Resenha: You Me at Six – Cavalier Youth

Lançamento: 27/01/2014
Gênero: Rock Alternativo, Pop Rock, Pop Punk
Gravadora: Virgin Records
Produtores: Neal Avron.

Para quem não conhece, You Me at Six é uma banda de rock inglesa de Weybridge, Surrey, formada em 2004. O grupo alcançou o sucesso em 2008 com o álbum de estreia, “Take Off Your Colours”, que incluía os singles “Save It for the Bedroom”, “Finders Keepers” e “Kiss and Tell”. Composta por Josh Franceschi, Max Helyer, Chris Miller, Matt Barnes e Dan Flint, o You Me at Six tem como principais influências as bandas americanas Blink-182, Incubus e Thrice. “Cavalier Youth” é o título do seu quarto álbum de estúdio, lançado dia 27 de janeiro de 2014 através da gravadora Virgin Records. O primeiro single, “Lived a Lie” foi lançado em setembro de 2013 e foi destaque do jogo de videogame “FIFA 14”. O álbum, por sua vez, possui um total de 12 faixas e teve seis singles lançados oficialmente. “Cavalier Youth” liderou a parada de álbuns do Reino Unido após a sua liberação, provando que, enquanto You Me At Six não é tão forte nos Estados Unidos, são certamente um nome familiar no seu país de origem.

Quase três anos depois de seu terceiro álbum de sucesso “Sinners Never Sleep”, You Me At Six voltou para lançar o “Cavalier Youth”. Como refletido no título, o álbum exala um certo otimismo juvenil através de seu sentido de imprudência, desafios e esperança no futuro. Ao longo dos últimos anos e por meio de três álbuns, vimos esses caras passarem de adolescentes para homens crescidos e tornarem-se uma banda muito conhecida no Reino Unido. Eles recrutaram Neal Avron para ficar a cargo da produção, um homem por trás de álbuns de nomes como Fall Out Boy, Linkin Park, New Found Glory e Yellowcard. As raízes pop-punk da banda ainda aparecem de vez em quando, mas o som, no geral, é mais puxado para o rock alternativo, onde eles optaram por equilibrar fortes riffs com uma sensibilidade pop. Apesar do You Me At Six parecer ter entrado no “Cavalier Youth” sem um propósito e utilizando fórmulas previsíveis, eles ainda continuam gerando sons refrescantes.

Certamente, eles ficaram melhores como compositores neste álbum, porque as músicas misturam-se para formar uma história realmente coesa. Utilizando métodos simples, porém, eficazes para as composições, o You Me at Six transformou expressões cansadas em tons totalmente otimistas. Ao ouvir esse disco o ouvinte vai encontrar-se em uma exploração de diferentes emoções de jovens que cresceram, a partir de um grande entusiasmo e, finalmente, uma esperança para o que ainda está por vir. Mas além de ser otimista o disco também traz um lembrete: ninguém vive para sempre e o tempo limitado que temos é cheio de problemas e tempestades que ninguém está verdadeiramente preparado para lidar. Enfim, embora as canções do álbum não sejam inovadoras, elas conseguiram atingir seus objetivos. Tudo começa bem com a faixa “Too Young to Feel This Old”, onde guitarras e fortes tambores soam em boa sintonia com as letras edificantes e relacionáveis cantadas por Franceschi. É uma canção despreocupada que mostra imediatamente aos ouvintes a nova direção que a banda tomou.

You Me at Six

O vocalista questiona sua própria vida, perguntando: “Será que podemos aprender a amar de novo? / Será que podemos aprender a sentir de novo? / Porque nós somos jovens demais para sentir-se velhos?”. A música mostra não ser apenas sobre relacionamentos, como também sobre encontrar uma identidade para si mesmo e aprender a viver em sua forma mais verdadeira. Ela sente-se como uma história de amadurecimento e acaba por definir o ritmo para o álbum inteiro. “Lived a Lie”, lançada como primeiro single, é uma música bem cativante que começa com um riff de guitarra facilmente reconhecível e possui uma melodia tipicamente alta. A letra fornece uma mensagem de superar as expectativas e dificuldades (“E se eu vivesse uma mentira / Alguém me encontraria do outro lado / Para que eu possa brilhar intensamente”). Na ponte, a banda ainda canta repetidamente, como um coral e em cima de uma bateria estelar, a frase: “We are believers, we are believers”.

A canção é seguida por outro single, “Fresh Start Fever”, uma up-tempo frenética que apresenta um piano e mostra vocais poderosos de Franceschi. A instrumentação utilizada aqui adicionou uma sensação mais rápida se comparada as duas faixas anteriores. A trilha começa imediatamente com um proeminente ritmo na guitarra e depois mergulha em riffs ainda melhores. Mais tarde, os instrumentos pegam um ritmo mais forte por causa de uma intensa batida. “Bem-vindo ao futuro / Sonhe um pouco maior”, eles declaram no refrão. “Forgive and Forget”, quinto single oficial, transmite diferentes emoções causadas por sua letra, enquanto assume um lirismo mais escuro.  “Nós costumávamos conversar por horas / Mas agora você não ouve a minha voz / Podemos perdoar e esquecer?”, Franceschi proclama com um vocal mais sombrio.

Uma bateria contundente dita o ritmo da música que, embora não seja sonoramente tão forte quanto as três faixas anteriores, não é necessariamente ruim. Em outros lugares, como na faixa “Room to Breathe”, a banda acena para algumas canções do Foo Fighters. Sua melodia é refinada e os riffs agradáveis, mas não é uma música tão viciante porque, apesar de Franceschi ser um vocalista talentoso e com um vocal potente, pareceu não empurrar toda a sua gama com frequência suficiente aqui. Atuando como uma transição entre os tons mais pesados e letras mais leves do registro, temos a cativante faixa “Win Some, Lose Some”. Essa canção oferta um som não muito comum para a banda, apresentando-os sob uma nova vibe e mostrando uma exploração musical. Seu riff é muito viciante e o vocalista Josh Franceschi usou sua voz de uma maneira diferente aqui, algo que cooperou para torná-la em uma canção interessante.

“Cold Night”, faixa sete, possui uma sutileza calorosa nos riffs de sua guitarra que, juntamente com a melodia, deu um sentido romântico para a música. Esta vibração alegre mostra um desenvolvimento no estilo do You Me at Six, destacado ainda mais pelo bom refrão. Embora esteja totalmente dentro da zona de conforto da banda, “Hope for the Best” é um bom exemplo de música que se destaca mais pelas melodias vocais que qualquer outra coisa. Enquanto a maioria de suas músicas tem constante riffs de guitarra e um ritmo suave, essa tem um estilo harmonioso, especialmente no refrão, que cria uma distinção importante para si. “Love Me Like You Used To” também está dentro da zona de conforto e vem logo depois, com acordes de guitarra mais agressivos e uma batida contagiante de tambor. Ela consegue permanecer atraente e emocionante o tempo todo, provando que You Me at Six ainda utiliza as influências das faixas mais pesadas de seu passado.

You Me at Six

A banda realmente foi para alguns novos lugares nesse disco, como podemos observar em “Be Who You Are”, a faixa mais curta do repertório. Uma bonita balada que oferece uma leveza recém-descoberta pelo quinteto. Nessa canção encontramos versos como: “Você é a minha luz no escuro / Não altere / Basta ser quem você é”. O afeto da letra é agravado ainda mais por conta dos vocais suaves e a forte batida debaixo da guitarra acústica. No seu quarto álbum, You Me at Six se encontra em um ponto um pouco fundamental de sua carreira musical jovial. Com três anos entre este disco e o de 2011, “Sinners Never Sleep”, a banda tem tido muito tempo para crescer e evoluir. Mas algo que observei é que em alguns momentos eles não demostraram muito apetite para empurrar os seus limites nesse trabalho.

Tome a faixa “Carpe Diem” como exemplo, que segue com versos pensativos do grupo e um ritmo constante, entretanto, entrega muitas frases clichês e um refrão esquecível que não surpreende. Felizmente, para fechar o repertório temos a faixa “Wild Ones”, que mostra um lado mais vulnerável da banda. Franceschi faz novas perguntas como: “Você vai viver para sempre?”. Em contraste com o que foi mostrado nas canções anteriores, eles olham para o futuro encorajando os ouvintes a permanecerem otimistas e aproveitarem ao máximo de tudo que a vida tem. Sonoramente, é uma música que brilha, graças as suas lentas batidas que constróem um refrão contagiante e prospera um ritmo constante. Enfim, é assim que “Cavalier Youth” termina: com um sentimento de auto-realização e esperança. É um registro que conseguiu representar um certo grau de crescimento, com algumas das letras mais maduras do You Me At Six.

O recorde deixa o ouvinte com mensagens poderosas, como assumir o controle de sua vida e viver sem pesar, se livrando das coisas que lhe deixam para baixo. O disco é de nenhuma maneira um trabalho ruim, já que não há nada de absolutamente terrível e seus destaques são agradáveis o suficiente. No entanto, para ser franco, a maioria das coisas aqui transmitem a sensação de que os ingleses, na maior parte do tempo, jogaram totalmente pelo lado seguro. De qualquer forma este é, talvez, o mais maduro álbum da banda até a presente data. Josh Francheschi manteve o seu status de estrela da banda, ao passo que sua performance em todo “Cavalier Youth” foi habilmente confiante. Pelo menos metade do repertório permitiu o cantor entregar momentos de grande definição, créditos também para a composição inteligente de toda banda e a boa produção de Neal Avron.

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Favorite Tracks: “Too Young to Feel This Old”, “Lived a Lie”, “Fresh Start Fever”, “Win Some, Lose Some” e “Wild Ones”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.