Review: 2 Chainz – Rap or Go to the League (2019)

Lançamento: 01/03/2019
Gênero: Hip hop, Trap
Gravadora: Gamebread / Def Jam Recordings
Produtores: 2 Chainz, LeBron James, 30 Roc, 9th Wonder, Anthony Evans, ATL Jacob, B Clark, Buddah Bless, Cardiak, Cardo, Da Honorable C.N.O.T.E., Datboisqueeze, Dem Jointz, Dez Wright, FKi 1st, GYLTTRYP, Hitmaka, Jabz, Mike Dean, Mike WiLL Made-It, DJ Mustard, Paul Cabbin, Pharrell Williams, Rob Holladay, Terrace Martin, WondaGurl

2 Chainz investiga ainda mais sua vida pessoal, e continua tão afiado quanto em seus últimos lançamentos. Não significa que as músicas sejam melhores; elas apenas renderizam uma imagem mais completa dele – uma na qual ele tem trabalhado.

O“Rap or Go to the League” é uma adição fascinante ao catálogo do 2 Chainz. Onde “Pretty Girls Like Trap Music” (2017) ajudou a impulsionar sua arte, imbuindo seu trabalho com a autenticidade de um visionário, este novo álbum o encontra inspecionando sua história com um tom autoritário. A retrospectiva e a perspectiva da vida são instrumentos necessários do arsenal do rapper. É válido dizer que sua destreza como MC refletiu em sua evolução. Como um rapper que cresceu nas ruas de College Park, Geórgia, 2 Chainz conseguiu levar sua maturação ao mainstream. Dada a tendência pessoal de 2 Chainz para a riqueza, não é de admirar que o “Rap or Go to the League” seja pródigo em sua estética sonora. Os instrumentais possuem um brilho notável e são baseados principalmente em amostras. Como tal, uma fascinante justaposição é criada entre a produção e o material em questão. As histórias sobre as ruas não parecem tão angustiantes quanto as batidas meticulosamente projetadas – sem menosprezar as experiências pessoais do 2 Chainz. Na verdade, a dualidade entre o disco anterior e o atual cria um lembrete tangível no seu progresso. Quando ele recita a última faixa, intitulada “Sam”, está em cada lado da cerca. Nesse sentido, a narrativa do “Rap or Go to the League” se desdobra em métodos surpreendentes.

Nesse sentido, 2 Chainz é um contador de histórias admirável, embora consideravelmente suscetível ao minimalismo. Em alguns casos, suas representações são rígidas e bem realizadas. O par de faixas que abrem o repertório estão entre as mais simples, com “Forgiven” refletindo sobre o homicídio do filho de Lil Fate. “Minha cabeça doendo, as palmas das mãos começaram a tremer, sujas e flagrantes”, ele dispara de forma caracteristicamente descontraída. Nesta faixa, interpretada pelos impressionantes vocais da Marsha Ambrosius, 2 Chainz também fala abertamente sobre a vida nas ruas. Há uma maneira de distanciar sua estratégia lírica de qualquer natureza emocional problemática. Ele é claramente assombrado pelos capítulos mais sombrios de sua vida, apesar de saber que tais experiências formaram sua persona. Suas frases são dificilmente embotadas. Músicas como a excelente “NCAA” o vê abordando o tema dominante do álbum. Uma faixa de alta energia que faz algumas críticas apropriadas: “Deixe-me ver se entendi, se eu largar 40 hoje / Você não se importa se eu comer, você não se importa se eu comesse / Eles dizem: é melhor você ter uma boa nota como um cabelo misto de bebê / Eles dizem: nós vamos para o torneio, vamos precisar de você lá”.

As letras mostram um novo foco nas questões sociais e são coerentes com o título do álbum. Além disso, “NCAA” possui a direção produtiva mais interessante do projeto, já que incorpora um solo de guitarra. 2 Chainz foi capaz de se desenvolver em várias medidas – ele normalmente preenche suas declarações com um tom bastante pungente. Às vezes, as ideias cambaleiam quando ele aparece no pico de uma reflexão fascinante, enquanto seu estilo funciona em seu benefício. Há uma coisa que precisa ser mencionada sobre a autobiográfica “Statute of Limitations”, que o encontra refletindo sobre os tempos que promovia artistas como Lil Jon, Young Buck, Raekwon e Rick Ross. A natureza descarada de sua escrita fala de sua credibilidade e respeito entre seus amigos. Dessa vez, ele alterna entre a batida e a simples melodia de piano para mergulhar no passado. Ademais, ele também apresenta duras realidades da vida quando canta em “I Said Me”. Aqui, ele explica o porquê tinha que dizer à filha que era um traficante de drogas. Mas nem tudo é escuro e pesado, pois há faixas agitadas como “Money in the Way”, “Momma I Hit a Lick” – com a versatilidade de Kendrick Lamar – e “Rule the World”, um número de R&B com vocais de Ariana Grande.

Como MC, 2 Chainz é constante e sabe como flexionar – trazendo técnicas boas o suficiente para seu ofício. No “Rap ou Go to the League”, ele fala sobre suas experiências de vida, crimes do passado, arrependimentos e novas responsabilidades como um homem de família. O título refere-se às duas escolhas oferecidas aos jovens negros, se quiserem escapar da armadilha; rap e esporte ou o tráfico de drogas. Esse LP tem tudo o que você poderia querer de um álbum de rap moderno. O lirismo do 2 Chainz é agudo, seu fluxo impecável e sua narrativa bem vívida. O rapper, anteriormente conhecido como Tity Boi, começou a se aprofundar no hip-hop mais socialmente consciente e, consequentemente, está oferecendo um som cada vez mais maduro. “Rap ou Go to the League” é uma vitrine evolutiva de um artista que parece mais focado no legado do que no momento. Nesse sentido, 2 Chainz contribuiu para um álbum cativante e igualmente inteligente, através do alcance dos seus longos anos de carreira. Uma presença suscetível o suficiente, ele fornece uma missão satisfatória em seu quinto álbum de estúdio. Apesar dos picos não chegarem a alturas tão elevadas quanto o “Pretty Girls Like Trap Music” (2017), esse registro continua sendo uma adição muito bem-vinda ao seu catálogo.

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    SCORE - 76%
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Favorite Tracks:

“Money in the Way” / “NCAA” / “Run the World (feat. Ariana Grande)”.

São Paulo, profissional de Recursos Humanos, apaixonado por músicas, filmes, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.