Review: 5 Seconds of Summer – Youngblood (2018)

Lançamento: 15/06/2018
Gênero: Pop
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Andrew Watt, Louis Bell, Andrew Wells, Andrew Goldstein, Mike Elizondo, Carl Falk, Rami Yacoub, Sir Nolan, Kristoffer Fogelmark, Albin Nedler, Jake Sinclair e Dan Book.

O terceiro álbum da banda 5 Seconds of Summer surpreende pelo novo som proposto. O quarteto australiano saiu da zona de conforto, reestruturou sua música e amadureceu.

5Seconds of Summer, formada por quatro integrantes australianos, alcançou a fama no início de 2013 ao acompanhar o One Direction em sua turnê. Sua música explodiu após o lançamento do álbum auto-intitulado de 2014, que alcançou o primeiro lugar na Austrália e Estados Unidos. Depois que terminaram a “Sounds Live Feels Live World Tour”, os membros da 5 Seconds of Summer decidiram redefinir seu som e redescobrir seu foco musical. Em busca de novas inspirações, Luke Hemmings, Calum Hood, Ashton Irwin e Michael Clifford foram para Los Angeles e trabalharam ao lado de um conjunto eclético de produtores. Eles se redescobriram artisticamente e recriaram seu som. A banda se ramificou e mergulhou numa ampla gama de estilos, mas sempre mantendo seu espírito animado e cativante. A 5SOS sempre teve um grande apoio dos fãs desde sua ascensão em 2013, e no lançamento do seu tão aguardado terceiro álbum, “Youngblood”, não foi uma exceção. Certamente, a banda dividiu a opinião dos fãs quando lançou o primeiro single, “Want You Back”. Mas conseguiu colocar lá no alto as expectativas para o álbum. Felizmente, “Youngblood” satisfaz os fãs de longa data e atrai um novo público para o quarteto.

O que ressurgiu neste ano foi uma banda tentando algo novo, e inspirando-se numa variedade de eras e artistas, tais como Tears for Fears e The Police. Tendo passado a maior parte dos últimos dois anos relaxando, a banda também passou extensos períodos em estúdio, a fim de criar algo diferente do seu pop-punk atrevido. Além do som, o que diferencia este álbum dos outros dois anteriores é o lirismo amadurecido. O resultado final é uma banda quase irreconhecível. Um pouco mais rude e reservada, mas também igualmente divertida e cativante. Cada música tem uma vibe própria, incluindo as diferentes experiências individuais que cada membro trouxe para o processo de produção e escrita. As linhas de base do Calum Hood prosperam em faixas como “Youngblood”, enquanto a guitarra do Michael Clifford brilha em “Lie to Me” e “Talk Fast”. Inesperadamente, as habilidades de canto de Ashton Irwin está no centro do palco durante a antiquada “Empty Wallets”. Por fim, Luke Hemmings torna-se a grande estrela, graças aos ótimos vocais. Este álbum prova que a 5 Seconds of Summer não tem medo de correr riscos, mesmo que sejam tão jovens. É um registro coeso por si só, enfeitado pelo glitter da maravilhosa década de 80.

A faixa-título, “Youngblood”, explora um novo som com apoio de sintetizadores pulsantes, bateria eletrônica, baixo, guitarra e um refrão poderoso. É uma canção que inicia lentamente com simples dedilhados de guitarra, antes de fornecer leves camadas de percussão e sintetizador. Quando a linha de baixo aparece no refrão, você começa a se acostumar com a nova direção da banda. A melodia up-tempo e o baixo contundente fazem o refrão ser muito bem-sucedido. É difícil você não se envolver com a batida altamente rítmica. Hemmings está conseguindo ter mais controle da sua voz, assim como parece mais cru e contido. Através das letras, o cantor analisa um relacionamento que chegou ao fim, apesar dele não conseguir dizer adeus. Embora seja um tema romântico, você consegue notar a dor e frustração em torno da sua voz. “Diga que você me quer, diga que você me quer fora da sua vida / E eu sou apenas um homem morto rastejando hoje à noite / Porque eu preciso disso, eu preciso disso o tempo todo”, ele canta no refrão matador. A sensação que a banda cria no pré-refrão constrói toda a força necessária para o refrão. Na superfície, “Youngblood” parece uma canção leve e animada, mas à medida que você analisa o conteúdo com mais cuidado, percebe que as letras sugerem o contrário.

É uma canção synthpop energética muito bem produzida por Andrew Watt. Em suma, a produção é experimental, rítmica e bem pegajosa. Lançada em 22 de fevereiro de 2018, “Want You Back” foi o primeiro gosto que os fãs tiveram do álbum. Embora o pop-punk da banda seja agradável e tenha rendido faixas cativantes, como “She Looks So Perfect” e “Amnesia”, este novo single sugeriu uma nova direção sonora. É uma música totalmente pop com uma energia renovada que sugere uma maturidade recém-descoberta em meio a tons emocionais e melancólicos. Os membros agora já possuem seus vinte e poucos anos, e certamente isto refletiu em seu som. Se comparado com “She’s Kinda Hot”, o primeiro single do seu último álbum, “Want You Back” possui um tom realmente diferente. Dessa vez, eles optaram por usar menos guitarras elétricas em favor de um estilo pop com piano, melodias sintetizadas e riffs mais leves. O refrão interpretado em falsete marca uma evolução e novo conceito para o grupo. É um número mais polido, fresco e radio-friendly, que os vê distanciando-se de suas raízes pop-punk. “Não importa quanto tempo você se foi, eu sempre vou querer você de volta / Eu sei que você sabe que nunca vou superar você”, Hemmings canta no refrão.

Liricamente, ele relembra de uma ex-namorada e deseja vê-la novamente. Enquanto isso, a down-tempo “Lie to Me” é uma reminiscência melancólica de amores do passado. Com vocais de Hemmings e Hood, esta faixa inclui linhas extremamente honestas. “Eu sei que não, mas se eu te perguntar se você me ama / Eu espero que você minta para mim”, eles cantam. Ambos estão tristes vendo uma ex-namorada com outro homem. Na primeira escuta, “Lie to Me” parece um pouco derivada, talvez porque lembra o pop do início dos anos 2000. Mas o seu tom agridoce e a forma como os vocais foram distribuídos, fazem dela uma peça particularmente agradável. É uma faixa curta caracterizada por um ritmo adequado, bateria eletrônica e arranjos de sintetizadores. Destaque para a linda e comovente melodia do refrão. Em seguida, “Valentine” apresenta uma introdução doo-wop e, mais tarde, muda para algo completamente diferente. O balanço sensual dos versos são cobertos por harmonias em camadas, brilhantes sintetizadores e uma moderna percussão. É a primeira faixa que contém vocais isolados de outros membros, incluindo do guitarrista Michael Clifford.

É uma faixa experimental atada por órgãos apertados, uma sensual linha de baixo e natureza sombria que lembra o duo Twenty One Pilots. A produção geral é diferente de qualquer coisa que a 5 Seconds of Summer já lançou. “Talk Fast”, uma das minhas faixas favoritas, começa com uma guitarra contagiante infundida pelos anos 80. Inspirada pela banda The Police, mostra uma vasta gama de influências da banda. A vibração oitentista acompanha letras que detalham um breve romance. “Fale rápido, romance / Não vai durar, eu estou bem com isso / Incendeie, quebre, romance”, eles cantam no viciante refrão. Os riffs de guitarra, bateria eletrônica e os sintetizadores criam um efeito muito eficiente. Em outras palavras, “Talk Fast” é uma verdadeira joia escondida no álbum. Em seguida, “Moving Along” oferece um ritmo funky preenchido por poderosos acordes e um grande volume na bateria. Aqui, Calum Hood se pergunta no primeiro verso: “É estranho que eu esteja bêbado no meu sofá? / É estranho que eu esteja nu no meu sofá? / Sozinho, droga, eu queria não ter te conhecido”. A premissa da música não é a suposta nudez do Hood, mas sim a melancolia causada pela solidão. O tom geral da música é alto, animado e formado principalmente pela bateria eletrônica e elementos acústicos.

Essa mistura causa um grande contraste, mas a ranhura funky consegue equilibrar as coisas. A próxima faixa, “If Walls Could Talk”, contém sugestões de disco-music e, inesperadamente, alguns elementos de R&B. Co-escrita por Julia Michaels, o aspecto lírico é otimista e possui uma certa carga de profundidade. Após os acordes da guitarra e o piano do pré-refrão, temos um refrão funky bastante energético. O acúmulo causado pelo pré-refrão, prepara o terreno para vocais singa-long e os poderosos riffs de guitarra elétrica do refrão. A banda continua mantendo o bom ritmo com a suave “Better Man”, uma das músicas mais positivas do repertório. Ela começa com um melódico riff de guitarra, antes de mudar o rumo no pré-refrão. “Com seu amor, seu amor, eu sou um homem melhor, melhor”, eles cantam no delicioso refrão. É uma canção refrescante e equilibrada com alguns acenos para o reggae. É elevada principalmente pelo ritmo sincopado da guitarra, percussão e da simples linha de baixo. Liricamente, 5SOS fala sobre se tornar uma pessoa melhor para aquele que você ama. Em seguida, os anos 80 retornam através dos sintetizadores de “More”, uma faixa intensa dominada por linhas melódicas e riffs distorcidos de guitarra.

É uma das faixas mais pesadas e elegantes do registro, uma vez que combina o electropop com o espírito punk da banda. Certamente, parece ter sido inspirada pela banda Fall Out Boy, tanto que os vocais de Hemmings estão cheios de angústia no refrão. Sobre a euforia eletrizante da instrumentação, o foco das letras permanece nos relacionamentos amorosos. A décima faixa, “Why Won’t You Love Me”, é uma jornada down-tempo com uma batida pulsante e uma dose de falsetes. Hemmings e Irwin co-escreveram as letras desta canção com Rivers Cuomo, o líder da banda Weezer. Embora o conteúdo lírico seja um pouco clichê, ela possui uma sensibilidade otimista e fornece um final eufórico. Enquanto isso, “Woke Up In Japan” faz um misto de sintetizadores e guitarras a fim de criar um pop-rock genérico. Enquanto Luke Hemmings narra a ausência do seu interesse amoroso, a música não possui nada distinto. “Eu acordei no Japão / Me sentindo pra baixo, me sentindo solitário / O melhor que eu já tive / Estava mais do que meio vazio”, ele canta no refrão. Em outras palavras, é uma faixa ignorável que apenas retrata a solidão do vocalista. A penúltima faixa, intitulada “Empty Wallets”, abre com teclas de piano, antes que um baixo entre em ação.

A bateria desperta algumas influências de hip-hop, mas é o refrão que traz de volta a energia dos álbuns anteriores. Enquanto o piano acompanha o pré-refrão, encontramos falsetes e sintetizadores de baixa frequência no refrão. A aridez da voz de Michael Clifford ouvida no refrão amplifica a essência punk dessa faixa. A balada “Ghost of You” pode ser considerada uma reminiscência de “Amnesia”, single do primeiro álbum da banda. Entretanto, as letras demonstram que a 5SOS amadureceu suas composições. Essa canção reflete sobre um amor do passado com um grande senso de maturidade. A emoção dessa música é bastante pontiaguda e direta. O rescaldo de um relacionamento que acabou é composto por três minutos muito bem trabalhados. Um riff de guitarra abre a canção e emite algumas sensações de emo e pop-punk, enquanto toda a música parece uma valsa melancólica. A nostalgia exalada por essa música pode arrepiar qualquer ouvinte, ao passo que há letras como: “Somos tão jovens, tão burros pra saber de coisas como o amor / Mas eu sei melhor agora, melhor agora”. Embora seja um final sombrio para um álbum tão energético quanto esse, “Ghost of You” é uma das faixas mais autênticas e significativas.

A versão deluxe do álbum ainda possui mais três faixas: “Monster Among Men”, “Meet You There” e “Babylon”. Esta última é a que mais se destaca, pois é uma canção ardente que faz uma mistura de vários gêneros. Centrada em torno das consequências destrutivas de um relacionamento, ela é conduzida principalmente pela guitarra. As nítidas influências do Fall Out Boy e Good Charlotte são cheias de tensão, ao passo que os vocais estão incrivelmente fortes. O conceito por trás da música, emparelhado com o ótimo refrão, é realmente atraente. “Youngblood” é um álbum que exagera em temas como o amor e relacionamento, mas longe de se sentir forçado. A banda aproveitou o hiato de três anos para amadurecer e reestruturar seu som. E, enquanto há músicas no álbum que não me convenceram totalmente, é um grande passo a frente. É um registro que mostra claramente a mudança de estilo, qualidade e som. O quarteto australiano se reconstruiu e voltou mais forte do que nunca. Eles saíram da zona de conforto, correram riscos e criaram um álbum extremamente ousado. Afastando-se do pop-punk, os garotos da 5 Seconds of Summer pavimentaram um novo caminho para o futuro. “Youngblood” é brilhante, extremamente divertido e, de alguma forma, conseguiu mostrar a maturidade recém-descoberta da banda.

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Favorite Tracks:

“Want You Back” / “Valentine” / “Talk Fast”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.