Resenha: Zedd – True Colors

Lançamento: 15/05/2015
Gênero: EDM, House
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Zedd, Rock Mafia, KDrew e Botnek.

Anton Zaslavski, mais conhecido por seu nome artístico Zedd, é um DJ e produtor musical russo-alemão de 25 anos. Zedd nasceu em Saratov, Rússia, mas mudou-se para a Alemanha muito cedo, com apenas três anos de idade. Ele é um músico de formação clássica, que começou a tocar piano aos quatro anos de idade e bateria aos doze. Entre suas produções para outros artistas, temos canções como “Beauty and a Beat” (Justin Bieber), “G.U.Y.”, “Aura” e “Donatella” (Lady GaGa) e “Break Free” (Ariana Grande). No geral, ele produz principalmente músicas do gênero EDM, com influências de house progressivo e dubstep. Em 2012 lançou o seu primeiro disco, que gerou sua canção de maior sucesso até à data, “Clarity” com vocais da cantora inglesa Foxes. Foi inclusive esta música que rendeu o primeiro Grammy Award da sua carreira, na categoria “Best Dance Recording” em 2014. Na indústria da música, o segundo álbum, muitas vezes, pode significar bastante coisa. Enquanto um disco de estreia coloca o nome do artista na boca do povo, é o segundo que realmente pode firmar o seu nome na indústria. Logo, acredito que Zedd tinha isto em mente quando lançou o álbum “True Colors”, dois anos e meio depois do álbum “Clarity”. É um registro formado por um total de 11 faixas lançado em 15 de maio de 2015 pela Interscope Records.

Ele apresenta colaborações de Selena Gomez, Jon Bellion, Troye Sivan, Logic, Botnek, Echosmith, Bahari e X Ambassadors. Musicalmente, Zedd sempre foi evidente na forma como produz músicas despojadas e atraentes. Portanto, nesse novo disco, não poderia ser diferente. Aqui encontramos temas como amor, dissoluções, diversão, entre outros, performados sobre enormes e fortes batidas. Mas também temos neste álbum várias faixas desconexas, que seguem direções opostas e colaboram para deixar o repertório um pouco incoeso. O álbum abre com “Addicted to a Memory”, faixa que apresenta a cantora Bahari e seduz com uma inesperada melodia. A canção tem uma estrutura familiar, onde Zedd faz uma fusão entre ricos instrumentais, eletro-house e serenos vocais. Ela inicia lentamente, com Bahari destacando-se sobre uma guitarra acústica e um ambiente suave, enquanto explora liricamente um profundo amor. Entretanto, logo depois, a música cai sobre uma tangente desconcertante e dissonante. Um teclado pretensioso, sintetizadores e uma constante linha de baixo surgem e deixam a música um tanto quanto barulhenta. Isso traz a sensação de que a segunda metade da canção parece não se encaixar bem com a primeira. A segunda faixa é “I Want You to Know”, primeiro single do álbum caracterizado pelos vocais de Selena Gomez. Inicialmente, essa canção aparenta ser bem fraca e lembra muitas outras produções de Zedd.

Zedd (1)

Porém, depois de mais algumas escutas, a música consegue crescer em você graças a sua cativante melodia. É uma pista EDM com um certo excesso de auto-tune, onde Selena Gomez consegue colocar uma certa dose profundidade e emoção em sua voz. O único problema nos vocais é que muitas vezes acabam sendo dominados pela alta produção da música, o que transmite a sensação de que a cantora não foi feita para cantar EDM. A produção se supera principalmente pelas fortes batidas e a linha inicial de sintetizador. A letra parece ter uma química verdadeira, com a cantora mostrando que se recuperou do desgosto amoroso da música “The Heart Wants What It Wants” e se permitindo ter um novo amor. Gomez canta no infeccioso refrão: “Eu quero que você saiba, eu sou só sua / Você e eu somos a mesma força / Eu quero que você saiba, esta é a nossa hora”. Curiosamente, a música foi lançada quando Zedd e Selena estavam namorando, mas aparentemente eles não estão mais juntos. A terceira faixa, “Beautiful Now”, foi a primeira do álbum que eu gostei logo na primeira escuta. Ela apresenta o cantor americano Jon Bellion nos vocais, é incrivelmente melódica e mergulha em um cativante house progressivo. Os “ba, ba, ba-ba, bah!” cantados com enorme entusiasmo grudam imediatamente na cabeça, enquanto seu lirismo é uma verdadeira celebração do que é o amor.

Em seguida, Zedd segue com algo inesperado ao adicionar um pouco de hip-hop na faixa “Transmission”. Nessa pista temos a presença do rapper Logic e da banda de rock alternativo X Ambassadors, que trabalharam bem em conjunto com o DJ. Também é uma canção inspirada pela disco music, composta por bons sintetizadores, uma intensa batida e uma linha de baixo atraente. O seu refrão é sólido, melódico e move-se ao redor das linhas: “Você nunca é muito jovem / Você nunca é muito jovem / Nunca é muito jovem, nunca é muito jovem para morrer”. O álbum mantém o ritmo com “Done with Love” e apresenta os fortes vocais de Jacob Luttrell que, a propósito, não foi creditado na música. É um número sobre uma pós-relação com uma forte composição e instrumentos avassaladores. No geral, a linha de baixo infiltra uma energia cintilante à música, na mesma medida que entrega um refrão emocionante e uma repartição explosiva de sintetizador. Enquanto isso, a faixa-título, “True Colors”, é o momento mais sombrio do registro, que consegue captar uma melancolia latente. Ela nem soa como uma canção de Zedd, talvez por causa da performance angustiante de Tim James, co-fundador da Rock Mafia.

Zedd

“Straight Into the Fire” contribui para a crise de identidade que paira sobre o álbum. É uma pista que inicia com arpejos de sintetizador antes de estourar em uma entrega vocal absolutamente energética e em êxtase da cantora Julia Michaels. A filtragem descolada de Zedd na melodia colabora para dá à música uma peculiaridade, mas a mesma passa longe de ser um destaque. Logo depois, o DJ encontra motivações orquestrais para construir e entregar a canção “Papercut”. Essa é uma notável balada que apresenta a voz suave do novato, porém talentoso, Troye Sivan. Conduzida por um piano, uma bela melodia e batidas house, essa canção tem a capacidade de imbuir esperança, tristeza e ao mesmo tempo uma euforia temporária. Aqui Zedd foi profundo nas suas raízes clássicas para criar uma peça quase que cinematográfica. Seu único contratempo é a exagerada duração, que chega a ultrapassar os 7 minutos. Para realizar a faixa “Bumble Bee”, Zedd reuniu-se com o duo canadense de eletro-house Botnek. Sem dúvida essa música é a que tem a abordagem mais agressiva do álbum. Sua produção é cheia de energia, jogada em um bassline pesado que a difere totalmente das melodias doces que grande parte das músicas do álbum possuem. Para mim, é um destaque.

A penúltima faixa, “Daisy”, por sua vez, possui uma sensação orquestral por causa das cordas de seus violinos. Ela é interpretada novamente por Julia Michaels, que a conduziu com uma sensibilidade pop agradável. Os elementos sintetizados, a linha de baixo e a energia rotineira de Zedd também marcam presença nesta faixa. Para encerrar o disco, o DJ convidou Sydney Sierota, vocalista da banda Echosmith, para cantar uma canção de desgoto amoroso chamada “Illusion”. Sierota flexionou sua versatilidade vocal adequadamente nesta música, ao passo que Zedd acrescentou um arranjo viciante. Ele impressionantemente incorporou o piano de uma forma consistente que acabou por criar algo que beira o trance e o house progressivo. No geral, “True Colors” atravessa corretamente a linha entre o pop e a música eletrônica. Zedd esforçou-se para colocar todas as suas influências aqui, começando exatamente onde parou no “Clarity”. Encontramos bons vocais no decorrer de 11 faixas, que vão e vêm dentro da estética EDM com apelo pop. Cada canção parece ser sincera em busca da musicalidade do DJ, mesmo que algumas sirvam apenas como faixa de enchimento. Como um todo, o registro tem suas falhas e carece de coesão, mas essas adversidades não são tão graves a ponto de inviabilizar as faixas em potencial. Ou seja, embora “True Colors” não seja seu melhor trabalho até à data ou um grande álbum de EDM, mostra claramente o quanto Zedd é brilhante no que faz.

62

Favorite Tracks: “I Want You to Know (feat. Selena Gomez)”, “Beautiful Now (feat. Jon Bellion)”, “Transmission (feat. Logic & X Ambassadors)”, “Done with Love”, “Papercut (feat. Troye Sivan)” e “Bumble Bee (feat. Botnek)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.