Resenha: Wiz Khalifa – Blacc Hollywood

Lançamento: 18/08/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Arthur McArthur, Jum Jonsin, I.D. Labs, Juicy J, DJ Mustard, Ned Cameron, Stargate, Ghost Loft, Dr. Luke, Micah J. Foxx, The Beat Bully, Sledgren, Detail, Finatik N. Zac, Purps, Kane Beatz, JMike, Luca Polizzi, The Order, JGramm Beats e Sonny Digital.

O quinto álbum de estúdio do rapper Wiz Khalifa chama-se “Blacc Hollywood” e foi lançado em 18 de agosto de 2014. Ele conta com participações de Juicy J, Ty Dolla $ign, Chevy Woods, Project Pat, Ghost Loft, Snoop Dogg, ScHoolboy Q, Nas, Rick Ross, Nicki Minaj e Curren$y. É um álbum que tem um pouco de tudo que Wiz Khalifa pode oferecer, até mesmo reminiscências do seu hit “Black and Yellow”. É uma melhoria do seu disco de 2012, o “O.N.I.F.C.”, entretanto, com um propósito extremamente similar: um trabalho convidativo, mas que não é notável o suficiente para agradar a massa. Estreou em #1 na Billboard 200 dos Estados Unidos, com vendas na primeira semana de 90 mil cópias. No Canadá também estreou em primeiro, porém, com apenas 5 mil cópias vendidas.

O “Blacc Hollywood” possui a fórmula habitual do rapper: um fluxo com melodias suaves e um conteúdo lírico repetitivo em cima de batidas envolventes. Khalifa chegou ao sucesso comercial em 2011, com os versos pegajosos de “Black and Yellow” do seu álbum “Rolling Papers”, e, embora esse novo álbum traga uma produção variada, é um trabalho bem vago e pouco atraente. “Blacc Hollywood” possui algumas faixas interessantes, mas passa longe de ser um material formidável. A capa do álbum descreve o rapper em uma neblina espessa de fumaça, o que já aponta para o que está por vir, um trabalho em grande parte desprovido de imaginação e criatividade. Wiz Khalifa não escreve versos elaborados, em vez disso, abusa de discursos repetitivos. Seu maior apelo comercial não vem do seu fluxo, mas sim das melodias grudentas que são, muitas vezes, eficazes.

Os melhores momentos do álbum estão nesses tipos de canções, como o primeiro single “We Dem Boyz”. Aqui, sua música não veio como um desafio e por isso, não consegue ser convincente. Khalifa não se comprometeu em fornecer um som de alto nível, apenas mergulhar totalmente no partido mainstream. Sim, “Blacc Hollywood” é muito comercial. O rapper, agora com 26 anos e em seu quinto disco solo, conseguiu desenvolver um ouvido prodígio para melodias pegajosas. Neste ponto, ele claramente não parece interessado em fazer um álbum que possa deixar um legado adiante, mas apenas continuar aderindo à suas armas e se divertindo. “Hope”, com Ty Dolla $ign, abre o registro com guitarras estilo Jimi Hendrix, uma música prazerosa, onde Wiz Khalifa diz ao ouvinte: “Hope you got thousands in your pocket / ‘Cause she ain’t lookin’ for love”.

Wiz Khalfia

A faixa seguinte é o primeiro single “We Dem Boyz”, que não possui nenhum conceito, mas tem versos muito cativantes. Nessa produção de Detail, o rapper mostra suas rimas sobre uma batida que é, facilmente, a melhor de todo repertório. Na balada “Promises” Wiz Khalifa tenta um fluxo mais lento para tentar emocionar e, em seguida, rouba a cena em outra faixa pegajosa: “KK”. Essa conta com a participação de dois convidados, o rapper Juicy J e Project Pat. Logo depois, temos a crescente “House in the Hills”, a faixa mais forte do álbum que traz a participação de Curren$y. Um canção sólida e oportuna, que possui um dos versos mais angustiantes de Wiz Khalifa. “Ass Drop” é uma twerk-pop que aparece na metade do disco, porém, é, provavelmente, a mais fraca e sem graça do mesmo. “Raw”, por sua vez, é uma faixa que possui elementos que lembram o álbum “808s & Heartbreak” de Kanye West e um fluxo a lá Gucci Mane.

“Stayin Out All Nigh” é produção de Dr. Luke, o mestre que já produziu inúmeros sucessos para cantores pop. É uma canção boa, divertida, mas também um tanto quanto estereotipada. “The Sleaze” tem uma boa batida e rimas bem elaboradas, entretanto, peca por oferecer um refrão insosso. “So High”, em colaboração com Ghost Loft, é praticamente uma reciclagem das faixas anteriores, em contrapartida, “Still Down” consegue impressionar pelo ótimo trabalho em conjunto com Chevy Woods e Ty Dolla $ign. “No Gain” é bem leve, mas um tanto quanto descartável, enquanto “True Colors”, com a rapper Nicki Minaj, encerra o álbum de certa forma agradável. A versão deluxe do “Blacc Hollywood” oferece mais duas faixas bônus: um remix de “We Dem Boyz”, com participação de Rick Ross, ScHoolboy Q e Nas, e “You and Your Friends”, uma colaboração com Snoop Dogg e Ty Dolla $ign.

“Blacc Hollywood” é, como já mencionado, um álbum muito comercial, divertido e não deixa o ouvinte cair no tédio, afinal, suas melodias grudentas oferecem uma produção variada. Porém, também é um material vazio, sem ousadia e nenhuma evidência de um trabalho árduo no seu processo criativo. Artisticamente falando, não é um progresso na carreira do rapper e possui muitas falhas. O seu conteúdo lírico é objetivo, mas muito simples e com temas comuns no hip-hop, como diversão, festas, mulheres e drogas. Portanto, soa como um projeto de alguém que não tem nada a provar. Os únicos créditos de Wiz Khalifa são os mesmos acertos de outros álbuns, pois basicamente ele usou o que sabe fazer de melhor: músicas com refrões grudentos e cativantes.

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Favorite Tracks: “We Dem Boyz”, “Promises”, “KK (feat. Project Pat & Juicy J)”, “Raw” e “True Colors (feat. Nicki Minaj)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.