Review: 30 Seconds to Mars – America

Lançamento: 06/04/2018
Gênero: Eletrônica, Pop
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Tommy English, KillaGraham, Jared Leto, Robopop, Jamie Schefman, Yellow Claw e Zedd.

“America” é um álbum confuso que apresenta a versão mais acessível da banda 30 Seconds to Mars. Dessa vez, Jared Leto foi acompanhado por batidas programadas e sintetizadores que não combinam com seus gritos.

Produzido pelo vocalista Jared Leto ao lado de Yellow Claw, Zedd, Robopop e outros, o novo álbum da banda 30 Seconds to Mars, chamado “America”, representa uma mudança drástica no rock-alternativo de seus discos anteriores. Dessa vez, eles vieram com uma estética pop e eletrônica, enquanto pintam uma imagem colorida dos Estados Unidos. Foi descrito pela banda como um álbum conceitual que explora temas como política, sexo e fama. Ele foi reforçado por uma campanha de marketing que chamou a atenção. Foram liberadas capas com palavras associadas à cultura e vida americana. Foi algo interessante usado como divulgação, porém, destaca o primeiro problema com este álbum. O marketing utilizado não está diretamente ligado com o conteúdo do registro. Foi uma divulgação pesada, mas que não teve o retorno merecido. Baseado no título, eu achava que as letras eram significativas e falavam explicitamente sobre o estado atual dos Estados Unidos. Entretanto, tudo o que temos aqui são linhas descartáveis e superficiais. Dito isto, “America” é talvez o pior álbum da carreira da 30 Seconds to Mars. Para começar, o envolvimento da banda foi bastante limitado na melhor das hipóteses.

Há uma grande falta de guitarras em qualquer lugar deste álbum. 30 Seconds to Mars passou pelo metal-progressivo, rock-alternativo e agora trabalha com o pop e a música eletrônica. Para aqueles que estão procurando por um hit casual de rock, com certeza se decepcionará. O primeiro single, “Walk on Water”, é um rock-eletrônico com um som maciço onde uma religiosidade velada aparece. É uma música polida e cheia de auto-tune, que parece um retorno para a era “This Is War” (2009). Aqui, os vocais do Jared Leto foram divididos sobre repetidas batidas processadas e auto-ajustes. Há uma sensualidade escondida em “Dangerous Night”, faixa produzida pelo DJ Zedd. Essa canção, juntamente com “Rescue Me”, fornece a primeira evidência real do abandono dos sons tradicionais da 30 Seconds to Mars em prol de uma abordagem mais sintética. Batidas eletrônicas fornecem o principal pano de fundo para os vocais de Leto. Em “Rescue Me”, os elementos eletrônicos aparecem por toda parte, mas principalmente durante o refrão. A produção de “One Track Mind” é elegante, moderna e liderada por sintetizadores e elementos eletrônicos. Jared Leto parece equilibrado no primeiro verso e exibe um tom vocal rico.

Durante o refrão relativamente simples ele mantém a mesma postura. Infelizmente, a presença de A$AP Rocky não adiciona qualquer valor de reprodução. Isso nos leva ao instrumental “Monolith” e, em seguida, para a sensualidade explosiva de “Love Is Madness”. Um dueto boring entre Jared Leto e a cantora Halsey. Abordando uma religiosidade, assim como a faixa de abertura, “Great Wide Open” vê o cantor jurando que ele é o Diabo. “Eu juro por Deus, eu sou o diabo / Levante as mãos para o céu e louve”, ele canta. Enquanto isso, há um tema político embutido nas batidas de “Hail to the Victor“. Uma música um pouco mais interessante, porém, com os mesmos clichês encontrados nas outras faixas. Quedas instrumentais, aplausos e chimbais inspirados no trap, são algumas das coisas encontradas por aqui. Curiosamente, uma das poucas faixas de destaque do repertório é justamente aquela que não possui vocais do Jared Leto. “Remedy” é um número acústico encomendado pelo bateria da banda, Shannon Leto. “America” é um álbum que carece de convicção e é completamente desprovido de personalidade e originalidade. Um registro prejudicado por sua produção opressiva e cercado de maus experimentos. É uma coleção que mostra que a 30 Seconds to Mars está se distanciando cada vez mais de suas raízes.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.