satisfatória. É uma boa oferta musical, constantemente sustentada pela paixão das letras de Aaron Bruno. É um disco vibrante e poderoso que evoca nostalgia e lembranças, enquanto explora uma variedade de temas líricos.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.