Review: Angel Olsen – All Mirrors

Aparentemente, Angel Olsen gravou duas versões diferentes de seu novo álbum – um mais despojado e cru, e outro com arranjos mais elaborados. A faixa-título será claramente uma das maiores peças do repertório. Drapeada com sintetizadores aveludados e arranjos de cordas, “All Mirrors” é, pelo menos em termos de som, cortada de um tecido diferente. O que não mudou foi sua habilidade incomum para melodias crescentes, que recebem uma dose adicional de drama e mistério com o vídeo de inspiração sci-fi. A maneira como ela canta “pelo menos eu pensei que me conhecesse” parece devastadora. Originalmente, Angel Olsen planejava um lançamento duplo para “All Mirrors”, mas a ideia foi descartada.

Depois que completou a versão solo com Michael Harris, ela começou a trabalhar em outra versão com John Congleton. Trata-se do seu primeiro álbum em três anos, após a divulgação do aclamado “MY WOMAN” (2016). Ao criar essa música, ela encontrou um novo som e voz, uma explosão de fúria misturada com auto-aceitação. Se a faixa-título for alguma indicação, ela promete levar o álbum para novas alturas. Olsen recrutou uma orquestra de quatorze peças para transformar suas composições em algo mais amplo e massivo.

Essa canção expande suas ideias enquanto as envolve com um inchaço de sintetizadores dos anos 80 – que cresce mais orquestral à medida que a música se desenrola. Claro, ainda há aquele vibrato singular e frases aparentemente simples que se expandem sobre a incapacidade de amar. Prismático e assombroso, “All Mirrors” vê Angel Olsen em um estado profundamente auto-reflexivo. Inicialmente, após a explosão do órgão, parece uma reminiscência de “Intern”; mas posteriormente “All Mirrors” se mostra totalmente diferente. Sintetizadores e percussão explodem sobre a riqueza dos arranjos de cordas. O ímpeto destrutivo é de tirar o fôlego e, embora parte de seu poder seja inesperado, ela transmite uma resposta elegantemente melancólica. A seção intermediária, onde os sintetizadores adquirem uma intensidade orquestral, é quase apocalíptica – há também amostras distorcidas, violinos e linhas de baixo. “All Mirrors” vai além das nuvens, sentindo-se incognoscível e infinita. Uma peça grandiosa e visionária, maior do que qualquer coisa que ela tenha feito antes.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.