Resenha: Young the Giant – Mind Over Matter

Lançamento: 21/01/2014
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Fueled by Ramen
Produtores: Justin Meldal-Johnsen.

Young the Giant é uma banda americana formada na Califórnia em 2004, composta por Sameer Gadhia (vocais), Jacob Tilley (guitarra), Eric Cannata (guitarra), Payam Doostzadeh (baixo) e Francois Comtois (bateria). Anteriormente, eles eram conhecidos como The Jakes e só vieram lançar o seu primeiro álbum de estúdio em 2010. A banda se apresentou no Video Music Awards de 2011 e ganhou uma boa exposição em território americano, que serviu como um automotor para o Young the Giant aparecer nas paradas de álbuns e singles da Billboard. Ano passado eles lançaram o seu segundo disco, intitulado “Mind Over Matter”, que possui um total de 13 faixas. Foi produzido por Justin Meldal-Johnsen e lançado através da gravadora Fueled By Ramen. Promovido pelos singles “It’s About Time” e “Crystallized”, o álbum recebeu, em grande parte, críticas favoráveis. Um material elétrico e afiado com uma sonoridade ampla baseada no disco de estreia do grupo. Eles colocaram vários elementos de outros segmentos do rock no repertório, mas enfatizando o rock alternativo.

Isso foi unido ao grande vocal de Sameer Gadhia, que foi capaz de soar tanto suave quanto forte, quando necessário. Ele canta com grande confiança e quase sempre de forma impressionante. A seção rítmica do baterista Francois Comtois e do baixista Payam Doostzadeh continua a fazer as músicas valerem mais a pena ouvir, enquanto todos minimizaram a interação das guitarras duplas em favor de incluir sintetizadores e teclados em suas composições. Com certeza esses elementos eletrônicos incorporados ao longo do álbum deu uma nova metamorfose musical. A instrumentação do primeiro álbum ainda está presente aqui e acabou engrenando bem com essas novas adições. Além disso, as letras e melodias da banda continuam bem ressonantes, combinando bem com o profundamente emocional vocal de Gadhia, que felizmente não mudou. As mudanças no trabalho do grupo para esse álbum foram sutis o suficiente para que os fãs antigos não se sentissem insatisfeitos, na medida que os componentes contemporâneos devem ter atraído uma nova audiência.

No seu melhor, Young the Giant não teve medo de experimentar. A banda foi sabiamente guiada pelo único produtor do álbum, Justin Meldal Johnsen, que já trabalhou com Neon Trees, M83 e Crystal Fighters, e já recebeu 1 indicação ao Grammy Award. Com esse disco, nota-se uma evolução natural deles, que ignoraram certas tendências musicais e não distanciaram-se do seu pacote indie-rock. Logo, como acontece com o primeiro lançamento auto-intitulado, “Mind Over Matter” é carregado por músicas, em sua maioria, bem acessíveis ao grande público. “Slow Dive”, primeira faixa, foi uma escolha corajosa para primeira música do repertório, já que é totalmente instrumental e dura apenas 47 segundos. É um introdução um tanto quanto irrelevante e sem nada de novo a oferecer. Em seguida temos a faixa “Anagram”, que segue com um ousado riff de guitarra, uma dose agradável de sintetizadores e uma bacana melodia. Tem um ritmo bem otimista e mostra um pouco do falsete do vocalista, enquanto o refrão é cativante e alegre.

Young the Giant

Apesar de não ser uma pista, particularmente, de grande destaque, ela consegue introduzir bem a banda e caracteriza os vocais suaves de Gadhia. A sua voz soulful, a propósito, também mostra uma adaptabilidade na mais pesada e agressiva “It’s About Time”, primeiro single do álbum. Essa música se arrasta em direção ao hard rock e ainda possui um arejado refrão. Ela começa com as guitarras e bateria em alta rotação, além de apresentar algumas letras sussurradas e distorções ocaisonais em seu instrumental. O destaque do álbum é, provavelmente, a faixa “Crystallized”, que inclusive foi lançada como segundo single. Essa é uma balada de amor sincera, com uma deslumbrante melodia pop e o primeiro momento do disco onde a banda retorna a sonoridade do álbum anterior. Ela começa, surpreendentemente, com um grito e tem um ótimo acompanhamento da guitarra por toda parte. A fusão de melodias vocais, com uma moderna composição pop e a incrível habilidade para riffs memoráveis, ​​é exemplificado nesta faixa de destaque.

A faixa-título, “Mind Over Matter”, é igualmente bem-sucedida, uma balada que serve como uma ótima vitrine para o alcance vocal de Gadhia. Aqui, ele proclama através de um elegante trocadilho: “E quando as estações mudarem / Você vai ficar ao meu lado? / Porque eu sou um homem jovem, construído para cair”. Nesse ode mid-tempo a banda faz uma ótima introdução e entra em ação com uma agradável linha de sintetizador. Seu refrão é forte e poderoso, na mesma qualidade que Gadhia entrega vocais convincentes alternando-os entre suaves e pesados. A primeira metade do álbum termina com “Daydreamer”, que embora não seja a faixa mais forte do disco é gratificante em sua própria maneira e tem letras muito evocativas. Em termos de ritmo a música em si serve muito bem, mas se sobressai principalmente devido à sua variação vocal. Um dos melhores recursos do Young the Giant tem sido o tremendo poder vocal de Gadhia e aqui isto é enfatizado ainda mais. Ao contrário das outras faixas do álbum, os vocais profundos durante todos versos possuem um efeito de eco ocasional muito bom. O ótimo refrão começa com a linha, “Você é um sonhador, oh oh!”, enquanto ainda há um pesado uso de tambores por toda parte da música.

A banda também dá o seu melhor em alguns dos cortes mais leves do álbum, como ouvimos na faixa “Firelight”. Ela tem uma introdução na guitarra acústica e apresenta vocais mais lentos e suaves. O resultado conquistado foi fazer a música mais doce e emocionalmente impactante do registro. Na ausência de uma linguagem bombástica, algo como esta canção transmite uma emoção genuína. E em um álbum meio sufocado pela alta produção, um momento mais simples como este, é bem-vindo. Sua melodia é bastante linda e o refrão é tão harmonizado que assemelha-se a uma canção de ninar. A segunda metade do álbum abre com “Camera”, uma envolvente e fascinante canção. Essa música tem uma presença e um ritmo que aponta para o quão talentosos são esses cinco caras. Quando eles querem dar o seu melhor, nada os impede e “Camera” é um bom exemplo disso. Inicialmente, ela começa com um som de um órgão sombrio, um instrumento que não é usado novamente no álbum, e uma reminiscência de um canto fúnebre. Isto é apropriado para esta canção que é, obviamente, sobre um casal apaixonado que terminou um relacionamento, com letras indecentes como: “Eu costumava saber o que te deixava molhada / Agora eu estou procurando isso / Porque é um mistério todo igual / Não ter você de volta”.

O começo, meio e fim desta música soam muito diferentes, fazendo parecer que você está escutando três músicas misturadas. Também há um uso pesado de sons estáticos aqui que coopera para torná-la em uma canção singular. O álbum perde um pouco do seu charme em seus momentos finais, como em “In My Home” que, apesar de animadora, é esquecível. Ela começa com gritos de “hey hey hey!” e segue com um ritmo otimista preenchido com sons da bateria e das guitarras elétricas. É certamente uma das poucas canções que revisitam a sonoridade do auto-intitulado álbum, parecendo ser destinada a agradar apenas o seu público mais fiel. “Eros” é uma das poucas canções do álbum que, como “It’s About Time”, utiliza-se de algum subgênero do rock. Com solos de guitarra elétrica, ela afasta-se das canções que os ouvintes estão normalmente acostumados a ouvir do Young the Giant. O seu tom é muito mais divertido do que abertamente sutil, com sintetizadores e uma linha de baixo infecciosa.

Young the Giant

Há alguns elementos que dão mais vida à ela e mostra a banda tocando artisticamente no minuto final da canção, fazendo ela também terminar com uma peça instrumental. Já “Teachers” é, novamente, uma reminiscência dos trabalhos anteriores da banda. Nessa temos o uso de gritos, vocais distorcidos, um sintetizador arrancando e boas guitarras. Este é um dos números mais agressivos e sobrecarregados do álbum, ao passo que explora os desejos obscuros que dificultam a vida das pessoas (“E eu sei que é difícil de ser são / A tentação é tão amigável / Eu preciso desta versão agora / Acho que eu não posso parar de sonhar”). A penúltima faixa, “Waves”, serve como um exemplo perfeito dos tipos de músicas encontradas, no geral, aqui no “Mind Over Matter”. É uma peça com um bom instrumental e também soa como uma combinação de duas ou mais músicas. Com a sua divertida introdução na guitarra elétrica, “Waves” é provavelmente a canção mais melodiosa do repertório e onde Gadhia tem outro chance de mostrar seu falsete. Liricamente, é uma música que se sente como uma confissão ou uma chamada de volta à realidade.

Por último, mas não menos importante, temos a faixa “Paralysis”. Essa tem um ritmo mais rápido do que as demais, além de ser rica na percussão, incluindo o uso de chocalhos e agogôs. É uma faixa rock cativante, que soa familiar e permea pela sensação mais escura encontrada no álbum. Ela termina com uma repetição maníaca de linhas que ecoam sensações de desespero e confusão. Inclusive, a linha “Paralisado! / No chão” é repetida ou outra vez, o que a torna em uma das mais sombrias do disco. Young the Giant é um grupo tecnicamente competente, que, sem dúvida, empolga durante apresentações ao vivo. Grande parte das músicas encontradas nesse mais recente disco deles, é brilhante e mostra que eles tem capacidade de continuar crescendo artisticamente. No geral, “Mind Over Matter” é agradável e polido, porém, também desliza durante alguns números. Determinadas faixas levantam dúvidas e transmitem a sensação de não terem cumprido o propósito que a banda queria alcançar.

É evidente que eles brincaram com o seu som e experimentaram coisas novas, estendendo sua sonoridade para outros limites. Entretanto, de uma forma holística, “Mind Over Matter”, arrasta um pouco, especialmente, em sua segunda metade. Ele simplesmente não consegue manter-se em transe durante todo o tempo. Por outro lado, algumas das coisas que muitos críticos apontaram que faltava no seu álbum estreia, foi apresentado com vigor aqui, o que merece aplausos. A maioria dos riffs do disco são melódicos e cativantes o suficiente, e mostra uma banda explorando mais de sua criatividade. O grupo é talentoso e sabe exatamente o que está fazendo, por isso há pouca razão para pensar que o quinteto não irá crescer em seu próximo esforço. O vocalista Gadhia está mais forte do que nunca em seu ofício, enquanto os outros membros, Tilley, Cannata, Doostzadeh e Comtois também não ficam atrás, realizando performances imprescindíveis em seus respectivos instrumentos.

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Favorite Tracks: “It’s About Time”, “Crystallized”, “Mind Over Matter”, “Firelight” e “Camera”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.