Resenha: Zac Brown Band – Welcome Home

Lançamento: 12/05/2017
Gênero: Country
Gravadora: Elektra Records / Southern Ground
Produtor: Dave Cobb.

A banda Zac Brown Band, formada no início dos anos 2000, lançou recentemente o seu quinto álbum de estúdio. Intitulado “Welcome Home”, é um disco que abraça um som mais caseiro e orgânico. Enquanto “Jekyll + Hyde” (2015) inclinou-se fortemente para o pop, “Welcome Home” faz a banda retornar ao básico e reconectar-se ao estilo que a fez famosa. Zac Brown Band enfrentou uma dura realidade depois do lançamento de “Jekyll + Hyde”, visto que esse disco a empurrou para fora do seu estilo country-rock. Enquanto o som eclético de “Jekyll + Hyde” parecia favorável, ele desagradou os fãs e principalmente os críticos musicais. Por causa disso, Zac Brown e companhia voltaram ao seu território de origem com “Welcome Home”. Portanto, enquanto o último álbum mostrava uma versatilidade e pisava em novos territórios sonoros, “Welcome Home” fez a banda voltar às suas raízes.

O vocalista e compositor principal, Zac Brown, uniu forças com co-escritores frequentes, como Niko Moon e Ben Simonetti. Enquanto isso, o único responsável pela produção foi Dave Cobb. O principal tema do disco é o lar e a família, um clima pré-definido pelo primeiro single “My Old Man”. Um tributo triste, emocionante e evocativo para o falecido pai de Zac Brown. “O meu velho / Sei que ainda vou o reencontrar / Mas enquanto ele olha pra baixo / O meu velho / Eu espero que ele se orgulhe de quem um sou / Estou tentando ser como ele”, ele canta aqui. Desde o início do álbum, a banda tenta apaziguar o seu público conservador através da faixa “Roots”. Uma homenagem cativante para a família, que prepara o cenário para todo o álbum. Essa canção é construída a partir de simples riffs acústicos, e contém letras como: “Não desista / Espere um pouco mais / O que não te matar / Só te faz mais forte”. “Real Thing” é liderada por um piano e possui um olhar bastante nostálgico.

Ela detalha a importância sobre as coisas mais genuínas da vida, além de possuir um senso comercial. Depois da linda “Long Haul” e seus belíssimos sons de violino, a esperançosa balada “2 Places at 1 Time” detalha as dificuldades que a vida de um músico pode trazer. Liricamente, Zac Brown explora a complexidade de não estar em casa com a sua família. Enquanto “Family Table” injeta uma sensibilidade no álbum ao falar sobre a celebração em família, “Start Over” exala influências refrescantes de salsa e mariachi. Ela foi co-escrita por Pharrell Williams, contém instrumentação espanhola e uma grande vibe caribenha. Na penúltima faixa, “Trying to Drive”, a banda reúne-se com a cantora Aslyn, para depois encerrar o disco com “All the Best”, ao lado de Kacey Musgraves. Essa última é uma das melhores faixas do repertório, uma balada acústica originalmente de John Prine. Sua interpretação despojada conseguiu destacar bem as suaves harmonias entre Brown e Musgraves.

“Welcome Home” possui algumas músicas graciosas, mas a maior parte do álbum soa sem graça e monótoma. Embora o desejo de agradar os fãs seja compreensível, a banda não fez o requisito. Não há qualquer experimentação no seu interior, e as letras soam sinceras e honestas. É um retorno de volta a um estilo que fez a banda se tornar famosa e vender milhões de cópias nos Estados Unidos. Aqueles que se sentiram decepcionados com “Jekyll + Hyde” devem ter gostado da maior parte do álbum. Entretanto, eu particularmente não consegui me conectar com as letras e a forma que Zac Brown conduziu o álbum. Depois da falta de identidade apresentada em “Jekyll + Hyde”, a banda não conseguiu nenhum tipo de inovação com “Welcome Home”. Não consigo considerar esse disco como um passo na direção certa. Pelo contrário, eles parecem ter regredido ao tentar, sem sucesso, recriar o som de qualidade apresentado nos álbuns “You Get What You Give” (2010) e “Uncaged” (2012).

Favorite Tracks: “Long Haul”, “2 Places at 1 Time” e “My Old Man”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.