Resenha: Yelawolf – Trial by Fire

Lançamento: 27/10/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Slumerican / Shady Records / Interscope Records
Produtor: Yelawolf.

Michael Wayne Atha, mais conhecido como Yelawolf, é um rapper americano de Gadsden, Alabama. Nos primeiros anos de sua carreira, Yelawolf lançou o álbum independente “Creek Water” (2005), enquanto no decorrer de 2006 a 2010 divulgou alguns EPs e inúmeras mixtapes. O EP “Trunk Muzik 0-60” (2010) chamou atenção principalmente por ser lançado via Interscope Records. Mas, posteriormente, Yelawolf assinou um contrato de gravação com a Shady Records, a gravadora do Eminem. Foi por lá que o rapper de Alabama lançou o seu álbum de estreia, intitulado “Radioactive” (2011). Exatamente cinco meses depois de lançar o álbum “Love Story” (2015), o protegido do Eminem não exitou em anunciar que já estava gravando o seu novo disco. Nesse meio tempo, Yelawolf entrou em turnê, entretanto, acabou cancelando-a próximo do seu final, depois que uma parte do palco quebrou e resultou na morte do seu amigo de infância Shawty Fatt. Por causa desse acidente e outros desastres que ocorreram em sua vida em 2016, Yelawolf entrou num hiato. Aos 37 anos de idade, o rapper já testemunhou quase todas as eras do hip-hop. Após afirmar que permaneceria na Shady Records / Interscope Records, ele liberou um novo álbum surpreendentemente autoproduzido. Intitulado “Trial by Fire”, o seu terceiro álbum de estúdio é uma coleção de quatorze faixas que mergulham profundamente em sua mente escura e danificada.

Chamado de seu álbum favorito, “Trial by Fire” faz uma mistura inusitada de hip-hop, country, rock e blues, e traz consigo a participação de artistas como Kid Rock, Travis Barker, Juicy J e Lee Brice. Depois de divulgar o disco “Love Story” (2015), o “Trial By Fire” foi produzido e gravado por Yelawolf no estúdio House of Blues em Nashville, meses antes dele dizer a uma multidão: “Não posso fazer isso, não mais”. Felizmente, o tempo o deixou mais sóbrio e o colocou num melhor estado de espírito. O álbum abre com a faixa-título, “Trial by Fire”, onde ele fala sobre o dia em que nasceu. É uma música auto-biográfica que dita o tom para o que está por vir ao longo do repertório. Em “Shadows”, o rapper fala um pouco sobre sua vida em cima de um instrumental sinistro, enquanto “Get Mine” paira sobre sons de country-rock e apresenta um gancho de Kid Rock. A quarta faixa, “Son of a Gun”, é o seguimento ideal para a faixa-título, onde Yelawolf fala mais um pouco sobre o seu passado. Aqui, ele reflete a respeito de sua carreira sobre decentes riffs de guitarra, suaves teclas e tambores contundentes. “Ride or Die” é uma homenagem ao seu falecido amigo, Shawty Fatt. Sobre algumas teclas de piano ele agradece aqueles que o apoiaram ao longo de sua jornada traumática. Em “Daylight”, o rapper aborda o alcoolismo sobre riffs de guitarra bluesy e mais elementos de música country. “Do for Love”, por sua vez, fala sobre um pai que eventualmente decide roubar e uma mãe que vende drogas.

Sob um instrumental dramático, Yelawolf pondera o que você faria por amor, enquanto “Row Your Boat” fornece um instrumental sombrio para falar sobre segurança e brutalidade policial. Mais tarde, o tenor de Bone Owens complementa muito bem as letras sombrias de “True to Yourself”, enquanto Yelawolf diz ao ouvinte para aproveitar o momento. A atmosfera desta música, assim como boa parte do álbum, é assustadora e profunda, principalmente pelo uso de trombetas no refrão. A décima segunda faixa, “Sabrina”, é uma sincera balada dedicada à sua filha de mesmo nome. Certamente, é a canção mais escura, profunda e emocional do álbum. Aqui, Yelawolf aborda cuidadosamente os detalhes de uma tragédia familiar e os sentimentos subsequentes que isto causou. “Violin”, com Lee Brice, fala sobre o sacrifício que um soldado americano faz por seu país. É uma canção pensativa conduzida por uma guitarra acústica, cordas de violino e vocais de fundo. Dado os julgamentos que Yelawolf enfrentou nos últimos anos, não é de se admirar que ele finalmente alcançou um ponto de ruptura. Embora ele tenha sido ridicularizado em muitos de seus shows, este álbum prova que ele realmente é um vencedor. Como um todo, “Trial by Fire” é provavelmente o seu melhor álbum até o momento. Os elementos de country e rock misturaram-se perfeitamente com o hip-hop de Yelawolf. Aliás, ele soa muito mais focado e inspirado do que no seu extenso e exaustivo último álbum, “Love Story” (2015).

Favorite Tracks: “Get Mine (feat. Kid Rock)”, “Son of a Gun” e “Ride Or Die”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.