Resenha: Young Money – Rise of an Empire

Lançamento: 11/03/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Young Money Entertainment / Cash Money Records / Republic Records
Produtores: Bryan “Baby” Williams, Ronald Williams, Dwayne “The President” Carter, Cortez Bryant, Mack Maine, Aaron O’Brien, The Agency, Big A Music. BMB, ChoppaBoiBeats, David D.A. Doman, Detail, DJ Speedy, Dnyc3, Hagler, Hit-Boy, Jess Jackson, Kemion Cooks, Lee On the Beats, Lex Luger, Noah “40” Shebib, The Olympicks, Omega PJ Morton, The Runners, Sonny Digital e S-X.

“Rise of an Empire” foi o segundo álbum de compilação lançado pela gravadora Young Money Entertainment. Ele contém contribuições de vários artistas, incluindo Lil Wayne, Drake, Nicki Minaj, Tyga, Christina Milian, Shanell, Mack Maine, Jae Millz, Cory Gunz, Gudda Gudda, Lil Twist, Chanel West Coast, PJ Morton, entre outros. O disco foi lançado em 11 de março de 2014 e gravado no decorrer de 2013 e início de 2014. Aqui temos produções de The Runners, Hit-Boy, Noah “40” Shebib, Detail, Lee On the Beats, Lex Luger, Aaron O’Brien, Sonny Digital e muitos outros. Além de contar com participações adicionais de outros artistas, como YG, Meek Mill, Yo Gotti e Birdman. Ele estreou no número #7 da parada da Billboard 200, com vendas na primeira semana de 32 mil cópias nos Estados Unidos. A Young Money Entertainment foi fundada por Lil Wayne em 2005, como uma marca da Cash Money Records e distribuída pela Republic Records. O rótulo já lançou muito discos de enorme sucesso comercial, entre eles o “Tha Carter III” e “Tha Carter IV” do Lil Wayne, “Thank Me Later”, “Take Care” e “Nothing Was the Same” do Drake e “Pink Friday” e “Pink Friday: Roman Reloaded” da Nicki Minaj.

A primeira compilação desta potente gravadora do hip-hop foi lançado em 2009, com o título de “We Are Young Money”, em um momento que tinham estrelas, como Drake e Nicki Minaj, em grande ascensão. Nela havia alguns bons momentos como a atrevida “Every Girl” e a viciante “Bed Rock”, que chegou ao número #2 da Billboard Hot 100. No entanto, “Rise of an Empire” não é tão maravilhoso quanto poderíamos imaginar, visto a grande quantidade de artistas talentosos. Para início de conversa, já é difícil manter uma coesão global em um álbum com tantos artistas presentes. Logo, após uma primeira audição é fácil notar que o disco parece simplesmente um subproduto, com uma certa inconsistência e falta de identidade e criatividade. Muitos dos artistas que participaram do disco “We Are Young Money” ainda estão aqui, embora pouco mudou em relação as verdadeiras estrelas do rótulo. E essas maiores estrelas conseguem brilhar quando aparecem, mas na ausência delas o resto do elenco parece não produzir e deixa o repertório bem instável. Euro e Lil Twist possuem mais aparições que os demais, com Euro inclusive possuindo uma faixa solo.

A abertura do álbum chama-se “We Alright”, que traz uma batida pesada caracterizada por Birdman, Lil Wayne e Euro. Nessa faixa temos um pacote de artistas fazendo um balanço sobre o que exatamente eles acham sobre seu alcance como um coletivo. Aqui, Euro orgulha-se de agora fazer parte de um império do hip-hop: “Eu sou bom, eu me lembro que eu sou bom de vez em quando / Eu estou bem, eu estar gastando tempo com o maior de todos os tempos o tempo todo / E desde que eu estou vivendo a vida a cada noite como se fosse ’99 / Estou à frente do meu tempo eu acho”. Birdman abre o segundo verso fazendo referências a dinheiro, enquanto Lil Wayne tem as rimas mais interessantes, embora não sejam grande coisa. “Trophies”, por sua vez, é liderada por Drake, que pisoteia em cima de uma ótima batida fornecida por Hit-Boy. Sua arrogância auto-evidente e tempestuosa felizmente se encaixou tematicamente ao som do álbum. É sem dúvida uma das faixas em ascensão do repertório, por isso não foi à toa sua escolha para single. A produção de Hit-Boy foi essencial e serviu como um grande pano de fundo para o rap de Drake.

Young Money

“Bang”, com Lil Twist, Euro e Corey Gunz, é uma pista bem trabalhada por Sonny Digital, que sempre faz uma produção maliciosa. Lil Twist é o rapper mais jovem do grupo e aqui se vangloria em seus versos de forma clichê. Já Euro cai em referências à vários “Michaels” logo no início do seu verso: “Às vezes eu acho que sou Michael Jordan, Michael Tyson / Michael Phelps e Michael Jackson (…)”. Ele também faz várias referências a tiros, sexo e, obviamente, dinheiro. Semelhante a Euro, o rapper Cory Gunz não foge ao tema central e também referencia a dinheiro, tiros e drogas, no terceiro verso. Em seguida, “Senil” apresenta os talentos de Lil Wayne, Nicki Minaj e Tyga, sendo de longe uma das melhores coisas que o álbum tem a oferecer. Tyga inicia a faixa com um verso ágil sobre a furtiva e minimalista produção de David D.A. Doman. Nicki Minaj com sua química refrescante entra no segundo verso e se encaixa perfeitamente com os caras. O último verso é de Lil Wayne que também apresenta rimas nomeadamente ágeis. Além de ser um ótimo exemplo de como a música futurista e peculiar da Young Money é hipnotizante, se comparado com a faixa anterior, “Senile” é claramente mais criativa.

Na quinta faixa o rapper Euro tem seu terceiro momento para brilhar na música solo “Induction Speech”. O novo rapper da Young Money, Euro, é inegavelmente um artista com uma presença imperiosa. Mesmo dentro de suas falhas, conseguimos encontrar um cara que demonstra um esforço honesto. Nessa música ele basicamente fala sobre sua chegada ao rótulo e rima sobre uma batida contundente e evocativa: “Eu voei de tarde e pela noite / Eu aterrei o vôo, foi incrível, eu só fiquei acordado e escrevi (…)”. “One Time” apresenta, teoricamente, uma boa tripulação de rappers: Lil Twist e Tyga mais uma vez, com a adição de YG. A sua produção é bastante crua e o gancho principal infeccioso, entretanto, seus versos são de extremo mau gosto com grande objetificação das mulheres. Lil Twist entra tentando demostrar maturidade e peca: “Você sabe o que a vida? / Puta, eu estou vivendo isso (…) / Vejo potencial, sim, você é cheia de / Que seja minha empregada da semana, faça uma centena de prateleiras”. Enquanto Tyga consegue ser tanto arrogante quanto misógino, “Meus manos me avisaram sobre você, tinha que ver o que valia a pena / Isso buceta percorrer um centavo de uma dúzia, você vai ser minha, você sabe disso”. Ao passo que YG consegue ser ainda pior em suas colocações: “Muito dinheiro, eu nunca vou transar com uma senhora gorda / Agora, isso é um fato, baby, senta no meu colo, baby”.

Young Money

A faixa seguinte, “Hittin Like”, apresenta duas mulheres: Shannell, também conhecida como SNL e Chanel West Coast que além de rapper e cantora, é atriz e ganhou destaque por seus papéis em “Fantasy Factory” e “Ridiculousness” da MTV. Apesar de ser faixa bacana, com uma sonoridade old-school, ficou deslocada e soa apenas como uma intenção da equipe em querer incluir uma faixa pop no disco. Produzida por Detail, a eletrizante “Lookin Ass” é uma faixa solo de Nicki Minaj que abre com a introdução: “Olhe para as negas”. É uma canção ousada, com bastante sarcasmo e com o melhor do rap agressivo de Minaj. Está entre os destaques do álbum, uma verdadeira e afiada crítica ao ego masculino, que cita os comportamentos estereotipados comumente associados aos homens. Fora da produção da música, a capa de “Lookin Ass” chegou a gerar polêmica, pois inicialmente apresentava uma imagem do falecido ativista Malcolm X segurando uma carabina com a colocação do termo depreciativo “nigga” ao lado do seu rosto. Felizmente, Minaj se desculpou pelo ocorrido e disse que a imagem não seria concebida como capa oficial do single. “Fresher Than Ever” recruta os rappers Birdman, Gudda Gudda, Flow, Jae Millz e Mack Maine, para recitar novamente sobre dinheiro em cima de uma linha de sintetizador. É uma faixa com quase sete minutos de duração e versos reciclados e obsoletos que oferecem poucos momentos de originalidade.

A próxima canção, “Back It Up”, também peca pela clara falta de imaginação, apresenta produção de Lex Luger e, mais uma vez, os rappers Lil Twist e Tyga. Enquanto isso, “Moment” é a faixa solo de Lil Wayne que começa com vocais lentos e depois desperta e transforma-se em uma música massiva. Ela impressiona mais por sua produção, enquanto Wayne entrega sinais clássicos dos seus raps, especificamente, ao falar sobre drogas, armas, dinheiro e sexo. A última faixa da versão padrão do álbum é “You Already Know”, uma canção pálida que lembra bastante as produções auto-sintonizadas de T-Pain. Aqui temos a presença de PJ Morton, que a produziu, além de de Jae Millz, Gudda Gudda e Mack Maine lidando com as rimas. Não dá para negar que “Rise of an Empire” possui um título inapropriado e causa um certo desapontamento ao ouvinte. Afinal, nele temos a presença de grandes artistas e foi lançado por um rótulo poderoso. Aqui temos alguns momentos dignos de se ouvir, como “We Alright”, “Trophies”, “Senile”, “Lookin Ass” e talvez até mesmo “Moment”.

Mas indo ao contrário disso, temos números que caem em armadilhas, fazendo o disco deixar a desejar se comparado a sua primeira compilação. A Young Money também dá a entender que é dividida em duas partes: as grandes estrelas e os artistas emergentes que ainda estão em busca de um lugar no panorama musical. Com Lil Wayne, Drake e Nicki Minaj ficando cada vez mais distantes do coletivo, esse álbuns de compilação vão se tornando cada vez menos interessantes. Enquanto os superstars da gravadora estão no topo e a produção serve ao seu propósito, Euro conseguiu tirar o máximo dos holofotes que lhe deram. No entanto, seus outros colegas como Lil Twist, Gudda Gudda e Mack Maine não fizeram nada que pudessem dar-lhes destaque e acabaram ficando em segundo plano. Portanto, isso reafirma que enquanto as grandes estrelas do álbum deram o seu melhor, os outros deixaram muito a desejar. Boa parte do elenco e convidados fizeram o suficiente para mostrar alguma dinâmica no “Rise of an Empire”, na mesma medida que pareceram estar se divertindo com estas canções, que apesar da abordagem estereotipada, em determinados momentos consegue entreter.

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Favorite Tracks: “We Alright”, “Trophies”, “Senile”, “Lookin Ass” e “Moment”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.