Resenha: Young the Giant – Home of the Strange

Lançamento: 12/08/2016
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Fueled by Ramen
Produtores: Jeff Bhasker e Alex Salibian.

Embora Young the Giant já tenha sofrido de crises de identidade, eles são, sem dúvida, uma banda muito talentosa. Quando o seu álbum homônimo foi lançado em 2011, eles nos agraciaram com um som indie-rock bem energético. Em 12 de agosto de 2016 o quinteto, formado por Sameer Gadhia, Jacob Tilley, Eric Cannata, Payam Doostzadeh e Francois Comtois, lançou o seu terceiro álbum de estúdio. “Home of the Strange” os levam de volta para suas raízes com melodias influenciadas pela música eletrônica e o rock. É refrescante ver uma banda se reinventar de tal forma, em vez de tentar ser uma cópia do Arcade Fire ou Vampire Weekend. O disco segue por uma instrumentação mais complexa e vocais distorcidos. É um registro alternativo de qualidade mais elevada e musicalidade mais amadurecida.

É uma prova de que o grupo conseguiu subir um nível acima do “Mind Over Matter” e encontrou sua identidade como banda. O som do álbum é mais influenciado por elementos eletrônicos, mas eles ainda utilizam suas melódicas guitarras. Desde que “Cough Syrup” e “My Body” os guiaram para o sucesso, eles seguiram por uma fórmula mais ou menos parecida. No entanto, em “Home of the Strange”, o quinteto oferece uma experiência auditiva mais bem-sucedida e envolvente do que qualquer um dos seus discos anteriores. Aqui, há uma mistura de muitos sons diferentes, desde sintetizadores até guitarras funky. As faixas inclinam-se para algo moderno, com uma certa infusão eletrônica e dance. O vocalista e front-man, Sameer Gadhia, mostra sua fineza vocal ao lado de linhas de baixo e riffs acústicos.

Young the Giant

Como seria de se esperar, a produção é muito interessante, uma vez que ficou a cargo de Jeff Bhasker (Kanye West, Mark Ronson, Bruno Mars) e Alex Salibian. A faixa de abertura, “Amerika”, inspirada em um romance de Franz Kafka, fala sobre as viagens pessoais dos membros. Os pais de Sameer Gadhia são imigrantes indianos, enquanto o baixista Payam Doostzadeh é persa-americano. Liricamente, vemos que essa faixa discute as dificuldades dos imigrantes na sociedade moderna americana. Algo corajoso de se comentar, considerando o atual clima político dos Estados Unidos. Gadhia utiliza a maior parte do seu vibrato para entregar linhas distorcidas. Com dinâmicos sintetizadores, tambores e uma linha de baixo, “Amerika” dá as boas-vindas para o álbum. As letras da banda são inteligentes e fornecem algumas observações aguçadas sobre o atual estado do mundo.

O single “Something to Believe In” é introduzido por gritos de “hoo ha”, utiliza aspectos eletrônicos e faz questionamentos sobre crenças pessoais. Essa canção bate com fortes tambores e mostra um pouco da versatilidade da banda para compor. Aqui, guitarras sobem e descem com facilidade, enquanto Gadhia detalha um diálogo com uma voz que simboliza Deus. “E eu disse, você tem que ouvir / Eu sou um pássaro com uma pista de novo / Você me subestima”, ele canta. Sobre camadas de sintetizadores e teclados, Young the Giant começa a encontrar um bom ritmo na sedutora “Elsewhere”. Aqui, Gadhia admite ter medo de crescer: “A criança em mim está em outro lugar na pista de dança”. Embora tenha algum potencial, “Mr. Know-It-All” é um pouco clichê e sentimental demais. Apenas a produção instrumental se salva, em meio as letras confusas.

Diferentes níveis de energia são divididos entre as faixas, como por exemplo na abrasiva “Jungle Youth”. Essa música é mais inclinada para o rock, sob vocais confiantes, ásperas guitarras e poderosos tambores. Em seguida, a banda mostra um lado mais suave durante a faixa “Titus Was Born”. É uma música macia e acusticamente conduzida, onde a voz de Gadhia instala-se numa forma muito eficaz. Ele esforça-se para parecer mais cru, à medida que o seu falsete lembra o Chris Martin do Coldplay. “Repeat”, por sua vez, conta uma história otimista sobre um mundo supostamente encantador e fascinante. “Em algum lugar nas montanhas / Enterrado na neve / A vida cresce debaixo de nós”, Gadhia canta. Ele tenta transmitir uma sensação de liberdade e esperança, algo que muitos imigrantes já experimentaram ao chegar em outro país.

Young the Giant

Logo depois, “Silvertongue” surge com batidas dance, vocais alterados e um refrão cativante. É uma faixa que inclina-se para algo como “The Sound” da banda The 1975. Ela é conduzida por um baixo saltitante, elementos funky e guitarras efervescentes. “Art Exhibit” é outro sutil número acústico, que apresenta um ukelele, batidas de tambor e guitarras. Mais tarde, as influências eletrônicas reaparecem nas faixas “Nothing’s Over” e “Home of the Strange”. Esses elementos criam um som cinematográfico e constrói uma forte tensão sonora em ambas canções. “Nothing’s Over” começa lenta e escura, antes de apresentar uma ranhura apertada e dance. É uma música mais direcionada para o pop, fortemente dependente de um refrão e letras repetitivas. “É mais, nada está acabado / Eu vou crescer quando eu sou mais velho / Só Deus sabe o que eu faria com você”, letras despreocupadas andam lado a lado com o refrão percussivo.

Young the Giant tem uma maneira de fazer músicas calmas e, simultaneamente, embalá-las com energia e melodias incisivas. É evidente que, apesar de às vezes confuso, o seu som está crescendo. Eles se preocupam com os detalhes e sempre preenchem cada espaço sonoro de suas músicas. É uma banda dinâmica, muitas vezes subestimada. Em suma, há boas ideias implantadas no “Home of the Strange”, algo que faltava em discos anteriores. A mistura de sintetizadores com guitarras melódicas é, surpreendentemente, eficaz e convincente. Este é um álbum alternativo bem satisfatório que pode chamar atenção, mesmo com o pequeno declínio na popularidade da banda. A emocionante voz de Gadhia, combinada com a musicalidade e lirismo do repertório, faz o álbum destacar-se.

67

Favorite Tracks: “Amerika”, “Elsewhere”, “Titus Was Born”, “Repeat” e “Silvertongue”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.