Resenha: Within Temptation – Hydra

Lançamento: 22/01/2014
Gênero: Rock, Hard Rock, Metal Sinfônico
Gravadora: Universal Music
Produtores: Daniel Gibson.

“Hydra” é o nome do sexto álbum de estúdio do Within Temptation, banda holandesa de metal sinfônico. Contém participações especiais da cantora Howard Jones (ex-Killswitch Engage), do rapper Xzibit, da vocalista de metal Tarja Turunen (ex-Nightwish) e do cantor Dave Pirner. Foi lançado em janeiro e estreou em #1 na Holanda, #06 no Reino Unido e em #20 nos Estados Unidos, onde vendeu 15 mil cópias na primeira semana. O disco possui uma sonoridade bem rápida e pesada, porém, mais moderna se comparado com trabalhos anteriores da banda. Devido à participação de convidados especiais e outras direções musicais, o álbum possui novas influências. Mas o metal sinfônico e os elementos progressivos que a banda costuma utilizar, ainda estão presentes. O Within Temptation é um nome bastante familiar para qualquer um que gosta da parte mais melódica, sinfônica e comercial do metal.

No “Hydra” tem tudo que um entusiasta do metal sinfônico pediria: uma grande produção, vocais angelicais, bons riffs, tambores, interlúdios de piano e uma sonoridade interessante. Este álbum mistura elementos de metal com sons mais comerciais encontrados na música atualmente, ao passo que a banda executa essa tarefa de forma surpreendente. As letras conseguem tocar o ouvinte profundamente, e, felizmente, enquanto o álbum progride você consegue entender o que os cantores estão tentando dizer, o que é imprescindível se quisermos nos conectar verdadeiramente com a música e o seu nível emocional. Outra característica deste álbum é a sua diversidade, metalcore, death metal, power metal, death metal melódico, metal clássico, todos esse subgêneros poderão ser encontrados aqui.

As suas passagens de piano são excessivamente melodramáticas, o que agrada e torna as canções ainda mais atraentes. Os vocais femininos também destacam-se, assim como os riffs de guitarra, os coros e a orquestra adicionada às músicas. Quase todas as faixas são cativantes, ao mesmo tempo que indica algo mais experimental. O resultado final é um outro grande álbum de rock sinfônico da banda, um disco bombástico, poderosamente empolgante e com muitas variações. A faixa de abertura, “Let Us Burn”, é um bom exemplo disso, uma ótima canção que possui tudo que você esperaria do Within Temptation: grandes melodias, boas guitarras, refrão memorável e uma grande interpretação vocal de Sharon Den Adel. A banda possui uma grande sensibilidade musical e, mesmo que essa canção não possua novas técnicas, ela é uma demonstração de que velhos truques ainda funcionam bem.

Within Temptation

Howard Jones empresta o seu talento para “Dangerous”, uma canção agressiva, porém, muito melódica. Aqui, Sharon realiza bons vocais em harmonia com Howard, um convidado que foi usado de forma eficaz e evidentemente distinto. A colaboração mais inusitada é com o rapper Xzibit em “And We Run”. O início parece algo típico de canções de Within Temptation, até que o rap entra e, surpreendentemente, encaixa-se muito bem. Comparações com o dueto de Linkin Park e Jay-Z podem surgir, mas, igualmente à eles, o dueto com o Xzibit funcionou positivamente. “Paradise (What About Us?)”, com participação da ex-vocalista do Nightwish, Tarja Turunen, é um dos destaques, com as vozes das duas cantoras misturando-se perfeitamente bem. Sharon faz um grande trabalho em conjunto com Tarja, pois ambas entregam belos vocais e apresentam-se de forma muito convincente.

“Edge of the World” é uma balada brilhante e com uma instrumentação sublime, provando que cada faixa tem algo de bom a oferecer. “Silver Moonlight”, por sua vez, tem vocais masculinos e, além de conseguir transmitir bons sentimentos, é apoiada por instrumentais bem mais fortes. Já “Covered By Roses” possui acordes introdutórios fantásticos, enquanto “Dog Days”, à medida que progride, mostra um intenso vocal cheio de emoção. “Tell Me Why” está no lado mais pesado do álbum e encanta com sua poderosa sonoridade, enquanto a última faixa, “Whole World Is Watching”, conta com a participação de Dave Pirner. É um pouco diferente das demais músicas, mas é uma bela canção e foi bem apropriada para fechar o registro. O “Hydra” é uma gravação magistral que conseguiu misturar, muito bem, diferentes estilos musicais. É um material repleto de bons sintetizadores, guitarras, excelentes vocais de apoio e belas harmonias.

O sexteto conseguiu atingir os seus limites, explorando novos elementos e influências, entretanto, sem deixar as suas raízes metálicas para trás. “Hydra” é um monstro mitológico que possui mais de uma cabeça, e esse novo álbum do Within Temptation, que leva esse nome, também possui muitas cabeças. Há metal sinfônico, hard rock, rock mainstream e até rap. É um esforço que merece elogios por ser diversificado, mas ainda coeso. Não é o melhor álbum da banda, no entanto, consegue manter o interesse do ouvindo durante todo o repertório, além de claro, ser bem experimental. É uma boa maneira de cativar quem não é tão familiarizado com o som da banda, pois possui uma sonoridade mais comercial. Sintetizando, o Within Temptation conseguiu continuar crescendo e expandindo suas fronteiras com esse novo trabalho, e ainda mantendo-se pesado e dramático como de costume.

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Favorite Tracks: “Let Us Burn”, “And We Run”, “Paradise (What About Us?)”, “Edge of the World” e “Whole World Is Watching”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.