Review: Adam Lambert – Ghost Town

Álbum: The Original High
Lançamento: 21/04/2015
Gênero: Eurodance, House
Produtores: Max Martin e Ali Payami
Compositores: Sterling Fox, Max Martin, Ali Payami, Tobias Erik Karlsson e Adam Lambert.

Desde que surgiu no American Idol em 2009, Adam Lambert já lançou três bons álbuns de estúdio e participou de eventuais turnês com a banda Queen. Em 2015, ele retornou após um hiato de 3 anos com um novo trabalho chamado “The Original High”, seu terceiro LP que foi precedido pelo lançamento do single “Ghost Town”. Para a produção da música, o cantor juntou-se a Max Martin e Ali Payami, dois grandes produtores que cooperaram para a mudança do seu estilo musical. Adam Lambert já havia insinuado que o seu novo álbum ia ser “mais escuro” do que qualquer coisa que já havia feito anteriormente. E, rapidamente, notamos isto nesta canção, que já é um dos melhores singles do cantor até à data.

“Ghost Town” é uma mistura insana de folk, dance e house, que funcionou muito melhor do que podíamos imaginar no papel. Nesta pista ouvimos Lambert empurrando quaisquer fronteiras de gêneros que ele se restringia, misturando uma variedade de estilos e recusando-se a seguir habituais tendências. Aqui, ele e seus produtores combinaram um house com uma melodia escura e letras sombrias, que falam sobre morte e sofrimento, criando assim, uma canção pop minimalista que não deixa de ser sensual. A música é pesada, triste e um verdadeiro lamento sobre a perda e falta do amor. Inicialmente, ela começa com riffs simples de guitarra acústica e versos suaves que mostram a voz de Lambert um pouco mais contida. Na sequência, um apito infeccioso aparece e dá uma guinada para a sua grandeza.

Viciante e cativante, essa linha de apito ficará grudada em sua cabeça instantaneamente. O refrão, em constraste com os versos despojados, são executados com o apoio de um teclado e uma vibe synthpop. O refrão surpreende por conter apenas uma linha, enquanto o seu restante é formado puramente por instrumentos eletrônicos. “Meu coração é uma cidade fantasma / Meu coração é uma cidade fantasma”, ele canta aqui. Uma das principais características do cantor é a sua capacidade de criar um equilíbrio em tudo que faz e, novamente, ele conseguiu um bom equilíbrio tematicamente e musicalmente. Sem dúvida, o contraste entre os versos acústicos e o refrão house atua como característica definidora de “Ghost Town”.

“Não há ninguém restante no mundo / Estou atirando / Pouco me importo se eu for / Para baixo baixo baixo / Tenho uma voz na minha mente que fica cantando”, na ponte ele entrega linhas que traz o tipo de ferocidade que canções como essa necessitam. Adam Lambert é conhecido principalmente por seu alcance e potência vocal, mas adequado a vibe e tema desse single, percebe-se que ele recua um pouco nesta característica, a fim de deixar as palavras e instrumentos fazerem seu próprio impacto. Pode se dizer, por conta disso e outros aspectos, que “Ghost Town” é sua canção mais experimental e seu movimento mais ousado até o momento. A colaboração com Max Martin, aparentemente, funcionou de forma clara para preparar esse terreno. A música também dá uma boa ideia do que você pode encontrar no álbum “The Original High”, experimente ouvi-lo.

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São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Laércio Barbosa

    AMO