Resenha: You Me at Six – Night People

Lançamento: 06/01/2017
Gênero: Pop Rock, Hard Rock, Rock and Roll
Gravadora: BMG Rights Management / Infectious Music
Produtor: Jacquire King.

Para deleite de seus fãs, a banda inglesa You Me at Six lançou em 2017 o seu quinto álbum de estúdio. Intitulado “Night People”, esse novo disco vê a banda lidando com temas mais pesados, mas sem esquecer da diversão. A julgar pelo título, parece que o registro é dedicado á festas e folia. Entretanto, muitas das canções exploram aspectos obscuros, como sérios problemas de relacionamento. Nesse quesito, “Night People” oferece um repertório bem introspectivo. You Me At Six teve uma carreira construída sobre a angústia emo dos adolescentes, no final de um movimento que iniciou-se em meados dos anos 2000. Mas, desde que a popularidade do pop-punk caiu na virada da década, You Me at Six têm procurado reinventar-se em som e imagem. Em nenhum lugar isso é mais aparente do que no “Night People”, o primeiro material da banda desde “Cavalier Youth” (2014). Esse disco anterior foi o responsável por mudar o rumo da carreira da banda, uma vez que ofereceu um repertório mais radio-friendly. Embora o “Night People” percorra pelo pop-rock, há momentos de ruptura onde a banda movem através de uma sensação hard-rock. Atualmente, o grupo liderado por Josh Franceschi, está num estágio de definição do seu som. Isto é evidente a partir do momento que suas composições melhoraram, se comparadas com seu álbum de estreia. Como já mencionado, no seu valor literal, “Night People” parece ser sobre a vida noturna. No entanto, após uma inspeção mais profunda, percebemos que o disco examina os aspectos mais escuros da existência humana.

Seus temas líricos sugerem dúvidas e exploram pensamentos sombrios que costumam atormentar as horas noturnas. A faixa de abertura, que dá nome ao álbum, “Night People”, tem uma sensação hard-rock muito agradável. Com guitarras mais pesadas e vocais crus, essa canção foi lançada como primeiro single do álbum. A letra é claramente menos pessoal, embora contenha linhas que adicionam um toque de realismo interessante. O som é muito mais sombrio e escuro do que qualquer coisa que a banda tenha produzido até agora. A faixa seguinte, “Plus One”, apresenta um estilo de hard-rock ainda mais energético e agressivo. Essa canção combina poderosas guitarras com vocais confiantes, e acaba fornecendo um senso de urgência. Durante os versos, uma linha de baixo ainda acrescenta uma certa intensidade na voz de Josh Franceschi. “Heavy Soul” traz um som mais pop e nos lembra algumas de suas canções mais antigas. Os vocais são bem típicos, porém, a instrumentação mais pesada no refrão, corresponde à mensagem que a música tenta passar. A quarta faixa, “Take on the World”, é uma balada que começa lenta e constrói um coro crescente. Lançada como sexto single do álbum, é uma canção aconchegante, romântica e emocional. “Brand New”, por outro lado, possui poucos momentos memoráveis, que são salvos pela natureza alegre e sincera de suas letras. Um dos destaques do álbum é “Swear”, um retorno bem-vindo à energia rock and roll das duas primeiras faixas.

Melodias intricadas e riffs de guitarra gotejam por todos os lados e dominam essa música. Da mesma forma, a instrumentação é complementada pelos dinâmicos vocais de Josh Franeschi. Devido a seus floreios eletrônicos, linha de baixo e batida constante, ela consegue se diferenciar do restante do repertório. A bateria de Dan Flint é o destaque em faixas como “Make Your Move”, pois apoia de forma eficaz os outros instrumentos e adiciona uma energia propulsora. O groove funky combinado com os brutos vocais, tornam sua audição irresistível. Outra instrumentação que chama atenção é a da próxima faixa, “Can’t Hold Back”. É muito cativante e ainda possui um toque de rock clássico. “Spell It Out”, por sua vez, é o momento mais apaixonante do “Night People”. Inicialmente, Franceschi canta delicadamente sobre instrumentos escassos e sombrios. No entanto, no final da canção, ele praticamente grita no refrão enquanto é apoiado pela percussão e uma guitarra igualmente emotiva. A última faixa, “Give”, é mais suave, lenta e silenciosa. Ela começa como uma melancólica balada acústica, antes de explodir em um final poderoso que apresenta vocais incrivelmente emotivos de Franceschi. Há momentos verdadeiramente inspiradores escondidos nesse álbum, algo evidente em sua produção e letras. Em suma, apesar de suas falhas, “Night People” é um disco que promove uma escuta bem agradável.

Favorite Tracks: “Night People”, “Swear” e “Spell It Out”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.