Resenha: ZAYN – Mind of Mine

Lançamento: 25/03/2016
Gênero: R&B Alternativo, Pop
Gravadora: RCA Records
Produtores: Levin Lennox, Malay, MYKL, Alan Sampson e XYZ.

Em março de 2015, Zayn Malik resolveu deixar o grupo One Direction, a fim de focar em outro projetos. Depois de quatro meses, ele assinou com a gravadora RCA Records e começou a desenvolver o que viria a ser o seu primeiro álbum solo. Seu single de estreia, “Pillowtalk”, foi direto para o topo das paradas assim que foi lançado. Com o público ansioso para o álbum, Zayn lançou “Mind of Mine” em 25 de março de 2016 sob a pressão de ser bem sucedido. Embarcar em carreira solo, depois de fazer parte de uma boy-band, é um movimento arriscado. Mas, felizmente, com este álbum, Zayn conseguiu mostrar maturidade e crescimento como artista. Em “Mind of Mine” encontramos o cantor abandonando quase inteiramente o estilo pop-rock do One Direction, em busca de um R&B alternativo semelhante ao de artistas como Frank Ocean e The Weeknd. Embora existam faixas up-tempo no disco, Zayn brilha principalmente em canções mais lentas sobre o amor. O R&B explorado por ele é realmente polido e bastante sedutor.

A faixa de abertura, “Mind of Mindd (Intro)”, possui cerca de 58 segundos de duração e serve como trabalho de preparação para o álbum. “Abra e veja o que está dentro da minha / Minha mente”, ele canta repetidamente. Não há nada de espetacular nessa introdução, entretanto, a sua simplicidade impressiona. Uma faixa misteriosa, com fortes teclas de piano, vocais em falsete, bateria sintetizada e demais efeitos sonoros. A faixa seguinte, “Pillowtalk”, lançada como primeiro single do álbum, foi uma ótima maneira de Zayn começar a sua carreira solo. Foi esta faixa que deixou todos animados para o lançamento do “Mind of Mine” e, consequentemente, provou ser um dos melhores números encontrados aqui. Com esta música, Zayn quebrou qualquer vínculo que ainda tinha com o One Direction, visto que tudo aqui é sobre sexo. Ele fornece linhas simples, que fazem uma combinação do prazer e dor do sexo. É uma música suave, com um conteúdo fortemente romântico e íntimo.

“Então, iremos irritar os vizinhos (…) / Sim, comportamento imprudente / Um lugar que é tão puro, tão sujo e cru / Ficar na cama o dia todo, cama o dia todo, o dia todo / Transando com você e lutando / É o nosso paraíso e é a nossa zona de guerra”, ele canta no refrão. “Pillowtalk” é uma faixa de R&B alternativo, uma verdadeira slow jam, com batidas pesadas, influência eletrônica e um ótimo instrumental. A melodia e vocais são sólidos e o conteúdo lírico maduro. A guitarra, fortemente distorcida, é um dos seus principais elementos. Tanto musicalmente quanto liricamente, é uma faixa que permite comparações com o cantor The Weeknd. “It’s You”, terceira faixa, é um dos momentos mais vulneráveis do registro. Ela começa suave, minimalista, lenta e totalmente relaxante. “Ela tem, ela tem, ela tem / Seus próprios motivos / Para falar comigo / Ela não, ela não, ela não / Dá a mínima / Sobre o que eu preciso”, ele canta. Aparentemente, é uma faixa madura sobre um término de namoro.

Em “It’s You”, Zayn se afasta ainda mais do som pop do One Direction e se move complemente em direção ao R&B. Previsivelmente, é uma música comparável ao estilo de Frank Ocean, uma vez que foi produzida por Malay (produtor do álbum “Channel Orange”). Aqui, ele mostra mais dos seus vocais, ao alcançar notas altas e exibir o seu falsete. Sua voz soa macia e suave, enquanto a simples batida adiciona uma atmosfera relaxante. O refrão é escuro, simples e apoiado pelo piano e instrumentos de corda. A adição da guitarra elétrica antes da ponte, sem dúvida, injeta uma maior dinâmica. “Befour”, quarta faixa, é um som R&B, quase impulsionado pelo funky, completamente diferente da faixa anterior. Ela fala sobre os problemas enfrentados pelo cantor no final da turnê do álbum “FOUR” do One Direction. Dessa forma, Zayn tenta relatar as experiências vividas pouco antes de sua saída do grupo. Ouvindo as letras você realmente percebe que naquela época ele realmente não estava satisfeito com a sua vida.

Zayn

“Befour” é bem cativante e mais up-tempo que as faixas anteriores. Possui ótimos tambores e uma boa melodia, enquanto ele atinge notas bem altas um pouco antes da ponte. Embora o refrão seja agradável, o seu ponto negativo é o desnecessário zumbido ao fundo. A próxima faixa, “She”, parece ter sido escrita sobre o término do seu namoro com Perrie Edwards da girl-band Little Mix. “Ela está gritando que me ama / Segurando minhas mãos para que eu não a solte / Pois ela não quer ficar sozinha / Ela diz “só quero que você me abrace / Nas luzes brilhantes, ela desaparece / Parece tão natural, ela é louca”, ele canta no pré-refrão. É outra música cativante, com elementos necessários para ficar presa na cabeça do ouvinte. Musicalmente, é uma canção que nos remete a velha escola do R&B da década de 1990, algo que lembra algumas canções do cantor Usher. É guiada principalmente por uma leve percussão, baixo e elementos eletrônicos. Possui um sulco muito atraente, enquanto o tom é bastante sexy e o ritmo descolado.

Semelhante as duas faixas anteriores, “Drunk” mantém as suas raízes fortemente presas a ritmos pop e R&B. É extremamente suave e até mais cativante que as duas citadas. Apesar da sugestão dada pelo título, é uma canção de amor lenta e sugestiva: “Tarde da noite, olhos vermelhos / Amnésia, eu preciso de você”, ele canta inicialmente. O R&B suave de “Drunk” concentra-se em olhar para trás, a fim de resgatar um amor de verão: “Estivemos bêbados durante todo o verão / Bebendo, fluindo e curtindo”. É uma música repetitiva que não chega ao patamar de “Pillowtalk”, mas, por outro lado, não deixa de ser uma oferta interessante. Cantada em urdu, língua nativa do pai de Zayn, “Intermission: Flower” é a segunda canção mais curta do repertório, com pouco mais de 1 minuto e meio de duração. É uma verdadeira homenagem às suas raízes paquistanesas, uma vez que é cantada inteiramente nesse idioma. Traduzindo, ele canta: “Até a flor deste amor florescer / Este coração não encontrará paz / Me dê o seu coração”.

A faixa em si é apenas uma gravação acústica apoiada por simples acordes de guitarra. A próxima faixa, “Rear View”, é uma música bem polida, mas que parece não engatar. Ela é plana demais, estática e não oferece nada de interessante. Não é necessariamente uma canção ruim, entretanto, é quase uma faixa filler. Novamente, Zayn pisa na fronteira entre o pop e R&B, enquanto resgata influências musicais dos anos 1990. Liricamente, ele canta em segunda pessoa e descreve situações onde você faria qualquer coisa por outra pessoa. “Fiquei sabendo de tudo o que você já passou / Parece que você precisa de um amigo, um amigo”, ele declara no refrão. A nona faixa, “Wrong”, com a cantora Kehlani, é o único dueto presente no álbum. É uma canção poderosa, com uma batida viciante e narcótica, e letras apaixonantes. Os dois artistas conseguem harmonizar bem sobre a melodia, conforme cantam no refrão: “Você está procurando no lugar errado o meu amor / Não pense que porque você está comigo isso é real”.

Zayn

Ambos possuem vozes sensuais, que acabaram funcionam bem em conjunto. Impulsionada por uma forte batida, é outra canção sonoramente inspirada em The Weeknd. “Fool for You” é uma faixa que prova que Zayn possui um grande controle vocal. Deixando um pouco de lado certos efeitos sonoros, Zayn consegue fornecer vocais incrivelmente crus e vulneráveis. Assim como “It’s You”, essa canção realmente mostra a beleza de sua voz sem efeitos adicionais. É uma balada linda, despojada, suave, romântica e acompanhada apenas por um piano e bateria. A progressão de acordes à base de piano, ao lado do seu talento vocal, consegue formar toda a ranhura dessa balada. “Pois sou um tolo por você e pelas coisas que você faz”, ele canta de forma apaixonada. Também produzida por Malay, “Borderz” encontra Zayn cantando de forma quase sussurrada. É uma canção extremamente simples, que tenta provar que, muitas vezes, menos pode ser mais. É uma faixa bastante rítmica, que utiliza camadas de melodias sob uma elegante guitarra.

No refrão, a batida de tambor fica mais forte e funciona como um bom complemento para o tom vocal de assinatura de Zayn. Não é um dos destaques do álbum, mas possui uma melodia bastante grudenta. “Truth” é outra canção que parece relembrar os seus dias como membro do One Direction. Portanto, a letra desta faixa contém uma certa carga de profundidade, embora seja simples e repetitiva. “Não vou apontar nenhum dedo, não vou dizer que foi você / Vou deixar a vida agir com o tempo / Na hora certa, você vai ver a verdade”, ele canta misteriosamente no refrão. Sonoramente, é uma das músicas mais refrigeradas do álbum. É uma faixa lenta e hipnótico, e muito diferente de números em potencial como “Pillowtalk”. É uma música de R&B alternativo, em uma leve mistura com funky, extremamente complexa e sonífera. A guitarra ao fundo ajuda a impulsionar a canção, enquanto Zayn canta de forma calma e controlada.

Com um nome de uma bebida energética, “Lucozade”, fala sobre ficar embriagado e fora de si. A letra é bem desconexa e emocional, como o próprio tema pede. E, assim como em outras faixas do álbum, Zayn consegue mostrar com propriedade a sua gama e habilidades vocais. Ele atinge algumas notas altas, enquanto o tom da música sente-se confortável para ele. Embora o refrão não progrida e seja parecido com os versos, “Lucozade” pode ser considerada uma grande canção. É sonoramente brilhante, pois possui um atraente ritmo funky e faz bom uso de sintetizadores. A última faixa da versão padrão é intitulada “TIO”, forma abreviada de “Take It Off”. Igualmente a “Pillowtalk”, essa canção é totalmente sobre sexo, como as próprias letras sugerem: “Eu só quero lhe ver quando você tira tudo / Tira toda sua roupa e quero lhe ver tirando tudo”. Essa canção faz uma mistura sedutora de sintetizadores, ritmos funky e tambores.

O refrão é a parte mais cativante e grudenta, enquanto toda música transita no mesmo território pop e R&B das outras faixas. Zayn Malik sofreu uma certa pressão para o lançamento do seu primeiro trabalho solo, com muitas pessoas comparando sua trajetória com a de Justin Timberlake e a saída do NSYNC. De certa forma, foi uma surpresa ele focar predominantemente em um som R&B. “Mind of Mine” provavelmente convenceu a todos que este é o estilo musical que ele está destinado a fazer. É um disco sólido e equilibrado, com pelos menos quatro ou cinco canções de alta qualidade. Um dos seus poucos problemas é que, assim como tem grandes canções, também possui algumas bem esquecíveis. Felizmente, esses contra-tempos não apagam o êxito conseguido pelos melhores momentos. Portanto, esse álbum é sem dúvida uma ótima estreia para o cantor. Um registro muito bom, se colocarmos na balança que ele foi criado em um curto espaço de tempo.

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Favorite Tracks: “Pillowtalk”, “It’s You”, “Drunk”, “Wrong (feat. Kehlani)” e “Fool for You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.