Review: Avicii – TRUE (2013)

Lançamento: 13/09/2013
Gênero: EDM, House, Folktronica, Country, Bluegrass
Gravadora: Island Records
Produtores: Arash Pournouri, Tim Bergling e Nile Rodgers.

“TRUE” foi o auge do Avicii, um DJ que estará para sempre no coração dos amantes da música eletrônica. Sua criatividade pode parecer inconsciente, mas é inegavelmente otimista e inspiradora.

Em 20 de abril de 2018, o mundo perdeu um dos DJs mais talentosos dos últimos anos. Tim Bergling foi encontrado morto em Muscat, Omã, e deixou órfão uma legião de fãs ao redor do globo. Bergling nasceu em 08 de setembro de 1989 em Estocolmo, na Suécia, e inspirado por seu irmão que também era DJ, começou a fazer música aos 16 anos de idade. Em 2007, sob o nome artístico Avicii, ele assinou um contrato com o selo Dejfitts Plays. Depois de alguns anos, passou a ganhar destaque com os singles “Levels” e “Silhouettes”. Seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “TRUE” (2013), foi divulgado dois anos depois. O álbum apresentava um som EDM misturado com elementos outros gêneros musicais, como o folk, country, soul, rockabilly e bluegrass. Diferente da cativante “Levels” e magnífica “Silhouettes”, o disco era mais experimental e sintético. Através deste projeto, Avicii mostrou algo mais pessoal e suas principais influências e preferências musicais. “TRUE” (2013) possui suas falhas, como a inclusão de alguns preenchimentos genéricos, mas também inclui uma interessante mistura de música eletrônica e country. Sem dúvida, o fator mais agradável do álbum é o seu persistente desejo em misturar as coisas. Talvez por isso que Avicii tornou-se uma das figuras mais divisivas da nova safra de DJs. Sua ascensão relativamente rápida à fama fez ele ser uma grande referência no cenário EDM. Além disso, no começo de sua carreira alguns críticos o consideravam um pouco ambíguo, pois era um artista muito mainstream para ser taxado como underground, e muito underground para ser mainstream.

Impulsionado pelo enorme sucesso de “Wake Me Up”, que tornou-se um dos singles mais vendidos da memória recente, “TRUE” (2013) foi um registro muito aguardado. Uma música folktronica com letras interpretadas pelo cantor americano Aloe Blacc. Fortemente influenciada pelo country e soul, “Wake Me Up” define o tom para todo o álbum. Ela mostra claramente as influências que aparecem em boa parte do repertório. Juntos, Avicii e Aloe Blacc conseguiram criar um dos maiores hinos crossover da década. Inicialmente abrindo com um riff de guitarra acústica, “Wake Me Up” é eletrizante e apresenta uma cativante melodia e progressão de acordes. Embora seja principalmente country e folk, o refrão transita fortemente pelo EDM. A letra da canção é boa por si só, mas misturada com a batida cativante resultou numa mistura perfeita. “Então, acorde-me quando tudo isso acabar / Quando eu for mais sábio e mais velho / Todo este tempo eu estava procurando por mim mesmo / E não sabia que eu estava perdido”, Blacc canta no refrão. Lançada como segundo single, “You Make Me” é bem mais focada e fiel à música eletrônica. Suas credenciais dançantes são apresentados pela voz de Salem Al Fakir ao lado de batidas sintéticas e um frenético piano. O outro grande hit do álbum, “Hey Brother”, é a combinação perfeita para “Wake Me Up”. Uma canção house com elementos de folk e bluegrass, com outro daqueles enormes potenciais crossover.

Depois de “You Make Me”, este single leva as coisas de volta para o folk e sons guiados pela guitarra acústica. Um número edificante conduzido por dedilhados de guitarra e vocais de Dan Tyminski. “Heeey, brother / There’s an endless road to re-discover / Heeey, sister / Know the water’s sweet but blood is thicke”, quem nunca cantou esse trecho infeccioso. A berrante voz de Dan Tyminski injeta uma grande profundidade às letras e instantaneamente nos leva para as raízes do folk americano. Após o poderoso refrão, há um drop de sintetizadores e forte presença do house-progressivo. Apesar de ser a música mais curta do repertório, com apenas 2 minutos e 28 segundos de duração, “Addicted to You” é uma das mais agradáveis. Uma canção inicialmente emotiva e sensual que, posteriormente, transforma-se em uma grande faixa dance-pop. A cantora country Audra Mae interpreta letras sinceras, enquanto Avicii faz o que sabe fazer de melhor. Ele adiciona uma batida ao ritmo viciante, ao passo que ela exala um canto soulful e imaculado. “TRUE” (2013) possui muitas influências country e folk, mas também há faixas completamente EDM. “Dear Boy” e “Liar Liar”, por exemplo, são canções tradicionais de house-progressivo semelhantes à musicalidade de “I Could Be the One”. Enquanto “Dear Boy” é uma longa oferta eletrônica, “Liar Liar” é provavelmente a faixa mais entediante do registro.

“Shame on Me”, por outro lado, possui influências de rock e fornece novamente vocais de Salem Al Fakir. Em seguida, Adam Lambert canta as letras e Nile Rodgers toca a guitarra em “Lay Me Down”. Uma faixa de house-progressivo e funktronica com fortes influências de nu-disco. É uma peça dançante, pesada e relativamente obscura. “Deite-me na escuridão / Diga-me o que você vê / O amor está onde o coração está /Mostre que sou o único / Diga que sou o único que você precisa”, Lambert canta no refrão. Em “Hope There’s Someone”, elementos de dance misturam-se hipnoticamente com vocais de Linnea Henriksson. É um cover da banda canadense Antony and the Johnsons lançada originalmente em 2005. Avicii transformou um pop-barroco numa faixa house dirigida por um piano e vocais assombrosos de Henriksson. “Heart Upon My Sleeve”, por sua vez, é outro cruzamento que prospera pela fusão de sons acústicos, violoncelos e eufóricos elementos de dance. Enfeitada por arranjos de cordas cinematográficos, esta faixa encerra o álbum. Como um todo, “TRUE” (2013) aborda diferentes tipos de sons, mas Avicii não deixou que ele se transformasse numa bagunça sonora. Pelo contrário, o DJ permaneceu leal às suas raízes e criou várias canções crossover. Na época, ao combinar habilmente diferentes gêneros, ele abriu uma porta completamente nova para o EDM. Embora o álbum nem sempre seja bem-sucedido, é um material que permaneceu fiel aos princípios do sueco. “TRUE” (2013) foi o auge de Tim Bergling, um DJ talentoso que estará para sempre no coração dos amantes da música eletrônica!

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Favorite Tracks:

“Wake Me Up” / “You Make Me” / “Hey Brother”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.