Resenha: Wyclef Jean – The Carnival Vol. III: The Fall and Rise of a Refugee

Lançamento: 15/09/2017
Gênero: Hip-Hop, Reggae Fusion, R&B, Soul
Gravadora: Heads Music / Sony Music / Legacy Recordings
Produtores: The Knocks, Supah Mario, Phillip Fender, Motiv, Cards e Sidney Swift.

Wyclef Jean, um dos ex-integrantes do trio Fugees, está de volta com seu novo álbum, “Carnival III: The Fall and Rise of a Refugee”. Fugees foi o grupo que revelou as músicas melódicas e inspiradoras de Lauryn Hill, enquanto exibiu os talentos criativos de Wyclef Jean e Pras Michel. Ao longo dos anos, Jean aventurou-se pela música e chegou a se candidatar como presidente do Haiti. Agora, depois de um hiato em sua carreira solo, ele decidiu agradar seus fãs ao lançar um novo disco em 15 de setembro de 2017. Esta é a terceira parte do álbum “The Carnival”, que começou em 1997 e continuou em 2007 com “Carnival Vol. II: Memoirs of an Immigrant”. Lançado pelo seu próprio rótulo, “Carnival III: The Fall and Rise of a Refugee” mostra um Wyclef Jean mais maduro e resiliente. Um corpo de trabalho composto por doze faixas e um punhado de outros artistas. É difícil não comparar todos os discos de Wyclef Jean com a sua estreia de 1997. Embora seja o primeiro disco solo do cantor, “The Carnival” (1997) praticamente representou o fim do Fugees, talvez até mais do que o “The Score” (1996). Afinal, sua paisagem sonora e vibração artística é tecnicamente muito semelhante aos dois álbuns do Fugees. Qualquer um que seja familiarizado com o trio e tenha acompanhado a carreira de Jean, pode concordar com tal afirmação. Embora nos últimos anos frequentemente tenham lhe perguntado de uma possível reunião com o Fugees, Wyclef Jean criou o seu próprio nicho como produtor e compositor, sempre mostrando apoio ao seu país de nascimento, o Haiti.

Sem dúvida, sua luta ao lado de imigrantes e forte identidade haitiana sempre foi aparente. Não podemos deixar de mencionar que sua devoção pelo Haiti, inclusive o levou a uma tumultuada carreira política. Quando “The Score” venceu o Grammy de “Melhor Álbum de Rap” em 1997, ele representou o país na cerimônia colocando a banderia haitiana em torno dos seus ombros. A primeira faixa, “Slums”, desencadeia um dos principais temas do registro. Ela fala sobre a afinidade de Wyclef Jean com o Haiti e enfatiza a necessidade de parar de vender drogas e matar uns aos outros. Acompanhado pela voz melódica de Jazzy Amra no refrão, esta canção serve como um tributo às suas raízes. “Turn Me Good”, inspirada por “Sexual Healing” de Marvin Gaye, fala metaforicamente sobre a vida após a morte. Uma faixa de R&B com pequenos elementos de reggae, que nos remete brevemente a “My Love Is Your Love” (canção escrita por Wyclef Jean e interpretada por Whitney Houstoun). A ótima terceira faixa, “Borrowed Time”, é guiada pelas habilidades de Jean no piano, enquanto as trompas de “Fela Kuti” apresentam um som familiar e dançante. Em seguida, “Warrior” e “Shotta Boys” mostram mais das habilidades narrativas de Wyclef Jean. Ambas canções carregam uma sensação mal-humorada e nos remetem às suas raízes estilísticas. “Warrior”, conduzida por uma guitarra acústica e instrumentos de metal, destaca as experiências que muitos jovens passam no decorrer da vida, ao passo que “Shotta Boys” faz referências às favelas, traficantes de drogas e gangues.

Chegando na metade do álbum, “Double Dutch”, com Eric Nimmer e D.L. Hughley, toca em suas próprias experiências com a polícia. Em contrapartida, “What Happened to Love”, com LunchMoney Lewis, é uma faixa dançante, funky e up-tempo, sonoramente destacada pelo baixo e guitarra. Sobre amostras de “Love Never Felt So Good” (Michael Jackson e Justin Timberlake), esta canção fala sobre um interesse amoroso do rapper. “Carry On”, acompanhada pelos vocais soulful de Emeli Sandé, nos remete a algumas músicas de Sam Cook. Aqui, Wyclef Jean mostra um pouco de suas habilidades de canto e complementa a bela voz de Sandé. Na décima faixa, “Concrete Rose”, ele toma uma direção completamente diferente, enquanto pega emprestado amostras de outras músicas e tenta acentuar suas habilidades como rapper. Em “Trapicabana”, com Teddy Riley, Jean oferece arranjos mais consistentes e mistura o seu hip-hop com a salsa e música caribenha. Aparentemente, as letras são direcionadas para algum interesse amoroso do rapper. A última faixa, “Thank God for the Culture”, mostra a profunda gratidão de Wyclef Jean por sua herança e cultura. Aqui, ele realmente reconhece como a cultura o manteve literalmente vivo e livre. Sem dúvida, “Carnival III: The Fall and Rise of a Refugee” é uma sólida adição à seria “The Carnival”. Os arranjos são acessíveis, as letras profundas e o som bastante cativante. Além de ser um excelente produtor e compositor, Wyclef Jean também é um rapper muito talentoso. Em suma, ele conseguiu criar um corpo de trabalho polido, coerente e muito agradável.

Favorite Tracks: “Boworred Time”, “What Happened to Love (feat. LunchMoney Lewis)” e “Carry On (feat. Emeli Sandé)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.