Resenha: Willow – The 1st

Lançamento: 31/10/2017
Gênero: R&B, Folk Pop
Gravadora: Roc Nation
Produtores: Blood Orange e Willow Smith.

Em 31 de outubro de 2017, no seu aniverário de 17 anos, Willow Smith lançou o seu segundo álbum de estúdio. “The 1st” explora ainda mais os temas pré-estabelecidos em seu álbum de estreia, “ARDIPITHECUS” (2015). Este registro aprecia suas escolhas e permite o ouvinte conectar-se melhor com as letras. Formado por onze faixas, é um LP demasiadamente complexo e quase não possui seções rítmicas. Em vez de uma banda completa, cada música foi construída em torno de sua voz e alguns instrumentos. Liricamente, a filha de Will Smith fala sobre assuntos que ocupam seus pensamentos, como o amor e as complicações de ser um adolescente. Sua voz possui um grande alcance emocional e abrange uma gama suave e igualmente doce. “The 1st” foi configurado de uma forma semelhante ao “ARDIPITHECUS” (2015), com a maior parte usando variações de outros gêneros e diferentes batidas. Entretanto, mostra um novo interesse de Willow Smith por sons acústicos e inacabados. Na primeira faixa, “Boy”, ela canta com grande confiança e maturidade para além de seus anos. É uma canção que consegue descrever a angústia do amor adolescente, a partir da perspectiva de uma garota que precisou lidar com a fama muito cedo. Enquanto isso, o interlúdio “An Awkward Life of an Awkward Girl” é conduzido por um encantador piano de natureza clássica. Sem letras e apenas com a orquestra de instrumentos, esta faixa pode ser considerada uma adição crucial ao fluxo do álbum. Enquanto a terceira faixa, “And Contentment”, é desanimadora, jovial e crua, “Warm Honey” é o ponto de viragem do álbum.

Aqui, Willow sente-se mais adulta, interessante e realmente atinge o objetivo. “Mas, então, voltamos à terra / Voltemos à vida, recuam nos conflitos / Mas, então, voltem para nós / Aprenda a amar, aproveite uma nova luz / Eu vou andar por milhas, procurando por milhas / Tentando encontrar-me / Mas então eu percebi que não existo”, ela canta. Sobre um violão solitário, Willow nos apresenta a agradável e orgânica “A Reason”. Sua voz está no centro do palco, enquanto a música possui uma atmosfera acústica e vocais reconfortantes. O primeiro single, “Romance”, foi divulgado antes mesmo do lançamento do álbum. Semelhante a faixa anterior, é composta por uma guitarra acústica e voz animadora. Entretanto, “Romance” é muito mais angustiante e inspirada pela raiva. Esta canção mostra uma nova direção da qual Willow está tentando tomar. “A moral não existe / É uma construção que criamos em crianças que vêem / Criamos nossos paradigmas / Nós criamos todas as nossas vidas”, ela canta. Willow fala muitas vezes sobre o amor, mas ela também parece interessada em traduzir suas preocupações para a sociedade, comentando sobre o amor próprio e os papéis das mulheres na sociedade, por exemplo. “The 1st” é inegavelmente mais maduro e artístico, embora a produção não ofereça muito em termos de alcance e dinamismo. A simplicidade e elegância dos arranjos é um destaque a parte. Dito isto, os instrumentos acústicos e as cordas orquestrais ajudam a produzir uma maior profundidade e permite a voz de Willow brilhar. Ela definitivamente não tem medo de experimentar novos sons, gêneros e estilos.

Favorite Tracks: “Oh No!!!”, “Warm Honey” e “Romance”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.